Bancos Públicos no Capitalismo de Estado ou Socialismo de Mercado na China

A Profa. Simone Deos, o Fórum Pensamento Estratégico (PENSES) e o Grupo de Estudos Brasil/China convidaram o corpo docente e estudantes do Instituto de Economia da UNICAMP para o excelente Seminário “Sistema Financeiro Chinês em Transformação“, que foi apresentado por Leonardo Burlamaqui, Professor da UERJ e Pesquisador do Levy Economics Institute, Marcos Antonio de Macedo Cintra, Técnico em Planejamento e Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Ana Rosa Ribeiro de Mendonça, Professora do IE/Unicamp, no dia 23 de junho de 2017.

Marcos Antônio Cintra, gentilmente, enviou-nos os slides preparados para o seminário em agradecimento à oportunidade e ao prazer de compartilhar conosco um debate construtivo e civilizado, em um período tão difícil de nossa história, em que até o debate parece interditado: MARCOS ANTÔNIO MACEDO CINTRA – Seminario IE Unicamp 23 junho 2017 – SF Chinês
Abaixo, o link para o livro: CHINA EM TRANSFORMAÇÃO, no qual outros temas também são abordados, além dos tratados no seminário, sistema financeiro:

Entre outros conhecimentos, entendi que os ativos dos bancos públicos chineses correspondem quase totalmente à carteira de crédito, ou seja, diferentemente dos brasileiros, eles não são carregadores de uma carteira de títulos de dívida pública. Como lastro, o Tesouro Nacional chinês oferece risco soberano para os depósitos, i.é, garante seu funding. É como os “big five” bancos chineses emitissem, eles sim, os títulos de dívida pública. Em outros termos, não há como eles quebrarem e/ou dar calote em seus depositantes por eventual inadimplência dos empréstimos.

Com esse respaldo do Estado chinês, os bancos podem financiar infraestrutura e empreendimentos imobiliários sem risco de gerar capacidade ociosa e inadimplência dos créditos. A ociosidade de “bairros vazios” acabará sendo preenchida pela ocupação de levas de imigrantes do campo para as cidades. O processo de urbanização pode continuar de “vento em popa”.

Lembrei-me que, em abril de 2005, em um Congresso do Instituto Internacional de Finanças (IIF) entre banqueiros de todo o mundo, os dos países avançados da Europa e dos EUA pressionavam o jovem presidente do Banco Central da China para ele valorizar a moeda nacional e abrir o imenso mercado interno chinês para os Investimentos Diretos Estrangeiros o explorarem. Em síntese, ele simplesmente respondeu: “A China tem de gerar 10 milhões de novos empregos por ano. Vocês acham que retirarei competitividade das nossas exportações?!”

Quanta diferença em termos de soberania para nossa casta de sábios-tecnocratas neoliberais

O gráfico abaixo revela que, depois de ceder à pressão internacional e valorizar um pouco a moeda chinesa, o governo chinês já voltou atrás para proteger seu mercado.

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