Aberração do Depósito Compulsório no Brasil por Ricardo Bergamini

Recebi solicitação de comentários por parte de minha amiga Ceci Juruá a respeito se estão corretas as afirmações abaixo do Prof. Bergamini. O depósito compulsório tão elevado é para evitar o excesso de liquidez?

Dado o didatismo do post do Prof. Bergamini, eu o reproduzo abaixo, para depois tecer meus comentários.

Premissas básicas com base na média do ano de 2016:

1 – Custo de carregamento da dívida interna da União: 13,00% ao ano (Fonte: Ministério da Fazenda)

2 – Percentual do depósito compulsório total (remunerado e sem remuneração): 78,12% (Fonte Banco Central).

A – Se um banco tivesse a quantia de 100 reais disponíveis para aplicação ele teria duas opções:

A.1 – Comprar títulos do governo federal, nesse caso seria isento do depósito compulsório e receberia no final de um ano 13% de 100 reais, ou seja: 13,00 reais.

A.2 – Emprestar ao público (empresas e famílias), nesse caso o banco teria que recolher ao Banco Central 78,12% dos 100 reais disponíveis, ou seja: 78,12 reais, ficando com apenas 21,88 reais para emprestar.

Para obter o mesmo ganho que teria na aplicação de títulos públicos de 13,00 reais no ano, o banco teria que empresta os 21,88 reais restantes a uma taxa correspondente a 4,57 vezes maior do que a taxa de aplicação nos títulos públicos de 13% ao ano, nesse caso seria a uma taxa de 59,41% ao ano.

Resumo do exemplo hipotético:

I – Aplicação em títulos federais – 100 reais a 13% ao ano daria um rendimento de 13,00 reais em um ano.

II – Aplicação de 21,88 reais a uma taxa de 59,41% ao ano daria um rendimento de 13,00 reais em um ano.

Conclusão:

Em vista do acima demonstrado, se a taxa SELIC no Brasil tivesse sido em 2016 iguais a dos Estados Unidos de 1,00% ao ano, apenas pelo efeito do depósito compulsório, o custo médio dos juros de mercado teria sido de 4,57% ao ano.

Spread Bancário:

É composto das seguintes despesas: administrativa, inadimplência, custo com depósito compulsório sem remuneração, tributos, impostos, taxas e lucro.

O percentual varia em função de cada tipo de operação, bem como de banco para banco.

Nota:

Cabe lembrar que, como na nossa análise não consideramos que alguns depósitos compulsórios são remunerados, é óbvio que há uma pequena divergência entre a taxa apurada no estudo (59,41% ao ano) e a taxa oficial apurada pelo Banco Central para os créditos livres que foi de 52,00% ao ano em 2016.

Ricardo Bergamini

ricardobergamini@ricardobergamini.com.br

http://www.ricardobergamini.com.br

Comentário de Fernando Nogueira da Costa:

É fato que a taxa de juros é elevada no Brasil porque a subcasta dos sábios economistas-financistas crê que, de acordo com sua Onipotência, Onisciência e Onipresença, ela combate a inflação com uma Grande Depressão. Esta prejudica aos ex-empregados, retirando ocupação e renda do trabalho, com a contrapartida de beneficiar aos rentistas, ou seja, atende ao auto interesse dela, elevando a renda do capital financeiro.

excesso de liquidez — mais de R$ 1,1 trilhão em operações compromissadas –, logo, se o BCB não as fizesse ou não a recolhesse, via depósito compulsório, a Selic-mercado cairia muito abaixo da Selic-meta fixada por essa subcasta dos sábios-economistas.

Quanto a acabar com os recolhimentos compulsórios, a questão é que custaria mais caro ao BCB/TN pagar para enxugar liquidez apenas via operações compromissadas.

Custo de oportunidade é um conceito amplamente utilizado na economia para se referir aos “caminhos não seguidos”, ou seja, a todas as oportunidades que foram ignoradas ou sacrificadas. Por exemplo, no chamado “custo de oportunidade de capital”, analisa-se o valor que determinada pessoa ou empresa deixou de faturar por ter optado por outra alternativa de negócio.

Leia mais:

PMF 6 – Gestão da Divida Mobiliária e Operações de Mercado Aberto (PDF – 554 Kb)

PMF 12 – Depósitos Compulsórios (PDF – 568 Kb)

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