Ascensão e Queda da Economia Brasileira: Anti-milagre Econômico por Fernando Rugitsky

Uma das melhores apresentações de Quadros Estatísticos no XXII Encontro de Economia Política, realizado no IE-UNICAMP, foi realizada por Fernando Rugitsky, professor da FEA-USP, ao resumir seu trabalho: THE RISE AND FALL OF THE BRAZILIAN ECONOMY: ECONOMIC ANTIMIRACLE.

Vários países sul-americanos estão enfrentando crises econômicas e turbulência política, depois de ter passado por uma década de taxas de crescimento econômico relativamente altas e ter caído a desigualdade de renda. Os chamados governos progressistas que chegaram ao poder na virada do Século XXI – às vezes identificados como parte de uma maré rosa – já foram substituídos pela direita adversária na Argentina e no Brasil e estão enfrentando desafios crescentes em países como o Equador e Venezuela. Os Produtos Internos Brutos (PIB) da Argentina, Brasil e Venezuela diminuíram em termos nominais pelo menos em alguns dos últimos anos. Existe uma sensação inconfundível de fim de ciclo virtuoso ocorrido durante todo o período.

O período de 2004 a 2011 caracterizou-se, em países da América do Sul, por uma invulgar (pelo menos localmente) trajetória em que o crescimento econômico acelerou e a desigualdade foi reduzida. Apesar do ciclo ter sido virtuoso, essa dinâmica se mostrou breve face aos problemas estruturais.

O impacto da reversão dos preços das commodities sobre o crescimento tem sido desigual entre os países, mas a taxa média de crescimento para os seis países selecionados durante o período entre 2012 e 2015 é inferior ao obtido na década de 1990 (Tabela 1). E as perspectivas de redução da desigualdade são igualmente sombrias, em meio ao aumento do desemprego. Por isso, é importante avaliar esta trajetória recente, examinando seus determinantes e limites, para que suas lições possam ser aprendidas.

O trabalho de Fernando Rugitsky, professor da FEA-USP, apresentado no XXII Encontro de Economia Política realizado no IE-UNICAMP, centra-se exclusivamente na dinâmica macroeconômica, especialmente na interação entre crescimento econômico, distribuição de renda e estrutura produtiva. O autor está consciente de que pode fornecer apenas hipóteses preliminares que devem ser analisadas no contexto de uma maior avaliação multidisciplinar. Também restringe a sua competência ao caso do Brasil. Tem como objetivo analisar os determinantes da aceleração do crescimento e da queda da desigualdade, para examinar a potencial interação dessas duas dinâmicas no caso brasileiro.

Enquanto a comparação de trajetórias dos países latino-americanos pode ser muito útil para identificar os determinantes externos e domésticos das experiências recentes, através de um exame do que é comum à maioria deles e quais são as particularidades, o trabalho apresentado por Fernando Rugitsky investiga apenas um país, deixando tais comparações para trabalho futuro.

Sua contribuição específica é sugerir uma maneira de cobrir o fosso entre a crescente literatura sobre a trajetória recente da economia brasileira, que é, até agora, principalmente descritiva, e a literatura que tenta aplicar a abordagem de crescimento e distribuição de Kalecki ao Brasil. Mas esta se concentra principalmente em implicações de políticas econômicas, em vez de interpretação de episódios de crescimento.

O exame de como os dados reais se encaixam nas previsões teóricas dos modelos podem ser prosseguidas, por exemplo, calibrando os parâmetros de alguma versão do Quadro 3 apresentado acima, simulando os choques na desigualdade salarial, agregado familiar e empréstimos, investimentos públicos e termos de troca.

Além disso, enquanto os impactos dessas variáveis ​​na demanda agregada e na distribuição de renda foram investigadas empiricamente, a interação entre desigualdade, composição da demanda, estrutura produtiva e estrutura do trabalho merece muito mais investigação. O autor espera que suas hipóteses, apresentadas no XXII Encontro da SEP, ajudem, de alguma forma, a formular tais perguntas para pesquisas futuras.

Uma pergunta final refere-se às lições sugeridas pela interpretação realizada sobre a recente trajetória brasileira. Elas indicam que não existe uma maneira simples de combinar alto crescimento e queda da desigualdade. Os limites da recente e breve tentativa de fazê-lo apontam para dificuldades inerentes, bem como para a necessidade de recorrer a respostas mais estruturais para enfrentar uma alta desigualdade, como a de tornar o sistema tributário mais progressivo.

Manter altos níveis de investimento público em infraestrutura física e social, que seja compatível com a preservação do meio ambiente, também pode revelar-se um meio eficaz de aumentar a produtividade e a competitividade para atenuar os conflitos distributivos. A principal lição pode ser, no entanto, que qualquer estratégia política tem que levar em consideração seus impactos potencialmente cumulativos sobre a estrutura produtiva se pretende sustentar o crescimento nos países periféricos que tendem a ser sujeitos a restrições externas.

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