Juros Reais Líquidos Ex-Ante

Quando toma decisões de alocação do capital, o investidor financeiro deve estimar a taxa de juros real (acima da taxa de inflação), líquida (descontados o imposto de renda e a taxa de administração), ex-ante (antes do período considerado e não ex-post, i.é, resultado do passado). E com base nela, considerar o custo de oportunidade (o ganho de capital que se poderia obter com o mesmo montante de dinheiro aplicado em investimento alternativo).

Diana Benfatti (Valor, 31/07/17) responde à consulta financeira se um investidor com investimentos em renda fixa deve se preocupar com a queda da taxa de juros.

“Essa preocupação é natural e muito válida. A trajetória da taxa de juros é sim importante, mas o seu movimento isoladamente não determina o rendimento dos investimentos.

Muitos outros fatores são relevantes, como:

  1. o indexador do investimento,
  2. os preços da curva de juros futuros,
  3. a oferta e a demanda por títulos,
  4. as diretrizes da política monetária,
  5. o movimento da inflação,
  6. os impostos, etc.

São temas ricos e todos merecem aprofundamento. Aqui iremos focar no impacto da inflação e do imposto de renda, principalmente sobre os juros pós-fixados diários (Selic e CDI). Continue reading “Juros Reais Líquidos Ex-Ante”

Aprendizagem 70:20:10 ou Abordagem dos “3 Es”: Experiência, Exposição e Educação

Letícia Arcoverde (Valor, 20/07/17) informa que, quando constantes mudanças de curso são demandadas das empresas, a principal solução para o treinamento dos funcionários não será a tecnologia – embora ela possa, naturalmente, ajudar. Na opinião do especialista em educação corporativa Charles Jennings, a abordagem de ensino mais adequada para um mundo volátil e incerto pode ser tão simples quanto juntar um grupo de pessoas em uma sala com algumas pizzas.

Jennings é fundador do Instituto 70:20:10, organização que promove o modelo de aprendizado de mesmo nome, adotado hoje por diversas empresas ao redor do mundo. Com origem nos anos 90, elaborado por professores da escola de negócios Center for Creative Leadership, a abordagem defende que a maior parte do aprendizado de uma pessoa — a que acontece 70% do tempo — deve ocorrer na prática.

Em 20% do tempo restante, ela acontece por meio da troca de experiências com os outros. Leia mais:  Aprendizagem Ativa

Só na menor parte do tempo, 10%, deve se dar por meio do ensino formal, com instrutores ou professores.

Os seres humanos são máquinas de esquecer. A natureza do cérebro humano faz com que ele só retenha informações aprendidas no contexto em que elas serão usadas“, justifica Jennings.

O modelo também é conhecido como a abordagem dos “3 Es”, designando

  1. experiência,
  2. exposição e
  3. educação. Continue reading “Aprendizagem 70:20:10 ou Abordagem dos “3 Es”: Experiência, Exposição e Educação”

Métodos de Análise Econômica 2017

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

Instituto de Economia

CE-542 – MÉTODOS DE ANÁLISE ECONÔMICA V

2º semestre de 2017

Prof. Dr. Fernando Nogueira da Costa

Ementa: Métodos e Instrumentos de análise de conjuntura econômica. Indicadores de instituições nacionais e multilaterais. Conhecimento de fontes de informações e uso de banco de dados. Busca da simplicidade em complexidade de grandes planilhas Excel. Treinamento em Office: Cursos à Distância. Uso de Power BI. Apresentação em Slides do Google, Prezi, ou Infogram-Prezi dos resultados de pesquisas empíricas: organização conceitual de dados e informações.

Horário: segunda-feira e quarta-feira no mesmo horário (8:00-10:00). Reservada a Sala IE-12.

Bibliografia:

Fernando Nogueira da Costa – Ensino e Pesquisa em Economia

TDIE 261 Economia Interdisciplinar

TDIE 263 Arte da Economia

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Crise Imobiliária e Propaganda Enganosa de Otimismo

Chiara Quintão (Valor, 17/07/17) informa sobre a campanha dos maiores esforços (artificiais) para reverter as expectativas pessimistas quanto ao futuro do País sob um governo ilegítimo, impopular e corrupto. Mas os dados objetivos teimam em não se alterarem…

Após cinco anos de crise, o mercado de incorporação residencial mostra sinais de inflexão, que aponta que o início de novo ciclo está próximo. A avaliação do setor é que o pior já passou, tanto no que diz respeito aos preços quanto ao excesso de oferta de imóveis. Os lançamentos do segundo semestre tendem a crescer, e não se espera quedas nominais de valores. Empresário e executivos já dizem que incorporadoras têm conseguido preço por metro quadrado dos novos projetos em São Paulo — maior mercado imobiliário do país — superior ao de 2016 para unidades similares. É, justamente, pela capital paulista que começa a retomada do setor residencial.

A percepção do consumidor de que será possível pagar valor menor por um imóvel, se esperar mais tempo, está mudando, e os bancos começam a reduzir as restrições ao crédito imobiliário. “O mercado imobiliário vive seu ponto de virada”, afirma a campanha ilusória para reverter as expectativas pessimistas. Segundo empresário, o desempenho de vendas de lançamentos realizados pelo setor nos dois últimos meses está “muito bom”.

“O cliente que está fechando a compra de imóvel na planta aposta na melhora da economia e na recuperação do preço diluída ao longo de três anos”, afirma outro ilusionista. Por enquanto, a companhia que quer vender otimismo apresentou apenas um projeto, neste ano, com Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 49,5 milhões, mas há intenção de acelerar lançamentos nos próximos meses, todos com foco nas classes média-alta e alta. É onde têm investidores que sofrerão queda da renda do capital financeiro com a diminuição da taxa Selic. Continue reading “Crise Imobiliária e Propaganda Enganosa de Otimismo”

Custo Social do Golpe: Paralisia do Financiamento Habitacional

Para memória: “eu era feliz… e sabia!

Silvia Rosa e Talita Moreira (Valor, 17/07/17) informam que, com a queda da captação da poupança nos últimos anos, cresceu a participação dos recursos do FGTS no financiamento imobiliário. Contudo, a crise de incompetência do governo golpista e a mudança nas leis trabalhistas, que permitirá o saque de até 80% do saldo do FGTS em acordos amigáveis entre patrões e empregados, devem alterar esse quadro.

Os recursos da poupança e principalmente instrumentos de mercado, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI), tendem assim a retomar espaço.

Até 2015, a maior parte do funding das concessões de crédito imobiliário no Sistema Financeiro Habitacional (SFH) vinha de depósitos da poupança. No ano seguinte, a participação do FGTS no financiamento imobiliário passou a liderar e essa tendência se mantém neste ano.

Do total de concessões de crédito imobiliário no SFH no ano corrente até maio de 2017, R$ 17 bilhões vieram da poupança e R$ 26 bilhões, do FGTS. Hoje há equilíbrio no FGTS entre arrecadação líquida e rentabilidade. Mas, à medida que liberam recursos, o volume disponível e o saldo a ser remunerado caem.

A carteira imobiliária da Caixa Econômica Federal alcançou R$ 412,9 bilhões no fim do primeiro trimestre de 2017. Desse saldo, R$ 211,3 bilhões (51%) foram concedidos com recursos do FGTS e R$ 200,8 bilhões (49%), com dinheiro da poupança.

O banco apostava no crescimento das captações de poupança para financiar operações de crédito imobiliário, assim como pretendia reduzir as emissões de LCI, que são uma fonte mais cara. Continue reading “Custo Social do Golpe: Paralisia do Financiamento Habitacional”

Destruição do Programa Minha Casa Minha Vida

Edna Simão (Valor, 10/07/17) informa que a forte restrição fiscal vem promovendo uma mudança gradual no foco do Programa Minha Casa, Minha Vida nos últimos anos. As contratações para o público de menor renda (até R$ 1,8 mil), que dependem fundamentalmente de recursos orçamentários, estão cada vez mais escassas e sendo substituídas por modalidades onde há algum tipo de financiamento.

Segundo último balanço do programa disponível, repassado pelo Ministério das Cidades, apenas 1.850 unidades de 110.129 foram contratadas no acumulado de janeiro a abril deste ano por famílias com renda mensal de até R$ 1,8 mil. O resultado representa uma redução de 51% na comparação com 2016, período em que em que as contratações já estavam aquém das expectativas devido à redução das receitas provocada pela recessão econômica.

A meta de contratação da chamada faixa 1 neste ano é de 170 mil moradias com prioridade para populações que estão em áreas de riscos ou insalubres, pessoas idosas, famílias chefiadas por mulheres, famílias com bebês vítimas de microcefalia. Criado em 2009, o Minha Casa, Minha Vida prevê um subsídio financeiro maior quanto menor for a renda da família.

[Fernando Nogueira da Costa: confira na tabela abaixo, o MCMV foi o maior programa de financiamento habitacional já realizado na história do Brasil, portanto, a maior política pública de distribuição de riqueza familiar no País.]

O excelente blog Brasil: Fatos e Dados apresenta os gráficos históricos abaixo:

Continue reading “Destruição do Programa Minha Casa Minha Vida”

Fuga de Capitais: “Efeito Golpe em Republiqueta”

Os números do anuário “Valor 1000” indicam que o crescimento nominal do faturamento em 2016 foi o segundo pior da série histórica do ranking — um desempenho somente melhor que o de 2009, ano marcado pela ressaca da crise financeira internacional. A expansão nominal ficou muito aquém da observada em 2015 (7,5%) e em 2014 (8,9%).

A receita líquida dessas grandes companhias manteve a trajetória de desaceleração no crescimento pelo sexto ano consecutivo. Ao todo, as mil empresas faturaram R$ 3,23 trilhões em 2016. No ano do golpe parlamentarista no presidencialismo brasileiro, o locaute empresarial levou à desaceleração no faturamento da maior parte dos setores analisados.

Em termos reais, a variação da receita líquida ficou negativa pelo segundo ano consecutivo com a volta da Velha Matriz Neoliberal. A queda de 4% computada em 2016 também só não foi pior que o resultado de 2009 (-5,2%). O desempenho ainda foi ajudado pelo processo contínuo de redução da inflação, que levou Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) a encerrar o ano em 6,29% – ante os 10,67% em 2015. A superdosagem de juros levou à atual Grande Depressão e Deflação: uma barbeiragem sem tamanho dos golpistas! E o PIG não solta um pio…

Cristiane Bonfanti, Lucas Marchesini e Eduardo Campos (Valor, 25/07/17) informam que os investidores estrangeiros voltaram a reduzir sua participação na dívida interna brasileira e fecharam o primeiro semestre de 2017 respondendo por 12,9% do estoque de R$ 3,233 trilhões. Esse é o menor percentual desde junho de 2012 (12,2%). Durante a primeira metade de 2015, por exemplo, essa fatia rondou os 20%.

Em valores nominais, a participação do não residente encerrou a primeira metade do ano em R$ 417,14 bilhões. No semestre, a redução de posição foi de R$ 10,7 bilhões. Em 2016, o não residente vendeu o equivalente a R$ 70 bilhões, em um consistente movimento de realização de lucros, com a elevação das taxas pagas.

Tomando como base os dados preliminares do Banco Central (BC) para investimentos em carteira em julho, o não residente seguiu vendendo títulos. De acordo com o BC, até o dia 19, os investimentos em carteira apontavam saída de US$ 1,772 bilhão. Quem quer ficar nesta republiqueta?! Continue reading “Fuga de Capitais: “Efeito Golpe em Republiqueta””