Estratégia para a Indústria 4.0 e Futuras Ocupações

A quarta revolução industrial não causará disruptura apenas nos modelos de negócios, mas também no mercado de trabalho. A expectativa é que, até 2020, 7,1 milhões de empregos desapareçam no mundo em decorrência de redundância, automação ou desintermediação. Por outro lado, cerca de 2,1 milhões de vagas serão criadas, principalmente em áreas relacionadas à computação, matemática, arquitetura e engenharia.

Os números são do relatório “WEF – Future of Jobs“, do Fórum Econômico Mundial, feito com base em entrevistas a gestores de recursos humanos e executivos envolvidos nas estratégias das empresas em nove setores de 15 economias, incluindo o Brasil.

No país, são quatro as “famílias” de emprego mais afetadas negativamente:

  1. escritório e administrativo,
  2. construção e extração,
  3. instalação e manutenção,
  4. negócios, jurídico e financeiro.

Já os trabalhos ligados a vendas, gestão, computação, matemática e ciência, educação e treinamento e arquitetura e engenharia têm perspectiva de crescimento.

No curto prazo, poderá haver perda de emprego, mas com o passar do tempo vai aumentar a necessidade de trabalhadores mais especializados. Estudo feito sobre a Indústria 4.0 mostrou que um dos maiores desafios das empresas no Brasil será o desenvolvimento das pessoas. Já há um déficit de profissionais capacitados na área de tecnologia, o que vai aumentar à medida que as organizações comecem a investir em aplicações digitais. A condição do Brasil vai piorar quando essa tecnologia começar a entrar em escala, ficaremos ainda mais para trás.

Nessa previsão, haverá uma alta demanda por engenheiros eletrônicos, mecatrônicos e de produção e estima-se um aumento de 30% nos empregos ligados a essas áreas de formação, tanto no nível técnico quanto superior. Os países que estão conseguindo avançar nessas áreas têm apoio governamental. É quase impossível para as empresas executarem esse papel de formação sozinhas. Segundo o relatório do Fórum Econômico Mundial, 69% dos respondentes acreditam que o planejamento futuro da força de trabalho deveria ser uma prioridade dos líderes.

Os profissionais, apesar de continuarem especialistas, terão que ter visão mais ampla para avaliar informações e tirar conclusões com base nos processamentos de elevados volumes de dados. Essa capacidade de raciocínio não se vê muito na formação dos profissionais.

De forma geral, com poucas exceções, ainda se vê o modelo onde o professor transfere conhecimento ao aluno. O conhecimento está disponível, falta incentivar o debate e o pensamento crítico. Além disso, será cada vez mais necessário desenvolver habilidade para trabalhar em equipe e capacidade de comunicação.

Professor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas, Nelson Marconi relativiza o impacto da quarta revolução industrial no mercado de trabalho brasileiro. “Poucas empresas brasileiras estão preocupadas com investimentos. Estamos distantes da Indústria 4.0”.

Segundo o professor, o cenário de crise do país leva as empresas a se preocupar em manter um mínimo de rentabilidade para atender à baixa demanda atual. Para ele, é difícil precisar quando a Indústria 4.0 chegará em larga escala, mas para que o movimento se concretize é preciso uma retomada do crescimento. Depois, é preciso estabilidade. “As empresas só retomarão os investimentos quando visualizarem um cenário futuro estável”.

Naercio Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, tem opinião semelhante. “O impacto aqui não é tão grande, porque as empresas brasileiras não vêm investindo em tecnologia nos últimos anos, com pouquíssimas exceções”, afirma. Para ele, estamos muito atrasados em produtividade na comparação com boa parte dos países, como os da Europa, Estados Unidos e Coreia.

FNC: o que eles não percebem é que a alta produtividade em outros países que participam ativamente da 4a. Revolução Industrial barateiam suas exportações, retirando competitividade dos produtos nacionais. Indiretamente, ela já causa desemprego no País.

 

A Europa é apontada por muitos especialistas em manufatura como o berço da quarta revolução industrial. Um estudo publicado pela Boston Consulting Group em 2015 detalhou a realidade das “fábricas inteligentes” alemãs, apontando um conjunto de nove inovações que vêm transformando completamente a cultura fabril do velho continente.

Não se trata apenas da automatização ou da robotização, tecnologias já adotadas há muitos anos por setores como o de automóveis e eletroeletrônicos. Na Europa, a Indústria 4.0 é a que utiliza simulações, realidade aumentada, big data, integração de sistemas, internet das coisas e cibersegurança como elementos integrados e complementares do processo de produção. O objetivo é obter ganhos de eficiência, reduzir custos com erros e acidentes, além de conquistar uma capacidade maior de customização.

A Siemens, considerada uma das pioneiras no avanço da Indústria 4.0, tem em sua fábrica na cidade alemã de Amberg o centro de produção de “controladores lógicos programáveis”, que têm a função de coordenar equipamentos e processos fabris. Os produtos se comunicam com as máquinas e todos os processos são automatizados via tecnologia da informação.

A própria planta de Amberg é controlada pelo sistema, e o grau de automação da cadeia chegou a 75%. O conceito é o de uma fábrica digital onde o objetivo final é o “fim dos defeitos”, já que a produção no site registra menos de 0,001% de erros.

Na Holanda, a Philips transformou a planta de Drachten em um centro de desenvolvimento para produtos como barbeadores, purificadores de ar e máquinas de café. A combinação entre trabalho manual e robôs torna a fábrica globalmente competitiva. No site, há áreas totalmente robotizadas, como é o caso das plantas de produção de massa e que demandam alto nível de qualidade. As pessoas monitoram a montagem e o processo de manufatura, e fazem os testes ao final.

Na fábrica da Philips, aproximadamente 900 pessoas trabalham em conjunto com os 260 robôs de montagem, enquanto mais de mil outros profissionais atuam na área de desenvolvimento. Na Siemens, são 1.300 funcionários – o número de robôs não foi divulgado.

Os robôs colaborativos, ou cobots, são uma tendência na indústria, a ponto de fazerem algumas empresas substituírem as plantas totalmente automatizadas por soluções mistas de trabalho. Na maioria delas, os robôs assumem as tarefas físicas pesadas ou não ergonômicas, enquanto o elemento humano cuida de controles, desenvolvimento e manutenção.

A solução, porém, ainda não está disseminada, nem mesmo na Europa: muitos setores e empresas que ainda não acompanham as mudanças tecnológicas da indústria 4.0. “O panorama é incrivelmente variado. Aproximadamente 40% das empresas em todo o mundo não estão sequer considerando esse tipo de mudança nas discussões da alta liderança.

Quando o País terá uma política industrial voltada especificamente à manufatura avançada? Um grupo de trabalho interministerial ficará encarregado de propor, em até 150 dias, uma “estratégia nacional” para a indústria 4.0 — termo que designa a aplicação de tecnologias como inteligência artificial, impressões 3D e internet das coisas dentro da operação industrial — o chamado “chão de fábrica”.

Trata-se de um debate ao qual o Brasil chega relativamente tarde. A quarta revolução industrial, marcada pelo uso crescente dessas tecnologias, tem ocupado cada vez mais espaço nas discussões internacionais e foi o tema principal do Fórum de Davos em 2016. Um estudo recente da consultoria McKinsey, por exemplo, sustenta que metade dos empregos tal como existem hoje vão simplesmente desaparecer até 2035.

Além do Mdic, o grupo sobre indústria 4.0 terá representantes do Ministério da Fazenda, do Ministério do Trabalho, da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos, do BNDES, Finep e outros órgãos. Haverá assentos ainda do setor privado – Confederação Nacional da Indústria, Senai e Sebrae – e também do mundo acadêmico.

À medida que avançam as novas tecnologias, há novas exigências de mão de obra e perspectiva de perda de empregos. O governo ilegítimo ainda não sabe como a indústria 4.0 pode avançar no Brasil!

Na futurologia aparecem estudos sobre os rumos do emprego no planeta. O economista Jeremy Rifkin é um dos expoentes na ideia de que o emprego vai desaparecer. Fez um ensaio detalhado sobre o desemprego estrutural em um livro chamado “O Fim dos Empregos“, de 1996. Ele mostrou que, ao longo do tempo, em função da tecnologia, competitividade dos negócios e crescentes custos com pessoal, o e mprego tende a evaporar.

Não faltam artigos, livros e estudos nessa direção. O Fórum Econômico Mundial de Davos tratou da chamada quarta revolução industrial. Fez uma estimativa de que devem ser perdidos até cinco milhões de empregos até 2020 nas quinze maiores economias do mundo, em função do avanço de tecnologia que substitui humanos.

Poucas vozes surgem como contraponto a essa onda pessimista. Entre elas, Rafael Souto, sócio-fundador e CEO da Produtive Carreira e Conexões com o Mercado, destaca três pesquisadores britânicos: Alex Cole, Ian Stewart e Debapratim De. Em seu mais recente estudo, o trio afirmou que a tecnologia cria mais empregos do que extingue. Dizem que o principal fator para o erro nas previsões é justamente a imprevisibilidade dos negócios. Também citam que as mudanças são menos rápidas do que achamos.

Quando observa o mercado de trabalho, tende a concordar com o estudo desses britânicos, com destaque para dois aspectos.

O primeiro deles é uma separação conceitual entre emprego e trabalho. O emprego tradicional terá sempre seu espaço. Está na base do capitalismo e tende a crescer em momentos de aquecimento econômico. No entanto, é naturalmente um ciclo finito na carreira de cada profissional. Dessa forma, é necessário construir alternativas de trabalho. Pensar em emprego para a vida toda é algo inviável.

Com o aumento de longevidade, é necessário construir estratégias de trabalho para continuar produtivo e gerando receita quando o período do emprego tradicional se encerrar. Como atividades empreendedoras, de docência e de consultoria. Nesse sentido, o emprego pode ter fim na vida de uma pessoa, mas o trabalho seguirá existindo na economia.

A segunda reflexão é sobre as atividades profissionais. Não faltam publicações que citam carros autônomos, inteligência artificial, big data e outras tendências. Esse tom pouco ajuda na reflexão prática sobre estratégias de carreira. Algumas profissões podem ser extintas, mas a grande maioria vai sendo transformada com o tempo.

Se observamos as novas profissões, podemos concluir que são carreiras tradicionais que sofreram mutações. O marketing digital, por exemplo, é uma evolução das áreas tradicionais de marketing. Assim como as novas atividades na área de logística tiveram origem nas atividades ligadas às áreas de materiais e distribuição.

Os contadores foram durante algum tempo considerados como profissionais ultrapassados. De fato, os contabilistas de calça caqui e suspensório deram lugar aos profissionais de controladoria que hoje são altamente valorizados.

O desafio do futuro das profissões é fazer uma leitura sobre tendências de cada área. Buscar o “gap” de oportunidade é a chave para manter a competitividade no mercado de trabalho. As novas carreiras são evoluções das atividades profissionais existentes. Poucas são realmente disruptivas e fazem áreas desaparecerem.

Para descobrir quais são as tendências, é necessário curiosidade e controle sobre a carreira. O estudioso Mark Savikas afirma que os mais adaptáveis assumem a gestão de sua carreira, são curiosos na busca de informações e novas experiências e têm a clareza de que são os responsáveis pelo seu sucesso profissional.

 

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