Tecnologia de Carros Autônomos

Brooke Masters (FT, 29/05/17) afirma que “o atual entusiasmo do Vale do Silício pelas startups ligadas à tecnologia de carros autônomos está sendo chamado de a nova corrida do ouro da Califórnia. Mas a onda de investimentos está se parecendo mais com a de 1999 [que deu origem à “bolha da internet“] do que com a de 1849.

A tecnologia dos carros sem motorista claramente tem o potencial de ser revolucionária, e alguns fundadores de startups já ganharam na loteria. A General Motors (GM) comprou a Cruise, uma startup de carros autônomos, por US$ 581 milhões, a Ford injetou US$ 1 bilhão na empresa iniciante de inteligência artificial Argo AI.

As companhias de tecnologia também estão entrando na festa: a Intel pagou US$ 15 bilhões pela Mobileye de Israel, uma fabricante de sensores e softwares para direção autônoma, e o Uber comprou por US$ 680 milhões a Otto, uma empresa de caminhões de direção robótica.

Mas não está claro se abocanhar a startup sensação do momento é de fato a melhor estratégia. A compra da Otto envolveu o Uber em uma amarga disputa judicial com a Waymo, a divisão de veículos autônomos do Google, por causa de alegações de roubo de tecnologia, e quando a Ford demitiu seu executivo-chefe, uma das preocupações citadas foi que a montadora estava ficando atrás da GM em tecnologia.

Tudo isso parece familiar demais. Alguns dos negócios são remanescentes da Era Pontocom, quando pequenos e grandes investidores aplicavam dinheiro em tudo que prometia usar a internet — lembra-se da Webvan e da Pets.com? Na época, as grandes companhias já estabelecidas também sentiram a pressão para entrar em novos setores promissores. A Time Warner não só embarcou em sua malfadada fusão com a AOL, como a Disney estabeleceu o Go.com e até mesmo criou uma categoria especial de ação para enfatizar seu desempenho. Depois, a empresa acabou tendo uma perda contábil de US$ 790 milhões com o site.

Uma disputa parecida por redes sociais iniciantes aconteceu na metade dos anos 2000. A News Corp de Rupert Murdoch pagou US$ 580 milhões pelo MySpace em 2005; então, a AOL comprou a Bebo por US$ 850 milhões três anos depois. Posteriormente, a News Corp se desfez de seu erro por US$ 35 milhões e o fundador da Bebo a comprou de volta por US$ 1 milhão.

Os sites pontocom e de mídia social mais fortes – como a Amazon e o Facebook – foram grandes investimentos. Aqueles que apoiarem os vencedores da corrida pelos automóveis autônomos poderão muito bem ser recompensados na mesma medida. Mas pelo menos algumas das startups desse segmento que hoje são cobiçadas provavelmente se mostrarão inúteis.

É melhor os investidores darem uma boa olhada para as conquistas mais práticas envolvendo os veículos elétricos. Analistas do UBS preveem que o preço de um carro elétrico na Europa será equivalente ao de um movido a gasolina ou diesel já no ano que vem. Embora o preço de compra ainda seja maior, a manutenção de um carro elétrico é menor – ele possui um número de componentes muito menor e a recarga elétrica custa menos que o combustível fóssil.

Como resultado, os analistas elevaram suas estimativas para as vendas globais de veículos elétricos em 50% e preveem que os carros movidos à bateria serão 14% de todos os automóveis vendidos no mundo em 2025, e um em cada três unidades vendidas na Europa. No momento, os carros híbridos respondem só por 1% das vendas.

A Tesla Motors, fabricante americana de carros elétricos, já está se beneficiando do otimismo com as vendas no curto prazo. Seu valor de mercado a coloca à frente da Ford, apesar de ela ter vendido apenas 76 mil carros no ano passado.

Se o UBS estiver certo, também haverá muito espaço para outras. A GM está na “pole position” porque já vende o Chevrolet Bolt. Mas os clientes estão fazendo fila para comprar o Model 3 da Tesla, voltado para o mercado de massa e que será lançado em breve, e a maior parte das grandes montadoras espera ter modelos elétricos à venda até 2020. Carros autônomos totalmente funcionais ainda não são uma realidade, mas os movidos a bateria já são.

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