Golpe Quebra A Espinha Dorsal da Economia Brasileira!

“Quebramos a espinha dorsal da inflação nos últimos 12 meses”, disse o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, logo após a divulgação do relatório trimestral de inflação — o Banco Central divulgou o Relatório Trimestral de Inflação do segundo trimestre de 2017 (clique para ler o relatório, para ver a apresentação) –, que trouxe a projeção de 3,8% para o IPCA deste ano, abaixo da meta de 4,5%.

O ex-economista-chefe do Itaú-Unibanco se engana redondamente. Ele e seu chefe — o ex-presidente do Bank of Boston –, oportunistas políticos que aceitaram os cargos oferecidos por um governo golpista ilegítimo, quebraram a espinha dorsal da economia brasileira! Sem crescimento da renda e com 14 milhões de desempregados, caiu a demanda agregada de maneira criminosa em termos sociais!

 

 Confira o gráfico acima a respeito do desemprego. E ainda tem economista querendo culpar a Nova Matriz Macroeconômica e salvar a política econômica adotada pelo colega neoliberal, Joaquim Levy, a partir de janeiro de 2015, que o governo ilegítimo atual também segue…

A revisão da estimativa do Banco Central (BC) para o PIB de 2017 mostra um quadro desanimador para a demanda doméstica, excluindo a variação de estoques. No Relatório de Inflação divulgado, o BC manteve a projeção de um crescimento de 0,5%, mas promoveu mudanças nos componentes do indicador. Pelas novas previsões, o conjunto formado pelo consumo das famílias, pelo consumo do governo e pelo investimento deve subtrair 0,2 ponto percentual do crescimento de 0,5% esperado para este ano. No documento de março, esse conjunto teria uma contribuição positiva de 0,6 ponto.

Pelas novas projeções do BC, todo o crescimento pelo lado da demanda neste ano virá da variação de estoques. A estimativa da autoridade monetária implica uma colaboração de 0,7 ponto percentual dos estoques para a expansão da economia neste ano.

O setor externo, por sua vez, deve ter contribuição nula – em março, a expectativa era de que a diferença entre as exportações e as importações retirasse 0,1 ponto do PIB em 2017.

O aumento de quase 20% das exportações nos cinco primeiros meses do ano se deveu quase integralmente à alta dos preços, um movimento puxado pela forte elevação das cotações de commodities, especialmente minério de ferro e petróleo. De janeiro a maio, os preços das mercadorias vendidas pelo país subiram 19,7% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto os volumes exportados cresceram apenas 0,1%, de acordo com a Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex).

Até maio de 2017, as vendas externas alcançam US$ 87,9 bilhões, levando o saldo comercial nos cinco primeiros meses do ano para US$ 29 bilhões. Com esse bom desempenho das exportações, analistas passaram a projetar saldo comercial na casa de US$ 60 bilhões para o ano, bem acima dos US$ 47,7 bilhões de 2016, revisões também influenciadas pela alta apenas moderada das importações.

As novas projeções do BC para a composição do PIB evidenciam o tamanho do problema na economia: política monetária é assimétrica, causa Grande Depressão, mas não provoca Grande Expansão! Mesmo depois de o PIB ter caído 3,8% em 2015 e 3,6% em 2016, a demanda continua a mostrar muita fraqueza.

Para o consumo das famílias, o Relatório de Inflação reduziu a previsão de um crescimento de 0,5% para variação zero em 2017. “A piora está associada, principalmente, ao dinamismo do mercado de trabalho e à evolução do crédito ao longo do primeiro semestre deste ano”, reconhece o BC sem assumir sua parcela de culpa por não ter o duplo mandato: combate à inflação e ao desemprego.

Para o investimento, a autoridade monetária estima agora um tombo de 0,6%, em vez de um recuo de 0,3%, refletindo, em especial, as perspectivas de menor absorção de bens de capital.

No caso do consumo do governo, a projeção de uma alta de 0,2% passou para um recuo de 0,6%, por causa “do ajuste fiscal em curso”.

Pelo lado da oferta, as novas projeções do BC indicam um desempenho ainda mais forte da agropecuária, que deve crescer, pelas estimativas da autoridade monetária, 9,6% neste ano – a projeção anterior era de 6,4%. A indústria também teve o seu desempenho revisado para cima – de queda de 0,1% para uma alta de 0,3%. Já a previsão para os serviços, que têm o maior peso no PIB, foi revisado para baixo – de um crescimento de 0,1% para um recuo de 0,1%. Não sacam a importância do consumo das famílias e/ou do mercado interno?!

O efeito da nova crise política sobre o câmbio pode acelerar a recuperação de rentabilidade pelos exportadores e contribuir para manter os embarques no radar por mais algum tempo.

Antes da crise as perspectivas de um dólar médio de R$ 3,20 de junho a setembro indicavam que as exportações fechariam o terceiro trimestre com perda de 0,5% na margem de lucro no acumulado do ano contra iguais meses de 2016. A pressão de custos de produção mais contida em razão do declínio da inflação aliada à possibilidade de dólar médio mais alto para o período podem contribuir para trazer o sinal para o terreno positivo. Se o câmbio médio de junho a setembro chegar a R$ 3,25 ou R$ 3,30, os exportadores passarão a acumular ganho de rentabilidade de 0,2% e 0,9%, respectivamente. Uma notícia boa frente ao primeiro trimestre, quando os exportadores amargaram queda de 6,4% na rentabilidade.

Os cálculos levam em conta a exportação total – básicos e industrializados – e foram feitos a pedido do Valor pela Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), que simulou o impacto de diferentes taxas de câmbio para a rentabilidade da exportação.

Para a rentabilidade das exportações alcançar variação positiva em relação ao ano passado, a taxa de câmbio média para o período de janeiro a setembro teria que ser de pelo menos R$ 3,20. Isso implicaria que para os próximos meses – de maio a setembro – a taxa de câmbio fique em torno de R$ 3,25.

Até antes das denúncias que envolveram o presidente golpista, Michel Temer, o que se imaginava para o período entre maio e setembro era uma taxa de câmbio média de R$ 3,20. Nesse caso a cotação média dos primeiros nove meses do ano seria de R$ 3,15 e a rentabilidade da exportação no acumulado até setembro cairia 0,5%. Agora, porém, diz, a perspectiva é de câmbio mais próximo a R$ 3,30 para o período de junho a setembro.

A perspectiva de inflação menor também contribui para a melhora da rentabilidade porque diminui a pressão para a alta do custo de produção, outro componente importante da rentabilidade, avalia o economista da Funcex. Os cálculos da Funcex, diz ele, levaram em consideração 3,5% de crescimento do custo de produção de janeiro a setembro contra iguais meses do ano passado. A taxa é bem menor que a do ano passado, quando o custo de produção avançou 8,9% também no acumulado até setembro. No primeiro trimestre de 2017 o custo de produção subiu 5,1%.

Na mesma comparação, o preço médio de exportação também está mais favorável ao exportador. Mesmo com a alta dos preços de commodities nos últimos meses em relação aos praticados no primeiro trimestre, a perspectiva ainda é de ganho na comparação como ano passado. A Funcex projeta elevação de 14,9% no preço de exportação no acumulado até setembro. Uma taxa alta, embora menor que os 22,4% de expansão no primeiro trimestre.

A depreciação do câmbio traz maior competitividade e lucratividade para as exportações, mas o efeito não é uniforme para todos os setores. Por exemplo, para a indústria têxtil e de calçados, ou mesmo para o setor de máquinas e equipamentos, diz ele, um dólar a R$ 3,50 passaria a dar competitividade e lucratividade. Isso é uma média porque sempre há aquele que consegue alcançar mais vantagem competitiva com um câmbio mais valorizado. Na prática, as empresas continuarão exportando porque atualmente os embarques contribuem mais para manter escala de produção.

Leia mais para entender o Brasil (grande exportador de soja para a China)‘Grão do século XXI’, soja triunfa nos campos

Naércio Menezes Filho (Valor, 23/06/17) estuda casos interessantes de países latino-americanos exportadores de commodities e montadores de manufaturados. Afirma que “Brasil e México têm histórias muito diferentes. Os partidos políticos são completamente diferentes, assim como as decisões de política econômica ao longo do tempo. O México não teve uma Constituição cidadã e implementou várias reformas recentemente. Assim, o que poderia haver em comum nesses países a ponto de provocar trajetórias econômicas tão parecidas? Será mera coincidência?

O aumento de produtividade entre 1960 e 1980 pode ser explicado pelo processo de mudança estrutural que ocorreu em vários países do mundo (e está ocorrendo na China atualmente). Nesse processo as famílias deixam a agricultura familiar no campo para trabalhar na indústria e serviços nas cidades. Como o trabalho no campo é muito pouco produtivo, há um grande aumento de produtividade agregada quando isso ocorre.

E a estagnação a partir dos anos 1980? Uma explicação para a semelhança entre os dois países poderia ser o tamanho do Estado. Sabemos que no Brasil o Estado cresceu muito, a carga tributária é muito elevada e que as firmas estatais tendem a ser bem menos produtivas do que as privadas. Além disso, quando os gastos sociais crescem muito pode ser que as pessoas se sintam desestimuladas a produzir, acomodando-se.

Mas não é isso. O Estado mexicano é, na realidade, bem pequeno. Enquanto a carga tributária no Brasil é de 32% do PIB, no México ela é de apenas 17%. Enquanto os gastos sociais no Brasil são de 25% do PIB, no México eles estão em torno de 12%. Assim, não é o tamanho do Estado que explica a trajetória parecida do Brasil e do México. O que será então?

Tanto o Brasil como o México possuem, segundo Acemoglu e Robinson, instituições políticas extrativas, ao invés das inclusivas, que, segundo os autores, “permitem e encorajam a participação da grande massa de pessoas nas atividades econômicas para que façam o melhor uso dos seus talentos e habilidades (…) e um sistema judiciário que seja igual para todos…”.

Para sair da armadilha da renda média, seria necessário criar nesses países instituições políticas inclusivas, em que haveria incentivos para as pessoas investirem em educação e para as pequenas firmas investirem em produtividade. Atualmente, as pessoas mais pobres sabem que, por mais que se esforcem na escola, dificilmente terão condições de competir com as nasceram nas famílias mais ricas.”

One thought on “Golpe Quebra A Espinha Dorsal da Economia Brasileira!

  1. “Sabemos que no Brasil o Estado cresceu muito, a carga tributária é muito elevada e que as firmas estatais tendem a ser bem menos produtivas do que as privadas.”

    Três mitos numa só frase, bem comum em “Millenaristas” como Naércio.

    O estado Brasileiro tem apenas 12% das trabalhadoras no setor público, contra 30% ou mais, em países europeus; A carga tributária brasileira é média — aliás, quase todos os países ricos europeus têm carga tributária maior que o Brasil; Não me consta que Petrobrás, por exemplo, seja improdutiva. Quero ver dados confiáveis sobre isto.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s