BNDES Direto

Fonte: Apresentação de Ernani T. Torres Fo. no Seminário da AFBNDES – março 2017

A ideia desenvolvimentista é o BNDES se tornar o market-maker do mercado de debêntures incentivadas, organizando e dando liquidez para geração de funding a novos fluxos de financiamento aos investidores na infraestrutura brasileira. A ideia neoliberal é securitizar os saldos de riqueza imobilizados na carteira do BNDES, transferindo “velhos” ativos estocados para os rentistas carregarem.

Camilla Veras Mota, Daniela Fernandes e Francisco Góes (Valor, 09/06/17) informam que o novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, afirmou que quer, “em pouco tempo” — os golpistas em fim-de-usurpação do governo têm pressa –, passar a vender títulos em modelo semelhante ao do Tesouro Direto. “Haveremos de introduzir, quem sabe nas próximas semanas, um ‘BNDES Direto‘, assim como temos um ‘Tesouro Direto’. Nós temos que ter esse ‘BNDES direto’ estabelecido e implantado rapidamente”, disse em evento sobre Parcerias Público-Privadas (PPP) e concessões.

Rabello de Castro afirmou que a operação funcionaria nos moldes do Tesouro Direto, com títulos de ativos que fazem parte da carteira do BNDES. A data de lançamento, diz ele, ainda não foi fechada. “Mas é em pouco tempo, porque essa plataforma está também em estágio avançado. Acho que vai ser muito interessante, porque tem todo um outro feixe de títulos que talvez animasse o público a ter na carteira”.

Em sua fala, Rabello apresentou suas cinco crenças neoliberais para o BNDES:

  1. o desenvolvimento do mercado de capitais,
  2. a “repactuação do pacto federativo”,
  3. o estabelecimento de um compromisso de governança com os gestores públicos que têm relação com o banco,
  4. o desenvolvimento da infraestrutura,
  5. a pulverização e a interiorização do crédito.

O novo presidente evitou falar sobre a situação da JBS, empresa na qual o BNDESPar tem participação societária relevante. Quando perguntado sobre as notícias recentes de que o grupo estaria tendo dificuldade para ter acesso a crédito, disse em tom irônico típico dele: “Que empresa é essa?”. Em outras palavras, a retaliação de Temer contra a JBS atenta contra o patrimônio público!

Dada a reação de seu corpo técnico e da opinião especializada, o BNDES decidiu não fazer novo pré-pagamento ao Tesouro, como ocorreu no ano passado, quando R$ 100 bilhões foram devolvidos ao Tesouro. De 2009 a 2014, a soma dos desembolsos (em preços constantes) atingiu R$ 1.127 bilhões, ou seja, a média anual de R$ 187,8 bilhões. Com a volta da Velha Matriz Neoliberal, em 2015, o desembolso caiu para R$ 135,9 bilhões e, em 2016, R$ 88,3 bilhões: cem bilhões de reais a menos, em relação àquela média, que a Maria Sílvia Bastos Marques antecipou ao Tesouro Nacional para gáudio dos que a nomearam e infelicidade dos idolatras do pato-amarelo da FIESP!

Segundo as desculpas de Henrique Meirelles ao empresariado que o banca, quando foi combinada a devolução antecipada de R$ 100 bilhões, no ano passado, pelo BNDES ao Tesouro, “isso foi resultado de uma previsão de fluxo de caixa onde se estimava não só a existência daquele recurso do momento, mas os recursos que se acumulariam mais ou menos até essa época, atingindo um pico onde está hoje, de pouco acima de R$ 150 bilhões”.

“Acho que no momento de retomada não é o momento de retirada de recursos do banco de desenvolvimento que financia investimento de longo prazo”, ressaltou Meirelles. “A presença do BNDES é fundamental e, para isso, o banco tem de ter recurso disponível para o processo de retomada“, respondendo à pressão empresarial para a Maria Sílvia vazar.

Os empregados do BNDES avaliaram como “positiva” uma primeira reunião de trabalho que mantiveram esta semana com o novo presidente da instituição, segundo relato do encontro publicado pela AFBNDES, a associação dos funcionários do banco. Os funcionários expuseram a Rabello a preocupação com a “criminalização” das atividades técnicas e desenvolvimentistas do BNDES pelos órgãos policiais.

Segundo a associação, Rabello mostrou-se “sensível” ao tema — ele não se mete à besta — e se comprometeu a atuar para prestar todos os esclarecimentos necessários à sociedade. No encontro com Rabello, os dirigentes da AFBNDES também:

  1. manifestaram preocupação com a falta de respostas do BNDES para o enfrentamento da crise econômica no país e
  2. criticaram a ausência de planejamento e o que consideram “inversão” de prioridades.

Os golpistas passam, mas os funcionários continuam em defesa da Instituição Financeira Pública e Desenvolvimentista!

PS:

Veja abaixo como o mercado de capitais brasileiro é diminuto e sem condições de substituir o papel de financiamento do BNDES.

Quanto às emissões de debêntures, principal instrumento de captação de recursos das empresas no mercado local de renda fixa, dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram que o volume de títulos efetivamente distribuídos a investidores em janeiro e fevereiro — o dado exclui papéis que acabam nas carteiras dos bancos — cresceu 372% em relação ao registrado no mesmo período do ano passado, dada a baixa base de comparação.

Dos R$ 5,3 bilhões em debêntures emitidas no primeiro bimestre, R$ 2,62 bilhões foram distribuídas para investidores, enquanto no mesmo período de 2016 apenas R$ 555 milhões, ou pouco mais de 10%, foram de fato a mercado. O levantamento considera operações de renda fixa com prazo acima de um ano, a fim de excluir da base a parcela de notas promissórias, instrumento de captação de curto prazo.

A retomada é puxada pelo menor aversão do investidor institucional ao risco, em busca de maior retorno para compensar a queda da taxa Selic. Quem tem comprado os ativos é basicamente o gestor de crédito, que reage de maneira mais rápida do que fundos de pensão e seguradoras.

Esse movimento deve contribuir ainda para que as debêntures tradicionais voltem a liderar as captações de renda fixa, reduzindo a participação dos títulos com isenção fiscal para a pessoa física, como certificados de recebíveis imobiliários (CRI) e do agronegócio (CRA) – os grandes destaques do ano passado. Estimativas dos bancos que estruturam as operações apontam para um crescimento de cerca de 50% nas emissões de debêntures neste ano, podendo chegar a R$ 30 bilhões. Em 2016, dos R$ 56 bilhões registrados, só R$ 19,3 bilhões foram a mercado.

Com a volta do principal instrumento de captação, a participação dos títulos incentivados deve cair de cerca de 60% do volume total distribuído ao mercado em 2016 para algo entre 40% e 50% neste ano.

Os bancos torcem para que os investidores tenham menos aversão por crédito privado, inclusive aceitando papéis mais longos. Isso depende da queda significativa da Selic. Grande parte das operações que foram preparadas no início do ano ainda não estão na conta. O que tem sido visto são operações com volume expressivo de demanda e forte redução de taxa.

Devido à grande liquidez no sistema financeiro — as operações compromissadas contabilizam mais de R$ 1,1 trilhão –, os bancos passaram a oferecer taxas mais baixas para captar recursos via Letra Financeira, levando o investidor institucional migrar para títulos corporativos.

Os fundos de pensão devem ser os últimos a voltar a comprar os título de crédito privado, mas também devem contribuir com demanda adicional. Boa parte deles já está “maduro”, com mais pagamento de benefícios do que aportes novos.

Apesar da perda de participação diante da retomada das debêntures, a expectativa para os títulos isentos segue positiva. O destaque continua sendo os CRAs, que já totalizam R$ 1,3 bilhão em emissões nos meses de janeiro, fevereiro e março, um crescimento de 16,9%. A estimativa dos bancos é que as emissões de CRA alcançam volume similar ao registado em 2016, de R$ 12,9 bilhões.

Nos primeiros três meses, o instrumento CRA já ultrapassou similares como CRI, com volume de R$ 359 milhões, e os Fundos de Recebíveis ou Direitos Creditórios (FIDC), com R$ 1,17 bilhão. O mercado está mais organizado nas operações de CRAs neste ano e que elas não estão sendo lançadas ao mesmo tempo, o que ajuda. As instituições entenderam que quando sai muita operação na mesma semana, uma atrapalha a outra. A alta concentração em dezembro de 2016 prejudicou algumas emissões.

Também incentivadas, as debêntures de infraestrutura, regidas pela Lei 12.431, mostram reação. O instrumento cresceu 153% no primeiro trimestre, saindo de um volume de R$ 250 milhões no ano passado para R$ 633 milhões. Também há crescimento em número de operações: enquanto nos três meses iniciais de 2016 apenas uma operação foi lançada, neste ano até agora foram registradas seis. Esse mercado está aberto, é mais uma questão de ter projetos de infraestrutura do que interesse por parte do investidor.

Viu? O Brasil tem uma economia de endividamento público e não uma economia de mercado de capitais como tem os EUA, mas o PhDeuses não entendem isso

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