Computação Quântica

Ana Lúcia Moura Fé (Valor, 22/06/17) avalia que a computação quântica nunca se mostrou tão factível desde que foi proposta pela primeira vez, em 1981, pelo físico americano Richard Feynman. O apelo por trás desse tipo de pesquisa é o potencial de resolver, em segundos, problemas lógicos complexos que levariam anos ou sequer seriam concluídos em computadores tradicionais.

Nos últimos cinco anos, houve progresso e interesse nesse campo, com avanço rápido na criação de hardware e na experimentação escalável. Disputa-se a corrida pelo computador do futuro com laboratórios acadêmicos e vários nomes de peso da área de TI, como Microsoft e Google.

Os sinais do progresso vêm de toda parte. Só em capital de risco, a área atraiu US$ 147 milhões nos últimos três anos, além de US$ 2,2 bilhões em apoio governamental a pesquisas, em âmbito global, segundo a Deloitte. A União Europeia anunciou planos para, a partir de 2018, investir € 1 bilhão em tecnologias quânticas. E a Academia Chinesa de Ciências trabalha para construir um computador quântico nos próximos anos, só para citar alguns casos.

A tecnologia explora capacidades exóticas de elementos subatômicos, como a “superposição”, em que as unidades fundamentais de informação (apelidadas de qubits, ou bits quânticos) assumem diferentes estados ao mesmo tempo. Em comparação: os computadores clássicos codificam informações como bits que podem estar em um dos dois estados, “0” ou “1”. Já na computação quântica, os qubites podem ser “0”, “1” ou os dois ao mesmo tempo.

Combinados, os fenômenos quânticos elevam o potencial de cálculos simultâneos a níveis sem precedentes. As aplicações são incontáveis, da busca de novos medicamentos para cura de doenças como câncer e Alzheimer até otimização em cadeias de suprimentos, análise de riscos financeiros, inteligência artificial e criptografia. Entre os players, a grande meta é construir o chamado computador quântico universal, capaz de executar qualquer tarefa computável.

Não é tarefa fácil. O qubit é muito suscetível a interferências externas, como radiação eletromagnética. Mas já se consegue manipulá-lo e mantê-lo por tempo apreciável. São boas, portanto, as possibilidades de que a computação quântica se mostre em todo o potencial do qual hoje só temos evidência.

A IBM é uma das que mais avançaram na área. A empresa disponibiliza computador quântico em nuvem para que pesquisadores experimentem a programação nesse modelo, gratuitamente. O programa começou com 5 qubits supercondutores, e foi atualizado para 16 qubits.

A IBM planeja lançar nos próximos cinco anos a sua primeira oferta comercial de serviço, por meio da nuvem. Até lá, focará na estabilização e crescimento do hardware e no desenvolvimento de sistema operacional e metodologia de programação.

A IBM espera produzir nos próximos anos uma máquina de 50 qubits – marco para estabelecimento da “supremacia quântica”, estágio em que o processamento fará cálculos impossíveis de serem feitos com o mais poderoso supercomputador clássico.

O Google, por sua vez, tem trabalhado com tecnologia quântica da D-Wave, com objetivo de torná-la escalável e capaz de resolver problemas em diversos campos. Em 2015, anunciou que o computador desenvolvido em parceria com a Nasa atingiu performance 100 milhões de vezes melhor do que um computador comum. Segundo a revista “Nature“, o Google planeja lançar serviço baseado em nuvem futuramente.

A Microsoft anunciou que está investindo na criação de computador escalável e seu respectivo software usando “qubits topológicos”. São mais capazes de resistir a desafios como o calor ou o ruído elétrico.

Enquanto isso tudo não acontece, além de investir em sua própria transformação digital, as teles reforçam suas ofertas além da conectividade para apoiar a jornada de digitalização de seus clientes corporativos com fornecimento de infraestrutura, serviços gerenciados e soluções customizadas. Grande parte das novidades está relacionada à internet das coisas (IoT).

A solução de comunicação máquina a máquina (M2M) da Embratel já é empregada por diversas montadoras. A operadora fornece soluções de datacenter, computação em nuvem, outsourcing e serviços gerenciados de TI e segurança, com destaque para inovações como cyber intelligence, para monitorar e atuar preventivamente sobre ameaças de rede. O portfólio de soluções digitais está inserido no cenário de transformação em função de novas tecnologias e novos modelos de negócios.

A Vivo fechou acordo com a rede Meliá para um projeto piloto de eficiência energética com base em sensores para monitorar e gerenciar iluminação, condicionamento de ar e equipamentos de tecnologia, responsáveis por 90% do consumo dos hotéis. A aplicação reduziu 12% do custo de energia.

O uso da massa de dados colhida em casa também se transforma em produtos para os clientes, com base em big data e analytics. Um dos produtos da Vivo é o Smart Step, capaz de reunir dados sobre a movimentação da massa de clientes a informações sócio demográficas para apoiar decisões de clientes. O produto é usado por clientes do varejo para definir o local de novas lojas.

A Oi também deve apresentar em breve solução semelhante. A operadora já fornece, para terceiros, produtos criados para seu próprio uso, como soluções para gestão de frotas e equipes de manutenção e sistema de monitoramento de baterias. Além disso, a digitalização de processos de venda, atendimento e faturamento permite o relacionamento com clientes corporativos por aplicativo e internet. O processo começou pelas pequenas e médias empresas e, em março de 2017, chegou às grandes. Os serviços incluem fatura digital, segunda via de conta e abertura de contestação, entre outros. O volume de páginas impressas caiu pela metade em três meses.

Na Tim, uma das ofertas é sustentar aplicações sem que o uso consuma o plano de dados do usuário final. O modelo está em uso por clientes em áreas como educação, para o acesso de alunos aos portais das instituições, e logística, cujas equipes externas empregam remotamente soluções corporativas. Além disso, o PABX virtual permite o emprego do celular como ramal no ambiente da empresa ou áreas com wi-fi, acrescenta o diretor de grandes clientes,

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