Viúvos da Maria Sílvia

O presidente da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP/CIESP), Paulo Skaf, recebeu Maria Silvia Bastos Marques, presidente do BNDES.

Os oportunistas neoliberais propagam seu credo, pregando que “tamanha corrupção só foi possível graças à pilhagem dos recursos de companhias estatais, bancos públicos e seus fundos de pensão”. Esses sábios-pregadores se esquecem dos corruptores do setor privado, pois sempre estão a louvar as virtude de O Mercado 3 Os (Onisciente, Onipotente e Onipresente)! B3? Não, 3O… 🙂

A reforma político-partidária é uma necessidade consensual para pessoas de bom-senso, porém não para os beneficiários dessa “ordem espontânea”, seja econômica, seja política. De que reforma estão, afinal, falando: uma individualista que propõe auto financiamento dos milionários, das igrejas, dos midiáticos, das “celebridades”, do crime organizado? Candidatos sem partidos?! Continuaremos no pior dos mundos!

Personalidade governando sem sustentação no Congresso Nacional, já vimos esse filme…

Outra ideia oportunista (e equivocada) de neoliberais é que “para que o combate à corrupção possa ser bem-sucedido é também imprescindível redimensionar a intervenção estatal na economia“. Contrapõem ao Capitalismo de Compadrio, emergido da promiscuidade entre o público e o privado, o Capitalismo de Livre-Mercado, idealização do século XVIII para o que deveria ser em vez da realidade de o que é. Economistas formados na cartilha ortodoxa não têm consciência democrática e republicana das conquistas de direitos civis, políticos, sociais e econômicos após 1789!

As interações entre direitos e deveres da cidadania propiciarão a emergência de um novo modo de vida democrático e republicano. A transição a ser completada, até mais ou menos 2050, se caracteriza como um Capitalismo de Estado Republicano. A continuidade das lutas por conquistas sociais talvez o transforme, em algum dia, em um novo modo de vida. Socialista? Talvez, quem sabe?

Daí vem a visão reducionista e fiscalista dos neoliberais. Por que? Para garantir a solvência do Estado, i.é, sua capacidade de pagamentos de juros disparatados para eles que colocam, antes-e-acima de tudo, como prioritária sua renda do capital financeiro — e não a do trabalho. E se isso significar desemprego e perda de renda do trabalho? É problema de “os outros” — e não deles

Daí, depois de execrar o sistema político-partidário brasileiro — exceto o partideco tucano, é claro –, contraditoriamente, os fiscalistas vêm com a demagogia populista de direita: “parte fundamental de tal redimensionamento deverá exigir um processo orçamentário transparente, no qual se possa realmente estabelecer prioridades nas despesas públicas condizentes com o teto orçamentário”. 🙂

Aproveitaram, de maneira oportunista, da transição golpista para implementar uma — como apreciam dizer — “jabuticaba”: colocar face às distintas conjunturas futuras um artigo constitucional contra o gasto público como a saída possível frente a uma depressão! É uma “burrice cavalar” de que a própria realidade imporá sua revogação futura!

“O teto de gastos, a ser complementado pela reforma da previdência [leia-se, corte de direitos sociais e mais longa exploração dos trabalhadores], constitui a viga mestra do reordenamento fiscal ora em curso, sem o qual a dívida pública explodirá”. Ora, eles se apresentam como carregadores dela, em conjunto com o louvado “companheiros de O Mercado 3O”.

Entretanto, não se contentam com apenas esse equívoco, pois “há várias outras iniciativas complementares que não podem ser deixadas de lado, sob pena de tornar ainda mais remota a retomada do crescimento”.

Daí, deitam falação em defesa de outro entulho neoliberal a ser revogado em futuro governo democrático. “Uma dessas iniciativas é a mudança da taxa de empréstimos usada pelo BNDES. A TJLP (taxa de juros de longo prazo) seria substituída pela TLP (taxa de longo prazo), como determinado pela Medida Provisória 7771 [?!], atualmente em tramitação no Congresso Nacional. Basicamente, o objetivo é que o BNDES passe a balizar o custo de seus empréstimos por uma taxa que reflita o custo de financiamento do governo federal. Assim, a TLP refletirá a taxa da NTN-B (título do Tesouro Nacional indexado à inflação) de cinco anos, que é a maturidade média dos empréstimos do BNDES”.

Em tese, de acordo com gente habitante de um mundo supostamente cartesiano, isso propiciará o equilíbrio, no caso, fiscal. Equilíbrio é pregado pela EconoFísica do século XVII-XVIII, i.é, o raciocínio mecanicista newtoniano, aquele cujo cérebro foi definitivamente afetado pela queda da maçã em sua cabeça… e não evoluiu ainda, seja para a adequação ambiental darwinista, seja para a relatividade einsteiniana.

“Há vários benefícios da mudança da TJLP para a TLP. O principal é reduzir o enorme ônus fiscal do subsídio implícito nos empréstimos do BNDES. Além disso, do ponto de vista do reordenamento fiscal, a TLP, por refletir preços de mercado, é de grande valia. Atualmente, o subsídio implícito no reduzido valor da TJLP não é devidamente computado como tal nas contas públicas”.

O “economista-equilibrista”, tal como um contador, só registra o balanço do presente. O “economista-vidente” analisa a dinâmica futura, prevendo o retorno dos empréstimos do BNDES sob o crescimento dos empregos, da renda (e consequente arrecadação fiscal), da capacidade produtiva (oferta agregada expandida que atenderá maior demanda agregada), de impostos e dividendos pagos pelo BNDES ao Tesouro Nacional, e a amortização em seu vencimento.

“A introdução da TLP, uma taxa de mercado, forçará que eventuais subsídios direcionados sejam contabilizados como despesa primária, aperfeiçoando o processo orçamentário. Em vez de gastos sem maior consequência fiscal, como hoje parecem ser, empréstimos subsidiados de bancos públicos passarão a ter mais transparência, deixando claro aos eleitores que os recursos poderiam ter uso alternativo se canalizados para outras despesas primárias, como escolas, hospitais ou Bolsa Família. Existisse tal transparência, é improvável que o direcionamento de bilhões de dólares à JBS pudesse ter sido realizado tão facilmente”.

Que mente simplória! Que demagogia populista (de direita)! Mais uma manifestação dos acadêmicos puristas que defendem, teoricamente, o idealizado capitalismo de livre-mercado, mas que estão, pragmaticamente, a serviço do capitalismo de compadrio que dizem abominar.

Acreditam, piamente, que o fato de “a taxa dos empréstimos do BNDES passar a reagir à política monetária fará com que esta se torne mais potente”. Argumentam que os companheiros neoliberais, representantes do 3O, monopolizadores das diretorias do Banco Central do Brasil, “não precisariam elevar tanto a taxa Selic para manter a inflação sob controle”! Pasmem…

Uma Grande Depressão súbita, com milhares de desempregados, é sempre pregada como a melhor receita — indolor para eles — para evitar a eutanásia dos rentistas. Combate a inflação que corrói os rendimentos dos títulos prefixados em elevadíssimo nível de juros…

Só risos por acreditarem que o futuro também está predeterminado. “A introdução da TLP se dará de maneira bem gradual, ao longo de cinco anos. Quando começar a existir, em janeiro de 2018, a TLP será igual à TJLP, provavelmente 7%, seu valor atual. Só em 2023 vigorará plenamente a nova TLP. Durante a longa transição, caso avancem as reformas estruturais, a taxa real de juros deve cair, o que exercerá o efeito de reduzir a TLP. Ou seja, não é improvável que a TLP, em 2023, esteja pouco acima do valor atual”.

Boa fé?! Ingenuidade?! Ou autoritarismo mental de achar que conseguirá impor aos eleitores a impossibilidade de escolher outro rumo com um programa de governo democrático?

Mas, os neoliberais se perguntam: “o que ocorreria em cenários especialmente adversos, como as crises que volta e meia acometem nossa economia? O que se alega é que nesses casos, a TLP tenderia também a se elevar durante as crises, o que poderia desestimular o investimento. Cabe lembrar que a metodologia atual da TJLP também preconiza que tal taxa deva se elevar quando cresce o risco país, mas tal regra não vem sendo obedecida nos últimos anos”.

Regras, regras, quem se lembra delas, quando a realidade impõe as exceções sensatas em outros contextos ou conjunturas? A mente mecanicista quer crer que é onisciente para saber o que é melhor para nós, pobres mortais, e onipotente para determinar o nosso futuro!

“Há que se notar, contudo, que o comportamento de elevação dos juros durante crises é particular de economias de alto risco. Economias “normais” [leia-se: as das cartilhas onde o escrevinhador estudou para virar PhDeus] têm queda de juros durante crises, o que funciona como fator mitigador da recessão [esquece-se que a economia brasileira nem é norte-americana e nem europeia]. Na grande crise financeira internacional, em 2008, o BC, pela primeira vez, teve condições de reduzir a taxa Selic para combater a crise. No entanto, o descalabro fiscal instaurado, na esteira da crise, pela canhestra Nova Matriz Econômica, aliado a uma política monetária equivocada, a partir de 2011, impediu que os juros pudessem voltar a cair durante a recessão iniciada em 2014.

Viu só? O louvador do tripé macroeconômico, aquele que não teve nenhum sucesso quando implantado no fim-de-governo do efe-agá-cê, o acha eterno! A canhestra Nova Matriz Econômica é o espantalho contraposto à Velha Matriz Neoliberal. Lutar contra fantasmas é mais fácil

Veja a exibição explícita e sem pudor de puxa-saquismo de seus colegas: “só com a entrada da nova equipe econômica a Selic pôde, afinal, ser reduzida, sem ameaçar a inflação [e o custo do desemprego, nada?!]. Com a superação da atual crise política e o prosseguimento das reformas, espera-se que recuperemos plenamente a capacidade de fazer política monetária anticíclica. Nesse cenário de continuidade das mudanças estruturais da economia brasileira, a TLP deixaria de aumentar durante as crises, como no passado”.

O “especialista da PUC-Rio” demonstra desconhecer a MtM, i.é, a marcação-a-mercado dos empréstimos prefixados (NTN-B+5 será referência para TLP), que ocorrerá quando seus colegas no BCB se assustarem, subitamente, e elevarem a taxa de juros. O BCB controlará o BNDES?! Neoliberais controlarão social-desenvolvimentistas?!

No final, o neoliberal apresenta nas linhas o que estava entrelinhas, sua tucanice: “o BNDES constitui importante instrumento promotor do desenvolvimento econômico. Nos governos do PT, afastou-se da sua missão e passou a distribuir recursos subsidiados em volumes incompatíveis com o equilíbrio fiscal, sobretudo a grandes empresas, sem que isso impulsionasse o investimento produtivo e o crescimento econômico [e o nível de emprego e salários reais elevados até 2014, nenhuma palavrinha a respeito?]. Sabemos agora que parte dos recursos também alimentou a corrupção [e os corruptores, nada?]. Na esteira desse enorme dano, a reconstrução do BNDES está em curso e a TLP é peça importante dessa obra”.

[Citações de artigo publicado por Márcio Garcia no Valor, em 24 de maio de 2017, dois dias antes da demissão da Maria Sílvia Bastos Marques da presidência do BNDES.]

A ladainha tucano-neoliberal se repete, incessantemente, na “grande mídia” brasileira, mas apenas consegue converter os já convertidos: aqueles semi-alfabetizados que fazem comentários idiotas e direitistas em OG, OESP, FSP, VE, etc. etc. Os trabalhadores desempregados por suas apregoadas políticas votarão sempre contra eles.

 

PS: abaixo pesquisa sobre B3, aliás, 3B, para escolher a marca acima (em gif) para o 3O — O Mercado Onisciente, Onipotente e Onipresente!

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