Brasil: o maior produtor de petróleo da América Latina

Marsílea Gombata (Valor, 21/06/17) informa que, com a queda de produção de petróleo na Venezuela e no México, o Brasil se tornou o maior produtor de petróleo da América Latina. Desde o ano passado, a produção nacional tem superado a dos principais países exportadores de petróleo da região. Essa tendência deve se reforçar neste ano.

Segundo a edição de 2017 do “BP Statistical Review of World Energy“, lançada recentemente, o Brasil superou a produção da Venezuela e do México em 2016 (veja gráfico acima). Enquanto o Brasil registrou média diária de 2,6 milhões de barris/dia, a Venezuela encerrou o ano em 2,41 milhões, e o México em 2,45 milhões. Em 2015 a produção venezuelana era de 2,64 milhões de barris/dia e ainda superava a do México (2,58 milhões) e do Brasil (2,52 milhões).

Essa troca de posições ocorreu tanto pelo aumento da produção brasileiro quanto principalmente pela queda de produção venezuelana e mexicana. E a tendência é o Brasil continuar liderando o ranking regional neste ano.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o Brasil produziu 2,53 milhões de barris/dia em média em abril. Já a produção da Venezuela caiu para 2,19 milhões de barris/dia, segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), com base em dados do governo. A produção do México ficou em 2,012 milhões de barris/dia, segundo a estatal Petróleo Mexicanos (Pemex).

Os dados sobre a produção na Venezuela são controversos. O Ministério de Petróleo e Mineração não divulga estatísticas oficiais desde 2014. O relatório da Opep cita fontes secundárias que estimam uma produção venezuelana ainda menor, de 1,97 milhão de barris/dia em abril. Já a consultoria Oxford Economics estima que a produção neste ano deve ficar em 2,1 milhões de barris/dia.

A perda da liderança da Venezuela em termos de produção é algo novo. O país sempre foi o principal produtor e exportador de petróleo na América Latina. Apesar de ter as maiores reservas do mundo (estimadas em 300,9 bilhões de barris), o país produz muito abaixo da Arábia Saudita, dona das segundas maiores reservas (266,5 bilhões de barris) e que em 2016 teve produção de 12,3 milhões de barris/dia.

Dentre as razões por trás da queda da produção venezuelana aponta-se a falta de investimentos e a nacionalização de empresas de serviço petroleiro, o que impediu a estatal Petróleo de Venezuela (PDVSA) de manter o nível de produtividade – em 2006, por exemplo, a média foi de 3,3 milhões de barris/dia. Enquanto empresas que operam com a PDVSA têm dificuldades para importar insumos e problemas logísticos, a própria PDVSA tem de decidir entre utilizar os recursos para bens de capital ou para pagar sua dívida externa.

A produção no México vive um problema semelhante de falta de investimentos. A produção mexicana há 12 anos era de 3,5 milhões de barris/ dia, mas o México demorou para abrir o setor petrolífero para investidores estrangeiros e para perceber que a Pemex não podia dar conta da nova produção em águas profundas.

A Pemex depende de um número limitado de campos maduros, como o de Cantarell. A produção da Pemex dependia em mais de 60% desse campo, que está se esgotando. Paralelamente, houve queda dos preços da commodity, limitando os recursos da estatal para explorar, produzir e investir. A produção mexicana deve fechar o ano em 1,94 milhão de barris/dia.

Enquanto a falta de investimentos em exploração no México e na Venezuela explica a queda da produção, no Brasil os grandes projetos seguram e aumentam a produção de petróleo.

Quem investiu em extração de petróleo em águas profundas antes de 2014? Quem? Governos social-desenvolvimentistas de origem trabalhista! Antes da volta da Velha Matriz Neoliberal… Com a maturação dos investimentos, os brasileiros colheram frutos desde que elejam novamente um programa de governo social-desenvolvimentista.

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