Desempenho e Ranking dos Bancos

Silvia Rosa (Valor, 25/04/17) informa que, com US$ 438 bilhões em ativos, o Itaú Unibanco ultrapassou o Banco de Brasil e assumiu a primeira posição no ranking dos 50 maiores bancos da América Latina, por ativos, ao fim de 2016, segundo levantamento da S&P Global Market Intelligence.

Um dos motivos da ascensão foi a fusão da unidade do Itaú no Chile com o CorpBanca, no segundo trimestre do ano passado, o que fortaleceu a sua carteira total de crédito. Além disso, as posições de ambos os bancos foram garantidas por uma forte recuperação do real, que subiu 21,7% ante o dólar em 2016.

Em moeda local, o crescimento total de ativos do Itaú e do Banco do Brasil no fim do exercício de 2016 foi de 4,9% e 0,02%, respectivamente. Mas quando convertidos em dólar, pela taxa do fim do período, o crescimento de ativos apresentado é de 27,6% e 21,7%.

O real mais forte ajudou também outros bancos a figurar no ranking dos 50 maiores da América Latina, colocando 12 instituições brasileiras na lista, incluindo os cinco primeiros lugares. No período anterior, dez bancos brasileiros haviam entrado no ranking.

Entre os cinco maiores bancos de 2016 aparecem ainda Caixa , no terceiro lugar, seguida por Bradesco e Santander Brasil, que permaneceram estáveis no ranking. O banco Safra subiu da 18a para a 15a posição, enquanto o BTG Pactual ficou em 18o lugar.

Entre os movimentos mais acentuados, está o do Banco Cooperativo Sicredi, que saltou dez posições no ranking, para o 27o lugar, ao registrar um crescimento de ativos de US$ 13,26 bilhões para US$ 20,24 bilhões.

No total, os 12 bancos brasileiros que aparecem na lista detinham mais de US$ 2 trilhões de ativos no fim de 2016, mais do que os bancos de outros 13 países da América Latina e Caribe juntos.

  

O jornal Valor (11/04/17) corrigiu a informação acima sobre o saldo das operações renegociadas. O Banco Central esclareceu que os dados de renegociação de dívida incluem o saldo das operações de reestruturação, realizadas quando os bancos abrem mão de parte do principal do financiamento e não só dos juros. Desta forma, o saldo correto de operações que foram renegociadas e reestruturadas é de R$ 341 bilhões no fim de 2016, e não de R$ 416 bilhões. Do total de financiamentos concedidos a pessoas físicas, 12,1% passaram por esse processo. Na carteira de empresas, o índice é de 9,7% do saldo de crédito no fim do ano passado.

Na edição mais recente do Relatório de Estabilidade Financeira, o BC divulgou de forma separada dois dados sobre os processos de renegociação de dívida pelos bancos:

  1. as operações tradicionais, que ocorrem em condições normais de mercado, e
  2. as operações reestruturadas, quando o banco abre mão de parte do principal da dívida em razão da dificuldade de pagamento do tomador do crédito.

Segundo os dados do BC, as operações de renegociação encerraram dezembro com um saldo de R$ 341 bilhões, enquanto que as reestruturações de dívida alcançaram R$ 76 bilhões no fim do ano passado. O BC esclareceu que, embora tenham sido apresentados de forma separada, os dados de renegociações já incluem as operações reestruturadas.

O volume de renegociações no sistema financeiro é recorde e representa 11% do saldo total de crédito no país, que encerrou o ano passado em R$ 3,1 trilhões. Nas linhas para pessoas físicas, de cada R$ 100 em créditos, aproximadamente R$ 12 passaram por algum tipo de refinanciamento, de acordo com o BC. Na carteira de empresas, os refinanciamentos representam 9,7% do total.

No total, a carteira de créditos renegociados dos quatro maiores bancos de capital aberto — Itaú Unibanco, BB, Bradesco e Santander — aumentou 21% no ano passado, para pouco mais de R$ 80 bilhões, de acordo com informações dos balanços.

Quanto a 2017, depois de quatro trimestres consecutivos de queda, o resultado dos grandes bancos brasileiros começa a reagir. O lucro combinado de Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco e Santander atingiria R$ 14,9 bilhões nos primeiros três meses deste ano, alta de 21% em relação ao mesmo período de 2016, de acordo com a projeção média de analistas.

A recuperação tem relação com a melhora, ainda que tímida, dos indicadores da economia, mas também com a base de comparação. Os três primeiros meses do ano passado foram o “fundo do poço” para os bancos, que precisaram digerir perdas bilionárias com o calote da fornecedora de sondas do pré-sal Sete Brasil.

A expectativa é que os resultados também sinalizem o fim do ciclo de alta da inadimplência, que não para de crescer desde 2015. Não se esperava uma recuperação na carteira de crédito, em razão tanto da demanda fraca como da avaliação de risco cautelosa dos bancos.

Apesar das condições ainda desfavoráveis, os balanços já devem mostrar alguns sinais positivos. O HSBC prevê um ligeiro crescimento dos empréstimos de 2% para o Santander ante o trimestre anterior, impulsionado pela retomada do consumo e do financiamento das pequenas e médias empresas, e de 1% para Bradesco e Itaú, neste último sendo liderado pela expansão em segmento de baixo risco, como a carteira imobiliária e de consignado. O único que ainda deve não mostrar uma expansão da carteira de crédito é o Banco do Brasil.

Porém, a maior recuperação nos resultados do primeiro trimestre deve vir do Banco do Brasil. O lucro da instituição deve dobrar em relação ao primeiro trimestre do ano passado, para R$ 2,6 bilhões, de acordo com a média das estimativas. Apesar da melhora, em termos anualizados o lucro do BB continuará abaixo da expectativa para 2017 como um todo, segundo os analistas do Itaú BBA.

O BB deve continuar sendo beneficiado pelo crescimento do resultado de intermediação financeira acima do setor. O banco vem implementando um processo de recomposição dos juros nos empréstimos concedidos dentro do programa Bom Pra Todos, durante o governo Dilma Rousseff, que tinham taxas inferiores às de mercado. Com isso, o banco deve liderar a melhora da taxa de retorno sobre o capital, que deve passar de 8,1% para 11,8%, ainda abaixo da taxa apresentada pelos grandes bancos.

O Itaú é o que está à frente em termos de melhora da qualidade da carteira de crédito segundo os analistas. O banco foi bastante conservador na provisão para perdas no ano passado, apresentando um índice de cobertura de 222% em dezembro, os analistas esperam uma queda de 24% na despesa com provisão do Itaú neste trimestre em relação ao quarto trimestre do ano passado.

Já o Bradesco ainda deve registrar alguma alta na inadimplência, segundo os analistas. O índice de atrasos na carteira do Bradesco deve ter uma alta de 5,5% para 5,6% entre dezembro de 2016 e março deste ano. A qualidade dos ativos deve ficar amplamente sob controle, embora a inadimplência possa aumentar em empréstimos corporativos específicos que já foram provisionados.

Um dos destaques do balanço do Bradesco deve ser as receitas de prestação de serviços, que devem apresentar uma alta de 15,1% em relação aos três primeiros meses do ano passado. Desde o terceiro trimestre, os números do banco incorporam os do HSBC Brasil.

Outro ponto que deve ser acompanhado de perto nos resultados dos bancos é a carteira de crédito de grandes empresas. As instituições registraram perdas bilionárias no ano passado com a baixa (“impairment“) de créditos concedidos na forma de títulos de dívida, como debêntures.

Apesar de não esperarem um aumento significativo do impairment por parte dos bancos nesse primeiro trimestre, os analistas ainda veem o anúncio da recuperação judicial de uma grande empresa – provavelmente a operadora de telefonia Oi – impactar negativamente o índice de inadimplência do Banco do Brasil.

O aumento da provisão para perdas com o anúncio do pedido de recuperação judicial da incorporadora PDG Realty, em fevereiro, deve começar a aparecer no balanço dos bancos neste primeiro trimestre. Embora já viessem fazendo provisão para perdas nesse caso específico, os bancos devem aumentar as despesas para cobrir eventuais perdas em créditos concedidos à incorporadora. A empresa tinha R$ 7,8 bilhões em dívida, sendo pelo menos R$ 3,339 bilhões em créditos bancários, parte deles na forma de debêntures e outros títulos.

O impacto da queda da Selic sobre os bancos também será um foco de atenção nos balanços. Mas os números ainda não devem mostrar os efeitos dos juros menores, já que não houve tempo para que os empréstimos concedidos com as taxas mais altas fossem renovados.

No caso da rentabilidade da Caixa, banco público com 100% das ações pertencentes ao Tesouro Nacional, ela caiu de 10,2% no primeiro trimestre de 2016 para 7,6% entre janeiro e março deste ano. Na comparação com o trimestre anterior, houve alta de 1 ponto percentual.

Com retorno baixo, o banco público tem dificuldades em recompor os índices de capital, que medem a capacidade de uma instituição financeira emprestar em relação a seu patrimônio. O indicador que considera apenas o capital de melhor qualidade (nível 1), encerrou março em 8,94%, pouco acima do mínimo de 7,5% definido para este ano. O dado é acompanhado com atenção porque as exigências para os próximos anos vão aumentar com a entrada em vigor das regras internacionais de Basileia 3.

A Caixa sustenta que vai conseguir se adequar às normas de capital sem recorrer a aportes do Tesouro Nacional. Outro caminho já sinalizado pela instituição é a venda de ativos, com:

  1. a abertura de capital da Caixa Seguridade, que reúne os negócios em seguros, e
  2. a negociação de uma participação na empresa de loterias (Lotex).

O plano de manter a Caixa dentro dos requisitos de capital não considera eventuais recursos obtidos com a venda de ativos. O caminho é fortalecer a estrutura de capital por meio de aumento de receitas e corte de despesas.

As receitas, de fato, vem crescendo. A margem financeira da Caixa somou R$ 12,6 bilhões, alta de 9,3% em relação ao primeiro trimestre do ano de 2016. Ao mesmo tempo em que aumentou os ganhos com crédito, a margem foi beneficiada pela redução na despesa do banco com captações.

Outro destaque veio da linha de prestação de serviços, com um avanço de 13,7% na comparação com os três primeiros meses do ano passado, para R$ 6 bilhões.

As despesas de pessoal totalizaram R$ 5,9 bilhões, alta de 8,1% no trimestre e 17,2% em doze meses. Elas foram impactadas pelos custos com o programa de demissão incentivada, com um efeito de R$ 560,2 milhões. Sem esse impacto, as despesas de pessoal aumentariam 6,1%.

Com as restrições de capital, a Caixa vem desacelerando o crédito, mas ele ainda continua crescendo. A carteira ampliada da instituição somou R$ 715 bilhões no fim de março de 2017, crescimento de 0,8% em relação a dezembro e de 4,5% em 12 meses.

O avanço foi liderado pela expansão em linhas de crédito de menor risco como consignado e habitação, que representam dois terços da carteira de crédito. A carteira de crédito imobiliário somou R$ 412,9 bilhões, alta de 1,7% em três meses e de 6% ante março do ano passado.

O índice de inadimplência na carteira da Caixa encerrou março em 2,83%, estável na comparação com dezembro, mas 0,7 ponto percentual menor do que no mesmo período de 2016. Apesar da redução no índice de atrasos, as despesas de provisão para calotes aumentou de 35,8%, para R$ 5,2 bilhões. A base de comparação, porém, é prejudicada porque no primeiro trimestre do ano passado a Caixa fez uma reversão de provisões no valor de R$ 2 bilhões.

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