Distratos e Deflação de Preços dos Imóveis

A política habitacional da Era Social-Desenvolvimentista (2003-2014) teve o melhor desempenho em toda a história brasileira. Foi a maior política de distribuição de riqueza familiar que já houve no País. Com o golpe parlamentarista no presidencialismo, “acabou-se o que era doce”

Editorial do Valor (07/06/17) informa que, em 2015, a construção civil despencou 6,5%, enquanto o PIB recuou 3,8%; em 2016, a queda foi de 5,2% para 3,6% da economia como um todo.

O 89o Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic) apresentou alguns números a respeito do impacto da Grande Depressão do Golpe sobre ela. Os lançamentos das 20 maiores incorporadoras somaram 69,8 mil unidades em 2016, 7% a menos do que os 75 mil de 2014. O estoque de imóveis encalhados chega a 95 mil unidades, o equivalente a 17 meses de venda. Um dos segmentos que mais emprega mão de obra, inclusive de baixa qualificação, a construção civil perdeu 1 milhão de postos de trabalho, encolhendo de 3,2 milhões em abril de 2014 para 2,2 milhões no mesmo mês deste ano.

Dos imóveis vendidos no ano passado, 42,8% foram objeto de distrato, isto é, 44,2 mil foram devolvidos, somando valor total pouco superior a R$ 1 bilhão, geralmente por compradores que não conseguiram o financiamento pretendido ou perderam o emprego. As incorporadoras queixam-se que entram na reivindicação também investidores, que concluíram que fizeram uma especulação ruim de contínua elevação dos preços dos imóveis e conseguem na Justiça receber o dinheiro gasto de volta, à vista e com correção.

Como no resto da economia, a perspectiva é, neste ano, esperar apenas o aumento de 0,5% do PIB da construção civil, a economia bateu no “fundo-do-poço” e qualquer alteração na sazonalidade, comparada com a do ano anterior, melhora

Os primeiros números disponíveis, porém, não permitem muita animação, e a nova onda de turbulência política é mais um motivo de preocupação. A paralisia do governo golpista, buscando se sustentar a duras penas, é gritante!

No primeiro trimestre deste ano, enquanto a atividade econômica mostrou a primeira recuperação em oito trimestres, com aumento de 1% do PIB, a construção civil desabou mais 6,3%. Outros dados negativos são a queda de 10,1% das vendas de cimento e de 14,4% nas unidades financiadas com recursos da caderneta de poupança, de janeiro a abril de 2017. Reflexo de tudo isso é a continuidade do derretimento dos preços dos imóveis, que registraram em maio do ano corrente o maior recuo da série histórica do índice FipeZap.

O saldo da carteira de crédito imobiliário lastreada em recursos dos depósitos de poupança e do FGTS montava a R$ 545,1 bilhões, em abril de 2017, com crescimento de 0,5% em relação a março e de 7% em 12 meses. Já as concessões somaram R$ 6,303 bilhões no mês, com recuo de 8,7% em relação a março.

O setor financeiro pouco viu motivo para se animar com a decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) de acabar com a exigibilidade adicional de 5,5% do compulsório da caderneta de poupança. A medida deve liberar R$ 13 bilhões em recursos e estima-se que cerca de R$ 6 bilhões serão direcionados ao crédito imobiliário.

Fomenta-se expectativa artificial também com as Letras Imobiliárias Garantidas (LIGs), novo título de captação bancária, que está em fase de regulamentação e tem potencial de alavancar em R$ 357 bilhões o crédito imobiliário, estima a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Projeção da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) sinaliza aumento de 6% nos empréstimos imobiliários neste ano, apesar da deterioração do cenário político e das incertezas do impacto na economia. Torce e distorce

Leia maisTDIE 284 – Riqueza Imobiliária

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