Como Escrever Bem por William Zinsser

Este livro foi publicado em 1976, chegando agora à terceira geração de leitores, tendo suas vendas superado mais de um milhão de exemplares. Finalmente, em 2017, foi traduzido e publicado pela Editora Três Estrelas no Brasil.

As preocupações de William Zinsser como professor se modificaram. Ficou mais interessado em coisas intangíveis que produzem bons textos: confiança, prazer, intenção, integridade. Seus alunos pretendem usar a escrita para tentar entender quem eles são e qual a herança que carregam dentro de si.

Facilitada pelos processadores de texto em computadores, a essência do escrever é reescrever. Apenas escrever fluentemente não significa escrever bem.

Bons escritores adoram a possibilidade de remexer em suas frases, podando, revisando e remodelando. Escritores ruins se tornaram ainda mais verborrágicos com a facilidade de escrever em computadores pessoais.

Este livro sobre o ofício de escrever não teve seus princípios modificados desde que foi escrito há quarenta anos. Escrever exige o velho e duro hábito de pensar com originalidade e o manejo das velhas ferramentas da língua.

Como já dito, reescrever é a essência da escrita. Um escritor profissional deve estabelecer uma rotina diária e se ater firmemente a ela. Escrever é seu ofício, não uma arte. Um sujeito que abandona seu ofício por lhe faltar inspiração não se leva a sério. Falta-lhe autoconfiança. Não sobreviverá escrevendo.

Escritores profissionais são trabalhadores solitários que raramente veem outros escritores. Basta-lhe como inspiração o exercício da captação do significado profundo existente em histórias reais e/ou ficcionais, peças de teatros ou filmes, canções ou mesmo da dança e da pantomima. Transcreve sem abusar de símbolos ou metáforas poéticas.

Não existe nenhum caminho “certo” para fazer um trabalho tão pessoal. Qualquer método que ajude você a dizer aquilo que quer dizer será o método certo para você. Cada qual estabelece sua rotina e seu ambiente de trabalho.

Os escritores costumam ser vulneráveis e tensos até descarregar o que tem em mente. São levados por uma compulsão de colocar uma parte de si próprios no papel. Não escrevem, simplesmente, aquilo que lhes surge de modo natural. Eles se sentam para realizar um ato literário. O eu de cada um que surge no papel é muito mais denso do que a aparência da pessoa que se sentou para escrever aquilo. A criatura costuma ser mais interessante que o criador. Daí a tensão de se revelar.

Em última análise, o que interessa não é tanto o assunto sobre o qual escreve, mas sim quem ele, ou ela, é. Daí o entusiasmo do autor por ser reconhecido em seu campo de atuação.

Essa bagagem emocional, que se carrega junto com essa prazerosa atividade criativa, está expressa em um bom texto de não ficção. Exige sensibilidade para o animal humano e o entusiasmo para usar a língua de modo a atingir a maior clareza e intensidade.

Simplicidade é chave. O excesso é o mal da escrita. Sufoca o leitor por palavras desnecessárias, construções circulares, afetações pomposas e jargões sem sentido.

Nossa tendência é inflar tudo, tentando demonstrar ser importante pela profusão. Necessitamos sempre cortar o excesso, isto é, a quantidade maior que a necessidade real. O segredo da boa escrita é despir cada frase até deixa-la apenas com seus componentes essenciais.

Primeiro, limpemos nossa mente de todo excesso. Pensamento limpo significa texto limpo.

O leitor é uma pessoa que dispõe de vinte segundos de atenção – uma pessoa assediada por inúmeras forças que competem entre si por atenção. Acrescidas com o uso permanente de “celulares inteligentes”. E diluídas pelas fofocas da rede social. Longe dessa pressão, apenas com um livro ou uma revista em mãos, seu cochilo significa perda de quem o escritor dedicou suas preocupações.

Pensar com clareza é um ato consciente prévio a um projeto que requer a lógica. Escrever é um trabalho árduo. Uma frase clara não é acidental. Se você acha difícil escrever, é porque é mesmo difícil. Bons escritores fazem parecer ser fácil.

Observe cada palavra que coloca no papel. Você encontrará uma quantidade surpreendente delas que não serve para nada. Excessiva é a frase elaborada que expulsou a palavra curta que dizia a mesma coisa. Excessiva também é a carga da linguagem oficial usada para ocultar erros. O linguajar político tem de ser formado por eufemismos, falácias e meras imprecisões. É uma camuflagem verbal.

Poucas pessoas se dão conta de como escrevem mal. Ninguém nunca lhes mostrou a quantidade de excessos ou a falta de clareza que se alastram por seu estilo e quanto isso atrapalha o entendimento daquilo que elas querem dizer. Ou o professor corrigiu – e elas ficaram indiferentes à avaliação dos seus erros…

É necessário enxugar o texto antes mesmo de poder reconstruí-lo. Há certos princípios a serem observados. Se o verbo for fraco e a sua sintaxe não tiver firmeza, suas frases despencarão.

Quando escritor tenta deliberadamente a enfeitar demais o texto, o leitor logo vai perceber que ele está querendo se exibir. Os leitores querem que a pessoa que está se dirigindo a eles seja autêntica. Regra fundamental: seja você mesmo.

Porém, não há regra mais difícil de seguir que essa. Exige de o escritor relaxar e ter autoconfiança.

Assim como tem político com medo do voto, tem escritor com medo de escrever.

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