Tortura de Números para O Brasileiro Confessar Amor pelo Livre-Mercado!

Professores da EPGE-FGV, como Pedro Cavalcanti Ferreira, Renato Fragelli Cardoso e Armando Castelar, continuam sua campanha canhestra em busca de “erradicação do mal pela raiz”, para eles, retirar o Estado da cena brasileira! Os sábios neoliberais não hesitam em torturar números, torcer ideologicamente e distorcer a história brasileira em suas costumeiras panfletagens no jornal onde escrevem sob encomenda para seu público-alvo — a casta dos mercadores.

Dizem, por exemplo, que no estertor do regime militar ditatorial, sob decisões de políticas econômicas tomadas por Delfim Neto, “em 1980, estagnação não era um destino inescapável. Foi uma escolha. Tome-se o exemplo de dois países que, no pós-guerra, eram semelhantes ao Brasil: Chile e Coreia do Sul. A figura acima apresenta as trajetórias dos produtos por trabalhador desses dois países, do Brasil e de um Brasil imaginário, denominado “BrasilQDC” – o Brasil que poderia ter dado certo.

Em 1950, o Chile era cerca de 60% mais produtivo que o Brasil, mas foi alcançado pelo Brasil no começo dos anos 1980. Hoje, entretanto, o produto por trabalhador chileno é quase o dobro do brasileiro. Até o início dos anos 1980, a Coreia do Sul era mais pobre e menos produtiva que o Brasil, mas hoje sua produtividade média é uma vez e meia a brasileira. O Brasil ficou muito para trás.

[Curiosamente, entrou no ranking dos dez maiores PIBs mundiais ao contrário dos outros citados países.]

No imediato pós-guerra, esses dois países, assim como o Brasil, eram predominantemente agrícolas. Posteriormente, como observado no Brasil, passaram por uma transformação estrutural caracterizada por rápida urbanização, com perda de importância da agricultura e ascensão da indústria e dos serviços.

O que explica o sucesso de Coreia e Chile não foi, como erroneamente diagnosticado pela Nova Matriz Econômica [obsessão dos ditos ideólogos], uma especialização nos setores “certos”, enquanto o Brasil teria apostado nos setores “errados”. Ao contrário, a baixa produtividade brasileira é generalizada, atingindo quase todos os setores da economia. Em algum momento [será que não foi sob a série de sábios-tecnocratas neoliberais durante o período 1964-2002?], esses países fizeram políticas corretas e o Brasil equivocadas.

Entre 1950 e 1980, a produtividade brasileira aumentou 3,5% ao ano, embora 40% disto (1,4% ao ano) se explicasse por mudanças setoriais, um ganho que se esgotou naquele período e não poderia ter se repetido. Mas os 60% restantes (2,1% ao ano) servem como indicador de qual poderia ter sido o crescimento desde 1980, caso as políticas adotadas no país tivessem sido outras. Se, após 1980, a produção por trabalhador no Brasil tivesse crescido à mesma taxa observada no Chile – 1,8% ao ano – a produtividade brasileira seria hoje 70% maior. Esta é a linha “BrasilQDS” do gráfico, o que poderíamos ter sido.

[A Era Neoliberal é datada de 1980 a 2002, exceto o período ago 1985 – dez 1987.]

Entre 1900 e 1980 [Era Desenvolvimentista: 1930-1980], o Brasil cresceu muito, mas durante todo o século XIX passou por uma longa estagnação. A partir da virada do Século XIX, reformas econômicas e sociais impulsionaram significativamente a produtividade no país. Países atrasados, ao se abrirem ou se reformarem, mesmo que limitadamente, geram inúmeras oportunidades de investimento, que estimulam o crescimento. O Brasil saiu de seu gigantesco atraso e caminhou para seu pequeno atraso. Entretanto, colheram-se apenas as frutas mais baixas da árvore. A partir dos anos 1980, o país foi engolfado na armadilha da renda média, tendo parado de crescer.”

Estes sábios-neoliberais da EPGE-FGV (Ferreira, Fragelli e Castelar), como é praxe histórica na elite esnobe brasileira, colocam no povo a responsabilidade, em última instância, de todos os problemas: identificam no cidadão brasileiro uma concepção de mundo onde o Estado teria todas as soluções para os problemas econômicos.

Ironicamente, dizem que “essa “narrativa fantástica” explicaria não só o subdesenvolvimento, mas principalmente o fracasso recente. O Estado-mãe só não conseguiria resolver os problemas recorrentemente enfrentados pela população devido à sua captura por “elementos do mal”. Entre estes elencam-se os políticos corruptos, o mercado financeiro, a mídia golpista, ou algum outro bode expiatório da vez que impediria o Estado de prover o paraíso na Terra.

[Curiosamente, estes sábios-neoliberais não citam sua turma que esteve quase sempre no Poder…]

Essa visão inspirou a Constituição de 1988 que prometeu tudo a todos, descuidando do financiamento das despesas e do seu impacto no longo prazo. De lá para cá, o gasto primário do Estado explodiu, e toda uma estrutura tributária repleta de distorções foi criada para financiá-lo. Esse projeto de Brasil revelou-se inviável e explica a estagnação. Chile e Coreia do Sul, por outro lado, liberaram suas economias e implantaram modelos onde o papel do Estado é ainda importante, mas bem mais limitado que aqui.

O Estado brasileiro sempre foi arcaico, patrimonialista e concentrador. Suas políticas, foram capturadas por elites rurais, industriais, mercantis, entre outros grupos dominantes, e excluíram a grande maioria da população. A educação foi sempre virtualmente ignorada.

[Concordo… e lembro que, antes de 2003, nunca a esquerda trabalhista esteve no Poder.]

O país cresceu no século XX, apesar do Estado, e não devido a ele. [Ônus da prova é dos acusadores, mas eles não a apresentam.]

Ainda assim o brasileiro continua a esperar que esse mesmo Estado, que fracassou no passado [ora, o país não se tornou um dos maiores emergentes?], possa resolver todos seus problemas no futuro, eliminando a pobreza, dando-lhe universidade gratuita, aposentadoria confortável para a qual não contribuiu suficientemente, e outras benesses. O brasileiro ainda se opõe à privatização de empresas estatais ineficientes, aparelhadas, que lhe custam caro e oferecem pouco.

[Mas os professores da EPGE-FGV lhe oferecem ensino público gratuito de boa qualidade?]

É compreensível que a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo lute pela manutenção do velho Estado patrimonialista e sonhe com o generoso BNDES de sempre. É previsível que os ruralistas imponham, como condição para apoiar a reforma da previdência, um refinanciamento das dívidas do Funrural em condições de pai para filho. Mas espanta que grande parte da população continue a acreditar num modelo que pouco a beneficia, e que não tem entregado crescimento há quatro décadas. A melhoria do bem-estar do brasileiro exigirá uma reforma radical do Estado. Mas o brasileiro, em grande medida, ainda não se deu conta disso e continua preso ao passado”.

[Os professores da EPGE-FGV reconhecem que O Brasileiro ama O Estado, assim como eles amam O Mercado… e ficam revoltados por isso! Querem que O Brasileiro ame O Mercado que nada lhe deu, pelo contrário, lhe corta o pouco que O Estado lhe deu?! Ora, ora, vá estudar o mundo real — e pesquisar o capitalismo de compadrio realmente existente…]

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