Fim da Era do Dinheiro Fácil

Sérgio Tauhata e André Mizutani (Valor, 05/07/17) apresentam o cenário futuro:

  1. uma super bolha de US$ 10 trilhões em juros negativos na renda fixa global vai explodir algum dia;
  2. um colapso iminente das bolsas globais se dará ainda neste ano;
  3. uma reversão dos mercados de risco em meio a uma guerra comercial entre Estados Unidos e a China;
  4. um grande tombo do dólar em conjunto com uma fuga de recursos de ativos americanos diante da mudança de rumo da política monetária europeia.

Todas as previsões citadas foram feitas, respectivamente, por nomes do calibre do guru da renda fixa Bill Gross e dos megainvestidores Jim Rogers, George Soros e Mark Faber. Eles tentam, em maior ou menor grau, prever o cenário futuro para a encruzilhada na qual se encontram hoje os mercados: o que vai acontecer com o fim da era do dinheiro fácil?

Qual será o impacto da saída dos processos de afrouxamentos quantitativos? Esta é “a pergunta do trilhão de dólares”. Os programas de compras de ativos implementados pelos bancos centrais globais, conhecidos como afrouxamento quantitativo (QE, na sigla em inglês), têm injetado trilhões de dólares e inundado os mercados globais de liquidez há quase uma década. As políticas não convencionais dos BCs alteraram os preços de todas as classes de ativos no mundo todo. Continue reading “Fim da Era do Dinheiro Fácil”

Transformações na Estrutura Produtiva Global

O principal argumento do artigo Transformações na estrutura produtiva global, desindustrialização e desenvolvimento industrial no Brasil de coautoria de Célio Hiratuka e Fernando Sarti, publicado na Revista de Economia Política, vol. 37, nº 1 (146), pp. 189-207, janeiro-março/2017, é que o conjunto de transformações concorrenciais, produtivas, tecnológicas e patrimoniais na economia global tem sido de grande magnitude, dificultando a análise dos desafios colocados para a estrutura produtiva brasileira, sem um aprofundamento no entendimento dessas transformações.

Antes, porém, de avançar em sua análise, eles justificam, teoricamente, essa necessidade. Em primeiro lugar, destacam que, considerando as três visões apresentadas nos posts anteriores, e a forma como essas visões se desdobram no debate sobre a desindustrialização, julgam que a terceira é com certeza a mais profícua por:

  1. incorporar avanços relacionados à análise da mudança técnica e ao papel das inovações no processo de desenvolvimento industrial,
  2. permitir incorporar as diferentes dinâmicas setoriais.

No entanto, mesmo nesta terceira abordagem, é necessário explicitar que a forma como o desenvolvimento industrial e tecnológico se projeta na economia global não é uniforme, existindo, portanto, assimetrias e especificidades importantes quando se analisa a inserção dos países em desenvolvimento. Continue reading “Transformações na Estrutura Produtiva Global”