Certificação CFP de Planejadores Financeiros X Algoritmos

As pessoas deveriam cuidar das Finanças Pessoais da mesma forma que cuidam da saúde. Assim como fazem checkups regulares e consultam profissionais quando se sentem fisicamente debilitados de alguma forma, caso não tivessem Educação Financeira, o planejamento das suas economias e investimentos também deveria ficar aos cuidados de um profissional — ainda mais durante um período de maior instabilidade global e local, onde um mal-amado insiste em se salvar usurpando um cargo-maior…

Letícia Arcoverde (Valor, 29/06/17) informa que a competência desse profissional que a Financial Planning Standards Board (FPSB), associação global de planejadores financeiros, se propõe a assegurar com a certificação CFP, oferecida pela FPSB em 26 países, entre eles o Brasil, onde o exame é concedido pela Planejar, a Associação Brasileira de Planejadores Financeiros.

Hoje com mais de 170 mil profissionais certificados espalhados pelo mundo, a maioria na América do Norte e Ásia, a organização quer chegar a 250 mil CFPs em 40 territórios até 2025. No ano passado, cerca de 18 mil completaram o programa.

O plano inclui alguns dos novos desafios da profissão. Há a necessidade de aumentar a diversidade entre os planejadores certificados, as preocupações globais na hora de planejar finanças, e o surgimento de aplicativos e algoritmos que prometem serviços cada vez mais similares aos vendidos por animais humanos. No Brasil, o maior ponto ainda é a consolidação da profissão como opção de carreira e de serviço. Continue reading “Certificação CFP de Planejadores Financeiros X Algoritmos”

Economia Normativa: O Que Deveria Ser Para a Retomada do Crescimento

 

Já está acontecendo o que qualquer par de “2 neurônio” (sic) poderia ter previsto. Porém, faltou um neurônio (50%) para a maioria dos economistas neoliberais que apoiaram o golpe de Estado e suas medidas equivocadas e depressivas.

Depois da taxa de juros SELIC ficar quinze meses em 14,25% aa e o PIB cair -9% desde o início da recessão, que mergulhou em depressão, a inflação calculada em 12 meses no Brasil foi de 10,67% para 3,08%, se o IBGE confirmar essa estimativa esperada para junho de 2017. A retração da economia em 7,2% no biênio 2015 e 2016 foi uma das causas dessa desinflação, outra foi a ausência de fatores climáticos (seca) como nos outros anos.

Contudo, o que é muito positivo para a gestão monetária (e temerária) pode ser uma tragédia para a gestão fiscal (e temerária), sobretudo, a partir da aprovação de um limite para as despesas públicas em dezembro do ano de 2016. Foi um “tiro-no-pé”, assim como serão as outras medidas para cortar direitos sociais via reforma trabalhista e reforma da Previdência. Bastou dar para Temer “corda-para-se-enforcar”… Não resistiu ao contumaz suborno dos donos do capital.

A criação de um teto para o endividamento público por 20 anos é, sem dúvida, a medida mais anti-democrática (pois sequestra o direito dos eleitores elegerem programa de governo desejado pela maioria), desastrosa e idiota (sem consciência do mal que fazia a si e aos outros) no primeiro ano do governo Temer. Desde já se deduz que será improvável o cumprimento do limite!

Até a queda vertiginosa da inflação pode ser um problema para o governo, pois o limite a ser respeitado no endividamento será determinado pela correção das despesas pela inflação acumulada em 12 meses até junho. Provavelmente, aquela variação de 3,08% que o IBGE poderá anunciar nesta semana será o fator de correção dos gastos públicos em 2018. E essa atualização de valores será muito inferior ao necessário para gastos comprometidos.

A lei promulgada pelo presidente da República no fim do ano passado é clara: o cálculo dos gastos de 2018 utilizará a inflação medida entre julho de 2016 e junho de 2017. Esse cálculo vale para os orçamentos fiscal e de seguridade social e para todos os órgãos e Poderes da República. Se o governo temerário não se importa com Saúde Pública e Educação Pública, ele se importará com os limites individualizados impostos para tribunais, Conselho Nacional de Justiça, Senado, Câmara, Tribunal de Contas da União (TCU), Ministério Público e Defensoria Pública da União. Afinal, seus membros o julgarão

Além disso, a trajetória esperada para a dívida bruta piorou, com algumas estimativas apontando para um número superior a 80% do Produto Interno Bruto (PIB) já no ano eleitoral de 2018. A revisão se deve à redução nas projeções de crescimento e, em alguns casos, do resultado primário das contas públicas, devido ao surgimento da nova crise política, provocada pela “corda-para-Temer-se-enforcar”.

Em maio de 2017, o endividamento bruto ficou em 72,5% do PIB, o nível mais alto da série histórica iniciada em dezembro de 2006. Um dos principais termômetros de solvência fiscal de um país, o indicador subiu 21 pontos percentuais do PIB desde o fim de 2013, quando estava em 51,5% do PIB. Para comparar, a média da dívida bruta dos emergentes deve ficar em 48,6% do PIB neste ano, nas previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Os “gênios da profissão”, louvados pelo PIG (Partido da Imprensa Golpista) e asseclas de O Mercado 3 Os (Onipotente, Onisciente e Onipresente), depois de um ano de golpe, não conseguem entregar o que prometeram: ajuste fiscal. Muito antes pelo contrário, entregaram uma Grande Depressão que leva à queda da arrecadação fiscal. Conclusão: os “gênios”, ex-economistas-chefe de bancos, não estudaram sequer o maior pensamento econômico do século XX, o keynesiano.

E não aprenderam a história do New Deal: quando há Grande Depressão, o Estado tem de gastar mais, mesmo que seja deficitário. Depois da recuperação ele recupera as finanças públicas, ou seja, não há possibilidade de ajuste fiscal na crise!

Deveriam ler o artigo reproduzido abaixo de Luciano Coutinho. Ele é professor convidado do Instituto de Economia da Unicamp. Publicou artigo (04/05/17) apresentando sua visão de Macroeconomia Pró-Crescimento, i.é, a retomada do crescimento da economia brasileira. Continue reading “Economia Normativa: O Que Deveria Ser Para a Retomada do Crescimento”