Planejamento do Setor Energético no Brasil: O petróleo não é nosso?!

O ciclo de maturação de investimento em petróleo leva dez anos. No bicentenário da independência política do Brasil, em 2022, será o início de sua independência econômica? O superávit no balanço de transações correntes permitirá estabilizar a taxa de câmbio e, com ela, a taxa de inflação? O Fundo Soberano de Riqueza investirá os royalties sobre extração de petróleo em Educação (75%) e Saúde (25%)? Ou haverá mais desnacionalização no extrativismo de petróleo em benefício de capital estrangeiro?

André Ramalho (Valor, 08/06/17) informa sobre a futura transformação da economia brasileira em Economia do Petróleo. Este é o futuro que os estudos recentes da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicam para a próxima década:

  1. uma produção de petróleo menos concentrada nas mãos da Petrobras e cada vez mais direcionada para exportações;
  2. uma recuperação lenta no consumo de combustíveis entre os veículos leves pelos próximos cinco anos e
  3. uma matriz veicular mais limpa, baseada na retomada dos investimentos no setor de etanol.

Responsável pelo planejamento do setor energético no Brasil, compilado no Plano Decenal de Energia (PDE), a EPE está revendo suas premissas econômicas e setoriais. José Mauro Coelho, diretor de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da empresa, diz que o grande desafio da instituição é traçar projeções “mais críveis” e “coladas à realidade”, o que passa por assumir:

  1. uma participação menor da Petrobras nos investimentos em óleo e gás e
  2. um cenário de crescimento mais modesto da demanda interna.

Os estudos mais recentes da EPE indicam que:

  1. a participação da Petrobras na produção nacional de petróleo deve cair, dos atuais 78% para 70% até 2026, e
  2. o Brasil se tornará um “player muito importante” nas exportações.

De acordo com as projeções da estatal, a produção de petróleo do Brasil deve praticamente dobrar em dez anos e atingir entre 4,7 milhões e 5 milhões de barris diários em 2026.

“Mas a demanda não acompanhará o crescimento da oferta e o Brasil passa a ser um player muito importante na exportação, talvez ficando entre os dez maiores exportadores do mundo, com volumes exportados de 1,5 milhão a 2 milhões de barris/dia”, afirma.

A EPE prevê um crescimento de 9,25% na demanda do Ciclo Otto (veículos que operam com motores a gasolina e/ou etanol), mas espera que a retomada do consumo só se dê a partir de 2022. Até lá, estatal projeta um consumo praticamente estável, devido, em parte, ao licenciamento menor de novos veículos flex na frota.

Um dos grandes destaques dos próximos dez anos será:

  1. o aumento da competitividade do etanol e
  2. o protagonismo maior do biocombustível na matriz.

Os estudos da estatal indicam que, na esteira dos compromissos assumidos pelo Brasil no Acordo de Paris (COP 21), a participação do etanol hidratado no consumo pelos veículos flex fuel subirá dos atuais cerca de 30% para 46% em 2026.

A expectativa em torno do maior protagonismo do etanol na matriz reflete as sinalizações dados no âmbito do RenovaBio, programa que está em discussão no Ministério de Minas e Energia, com o objetivo de expandir a produção de biocombustíveis no Brasil. Dentre os principais mecanismos de indução aos investimentos em discussão está a diferenciação tributaria entre o etanol e a gasolina e o estabelecimento de metas de redução de emissões para o setor de transporte.

O cenário de referência, em 2026, verifica uma retomada gradual dos licenciamentos de veículos leves. Haverá, no próximo governo eleito, uma retomada do crescimento, uma redução do endividamento das famílias, uma queda da taxa de desemprego, um país melhor do que está hoje. Os sinais positivos do RenovaBio vão se refletir em novas usinas, que vão efetivamente levar a uma oferta maior e uma demanda maior por etanol.

Com sinalizações positivas, novas usinas comecem a operar a partir de 2021 e 2022. Haverá de uma ou duas usinas por ano. Nada comparável ao boom de investimentos de 2008-2009. Há espaço para novos investimentos, mas o investidor precisa:

  1. aumentar a competitividade,
  2. renovar o canavial,
  3. fazer o trato da lavoura,
  4. usar variedades mais produtivas.

A indústria sucroalcooleira deve se concentrar mais no mercado interno. A previsão da EPE é que as exportações totalizem 2,7 bilhões de litros em 2026, volume 50% superior aos 1,8 bilhão de litros do ano passado, mas ainda muito abaixo dos patamares de 2008, quando os embarques chegaram a atingir mais de 5 bilhões de litros.

A EPE realizou na tarde do dia 31 de Maio de 2017 o workshop “Utility of the Future”. O evento teve como objetivo a discussão dos resultados do estudo homônimo publicado pelo MIT em 2016.

Para fomentar as discussões, o evento contou com a apresentação do Professor do MIT Carlos Battle, que participou da elaboração do estudo. O estudo publicado pelo MIT buscou avaliar, através uma abordagem técnica e isenta, as tecnologias, políticas, e modelos de negócio que estão moldando a evolução e transformação da indústria de eletricidade e seus impactos na regulação, planejamento, mercado e empresas.

Visando somente disseminar informações e suscitar reflexões, as principais conclusões do estudo e discussões no workshop, com foco nas atividades de planejamento da EPE, estão brevemente resumidas em um resumo de 2 paginas disponibilizado neste sítio. A EPE coloca-se à disposição de todos para discussões adicionais.

Sumário Executivo do PDE 2024.pdf (clique para download) Sumário Executivo do PDE 2024

2 thoughts on “Planejamento do Setor Energético no Brasil: O petróleo não é nosso?!

    1. Prezado Acionista,
      “nosso” quem, “cara-pálida”? 🙂

      Há soberania nacional sobre o subsolo do País e em suas fronteira marítimas. Atualmente, apenas não há “soberania nacional” sobre os usurpadores não eleitos, diretamente, no Poder Executivo…
      att.

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