Produtivismo Acadêmico e Destruição da Carreira Meritocrática Acadêmica

Desde que voltei para a Universidade, depois de cinco anos de licença para atuar na alta administração de um banco público federal, nunca publiquei tanto: 370 artigos-posts originais. Por que? Porque me recusei a entrar no jogo contemporâneo do academicismo de publicar apenas em revistas impressas ranqueadas por critérios duvidosos, onde “pareceristas cegos” que aceitam só o (pouco) que sabem e se recusam a aprovar qualquer artigo que vá contra sua crença ideológica não científica. Quando reconhecem o mérito de um colega, que pensa igual a eles, leva até dois anos para o artigo ser publicado, ou seja, perde o momentum do debate público. Resultado: quem lê revistas acadêmicas? São conhecidas pela chatice…

Prefiro publicar livros e textos por meios eletrônicos e/ou digitais. Submeto-os à crítica dos leitores. Se agradam, minha reputação profissional cresce, o número de visitas ao meu modesto blog pessoal aumenta — confira que está quase atingindo seis milhões (mais de quatro mil por dia útil) –, sou convidado para publicar mais em outros sites e palestrar. Enfim, escrevo com prazer e sou bastante lido, embora isso não contabilize pontinhos Qualis

Esta edição temática sobre “Produtivismo Acadêmico” (Produtivismo acadêmico – Revista Adusp 60 – maio 2017) busca atualizar o leitor a respeito de um tema que, infelizmente, se tornou familiar à Revista Adusp, mas que nem sempre foi possível abordar em todas as dimensões e implicações.

Decidiu, a par da publicação de material inédito, republicar textos que não são recentes, mas que considerou relevantes na perspectiva de um tratamento minimamente sistemático da questão.

Vários dos trabalhos que publicou, nesse número, revelam de que modo os irmãos siameses “Gestão (empresarial) das Universidades” e “Produtivismo Acadêmico” espalharam-se pelo mundo — e como colonizaram a vida universitária.

O “Manifesto Acadêmico” de autoria dos pesquisadores holandeses Willem Halffman e Hans Radder, publicado originalmente em 2013, abre esta edição por diferentes motivos: sagacidade analítica, humor corrosivo, mas em especial o saudável convite à rebelião das “ovelhas” contra o status quo. Há que reagir! Continue reading “Produtivismo Acadêmico e Destruição da Carreira Meritocrática Acadêmica”

Estratégia para a Indústria 4.0 e Futuras Ocupações

A quarta revolução industrial não causará disruptura apenas nos modelos de negócios, mas também no mercado de trabalho. A expectativa é que, até 2020, 7,1 milhões de empregos desapareçam no mundo em decorrência de redundância, automação ou desintermediação. Por outro lado, cerca de 2,1 milhões de vagas serão criadas, principalmente em áreas relacionadas à computação, matemática, arquitetura e engenharia.

Os números são do relatório “WEF – Future of Jobs“, do Fórum Econômico Mundial, feito com base em entrevistas a gestores de recursos humanos e executivos envolvidos nas estratégias das empresas em nove setores de 15 economias, incluindo o Brasil.

No país, são quatro as “famílias” de emprego mais afetadas negativamente:

  1. escritório e administrativo,
  2. construção e extração,
  3. instalação e manutenção,
  4. negócios, jurídico e financeiro.

Já os trabalhos ligados a vendas, gestão, computação, matemática e ciência, educação e treinamento e arquitetura e engenharia têm perspectiva de crescimento. Continue reading “Estratégia para a Indústria 4.0 e Futuras Ocupações”

Computação Quântica

Ana Lúcia Moura Fé (Valor, 22/06/17) avalia que a computação quântica nunca se mostrou tão factível desde que foi proposta pela primeira vez, em 1981, pelo físico americano Richard Feynman. O apelo por trás desse tipo de pesquisa é o potencial de resolver, em segundos, problemas lógicos complexos que levariam anos ou sequer seriam concluídos em computadores tradicionais.

Nos últimos cinco anos, houve progresso e interesse nesse campo, com avanço rápido na criação de hardware e na experimentação escalável. Disputa-se a corrida pelo computador do futuro com laboratórios acadêmicos e vários nomes de peso da área de TI, como Microsoft e Google.

Os sinais do progresso vêm de toda parte. Só em capital de risco, a área atraiu US$ 147 milhões nos últimos três anos, além de US$ 2,2 bilhões em apoio governamental a pesquisas, em âmbito global, segundo a Deloitte. A União Europeia anunciou planos para, a partir de 2018, investir € 1 bilhão em tecnologias quânticas. E a Academia Chinesa de Ciências trabalha para construir um computador quântico nos próximos anos, só para citar alguns casos.

A tecnologia explora capacidades exóticas de elementos subatômicos, como a “superposição”, em que as unidades fundamentais de informação (apelidadas de qubits, ou bits quânticos) assumem diferentes estados ao mesmo tempo. Em comparação: os computadores clássicos codificam informações como bits que podem estar em um dos dois estados, “0” ou “1”. Já na computação quântica, os qubites podem ser “0”, “1” ou os dois ao mesmo tempo. Continue reading “Computação Quântica”

Impressoras 3D: Manufatura Aditiva ou Digital

Marcos de Moura e Souza (Valor, 24/05/17) publicou reportagem sobre impressoras 3D. Compartilho-a abaixo.

“Imagine que uma peça de plástico do seu carro quebrou. Você vai até a uma oficina autorizada e no estoque não há o que você precisa. Não importa. Um funcionário aciona uma pequena máquina e fabrica ali mesmo a tal peça. A ideia está em estudo pela Renault do Brasil e faz parte de uma pequena revolução que se espalha pela indústria nacional sem despertar muita atenção. No centro dessa mudança estão impressoras 3D, máquinas capazes de fazer praticamente qualquer objeto — do componente do motor de um avião a próteses humanas, passando por peças de carros, brinquedos e roupas. Continue reading “Impressoras 3D: Manufatura Aditiva ou Digital”

Mobile Banking X Fintech

Felipe Datt (Valor,22/06/17) informa que o mobile banking já é, oficialmente, o canal preferido do brasileiro para realizar transações bancárias. Conforme a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2017, no último ano o canal respondeu por 34% do total de transações da indústria, ultrapassando o internet banking (23%) pela primeira vez. O crescimento é notável. Em 2013, o mobile respondia por 4% das transações, perdendo da máquinas de atendimento automático (ATMs) e das agências.

O que impressiona é a velocidade da mudança. A métrica de sucesso de um aplicativo não é mais atingir 100 mil downloads, mas milhares. O Bradesco contabiliza 10 milhões de usuários no mobile banking e o Banco do Brasil, 11,7 milhões de usuários do mobile. O Santander, quatro milhões de usuários do aplicativo. O Itaú possui sete milhões de usuários cadastrados no mobile banking.

Desde março de 2014, o acesso ao app do Bradesco não consome o plano de dados. O uso do app do Santander também não consome dados desde abril deste ano. Já o Itaú lançou em dezembro de 2016 uma versão light do seu aplicativo.

A curva de adesão é mais acelerada do que a verificada em internet banking, há quase duas décadas. Um dos fatores é que, para boa parte da população, o smartphone é a porta de entrada no universo digital. Outro fator é comportamental. Há duas décadas, houve um esforço enorme para convencer o cliente a usar o banco pela internet. Hoje, essa demanda ocorre de fora para dentro. No mobile banking, tem de se entregar uma boa experiência para o cliente. Do contrário, ele abandona e não compra. Continue reading “Mobile Banking X Fintech”

RH face a Robôs e Inteligências Artificiais

Stela Campos (Valor, 24/04/17) informa que tecnologia hoje pode ajudar os departamentos de recursos humanos a reunir dados que traçam o perfil dos funcionários e os comportamentos que melhor se adaptam à organização. Com isso, podem ter um recrutamento mais assertivo e direcionar treinamentos para as necessidades individuais dos empregados. Novas ferramentas podem estimular ainda o trabalho em equipe e oferecer a oportunidade do profissional gerenciar a própria reputação na empresa.

Tudo isso representa um grande avanço para a gestão de pessoas. Mas os desafios dos RHs passam por questões que vão além de ter que aprender a interpretar dados, e que requerem novas competências como gestores. A chegada da geração nascida nos anos 80 aos cargos de chefia e a entrada dos nativos digitais exigem um novo olhar para a atração, retenção e desenvolvimento de talentos. Além disso, a discussão sobre o uso de inteligência artificial, a robotização e a as novas funções que sobrarão para os humanos já começa a preocupar esses executivos.

Todas essas questões foram discutidas na quarta edição do HCM World, evento promovido pela Oracle, que reuniu em Boston mais de 2 mil gestores de RH, de vários países. Em três dias, foram mais de 60 palestras de executivos da área e de pensadores da gestão. Continue reading “RH face a Robôs e Inteligências Artificiais”

Bancos Públicos no Capitalismo de Estado ou Socialismo de Mercado na China

A Profa. Simone Deos, o Fórum Pensamento Estratégico (PENSES) e o Grupo de Estudos Brasil/China convidaram o corpo docente e estudantes do Instituto de Economia da UNICAMP para o excelente Seminário “Sistema Financeiro Chinês em Transformação“, que foi apresentado por Leonardo Burlamaqui, Professor da UERJ e Pesquisador do Levy Economics Institute, Marcos Antonio de Macedo Cintra, Técnico em Planejamento e Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Ana Rosa Ribeiro de Mendonça, Professora do IE/Unicamp, no dia 23 de junho de 2017.

Marcos Antônio Cintra, gentilmente, enviou-nos os slides preparados para o seminário em agradecimento à oportunidade e ao prazer de compartilhar conosco um debate construtivo e civilizado, em um período tão difícil de nossa história, em que até o debate parece interditado: MARCOS ANTÔNIO MACEDO CINTRA – Seminario IE Unicamp 23 junho 2017 – SF Chinês
Abaixo, o link para o livro: CHINA EM TRANSFORMAÇÃO, no qual outros temas também são abordados, além dos tratados no seminário, sistema financeiro:

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