Balanço Financeiro das Empresas Não Financeiras: Processo de Desalavancagem Financeira após Overshooting Cambial

Em 2016, ano do Golpe Parlamentarista no Presidencialismo, a proporção da carteira de ativos problemáticos das pessoas jurídicas subiu 2,88 p.p. entre janeiro e dezembro – atingindo 8,6% do total –, e o volume de recuperações judiciais foi recorde (1.863 pedidos). Ainda que sob diferentes intensidades, tal deterioração ocorreu de maneira ampla e quase irrestrita em diversos portes de empresas, impactando o desempenho de parte dos setores produtivos.

Segundo o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central do Brasil, publicado em abril de 2017, face ao cenário recessivo recente, bem como aos riscos ainda existentes, as instituições financeiras tentaram minimizar suas perdas e adotaram critérios mais restritivos na concessão de novos empréstimos, bem como efetuaram uma gestão mais ativa sobre a carteira corrente, intensificando o processo de reestruturações de dívidas.

As empresas não financeiras também embarcaram em processo de desalavancagem financeira, consequentemente, o endividamento total – considera o crédito bancário doméstico, o mercado de capitais (debêntures e notas comerciais) e o crédito externo das pessoas jurídicas – registrou queda de 10,4% no período de doze meses, sendo o crédito bancário doméstico o que registrou a maior redução. Parte significativa dessa queda ocorreu devido à valorização do real frente ao dólar no período. Sem esse efeito da variação cambial, a queda do endividamento total teria sido de 3,7%.

Relativamente ao endividamento externo, embora seja o mais representativo diante do estoque total de dívida, vale mencionar que a dívida referenciada em moeda estrangeira baixou ao longo de 2016 (Gráfico 2.1.1.1), tanto em valor absoluto quanto em porcentagem do PIB, principalmente em função da valorização do real. Entre dezembro de 2015 e dezembro de 2016, a variação do estoque de crédito externo foi de -13,3% em reais e 3,9% em dólar.

Além disso, o risco de mercado, que é um dos mais preocupantes quando se trata de dívidas em diferentes moedas, está, em sua maioria, mitigado. Somente para um grupo que representa 3% do PIB, ou R$ 190 bilhões, não foi identificado algum tipo de mitigador desse risco (Gráfico 2.1.1.2).

É necessário analisar os balanços financeiros em sua totalidade, pois a análise apenas de passivos não é suficiente para a adequada mensuração da exposição de empresas não financeiras a mudanças nas taxas de juros. Isso porque parte significativa das firmas possui tanto ativos como passivos financeiros, e uma alteração na Selic teria impacto tanto em seus custos (passivos) como em suas receitas (ativos).

Para compor o balanço financeiro das empresas não financeiras, foram utilizadas diversas bases de dados, internas e externas. Do lado do passivo, foram consideradas as operações de crédito bancário doméstico do Sistema de Informações de Crédito (SCR), debêntures e notas promissórias (Cetip) e dívida externa (RDE-ROF). Em relação ao ativo, foram obtidos dados de aplicações em títulos registrados e custodiados na Cetip e na BM&F, em títulos públicos (somente conta própria na Selic), em fundos de investimento (treze maiores gestores) e no exterior (CBE). Posições ativas e passivas em derivativos também foram incluídas.

As empresas foram divididas em dois grupos:

  1. empresas cujo ativo financeiro é maior ou igual ao passivo financeiro e
  2. empresas cujo passivo financeiro é maior que o ativo financeiro.

A quantidade e relevância das empresas com passivos financeiros líquidos – isto é, passivo superior ao ativo – são significativas: são 67% em quantidade ou 90% do passivo financeiro total.

Analisando as empresas cujos passivos financeiros são superiores aos ativos financeiros – o grupo de Interesse do Banco Central –, nota-se que 42% de seus ativos (R$ 268 bilhões) e 22% de seus passivos (R$ 659 bilhões) estão indexados ao CDI (Gráfico 2.1.2.1). A redução da estrutura a termo das taxas de juros pós-fixadas entre setembro de 2016 e fevereiro de 2017 representou pequeno alívio no curto prazo para essas empresas: a estimativa é de um impacto líquido de -0,66% nos juros da dívida, sendo os setores de energia e petroquímico os mais beneficiados.

Em um primeiro momento, somente as empresas com passivos líquidos indexados a dívidas pós-fixadas seriam beneficiadas por uma redução da estrutura a termo das taxas de juros. Posteriormente, mesmo as empresas com dívida pré-fixadas seriam positivamente influenciadas, pois, quando da renovação destas linhas, espera-se que elas sejam ofertadas em condições mais favoráveis aos tomadores. A estimativa apresentada do Banco Central considera apenas o efeito de primeira ordem.

A conta do locaute empresarial, criando o ambiente econômico para o Golpe Parlamentarista no Presidencialismo, não tardou a chegar… As empresas estão pagando o pato-amarelo da FIESP!

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