Estilo de Escrita

Como Escrever Bem, livro de autoria de William Zinsser, publicado em 1976, finalmente, em 2017, foi traduzido pela Editora Três Estrelas. Continuo apresentando minhas anotações de sua leitura.

Os escritores mostram-se com maior naturalidade quando escrevem na primeira pessoa. A escrita é uma relação íntima entre duas pessoas levada ao papel e ela será tão boa quanto a sua capacidade de preservar a sua humanidade. Por isso, Zinsser estimula a escrita na primeira pessoa, seja do singular (“eu” e “mim”), seja do plural (“nós” e “nossos”). Abandone a terceira pessoa ou o sujeito indefinido.

Sujeito é a parte de uma oração que interage diretamente com o verbo (salvo raras exceções), de acordo com a análise sintática. Consiste na função sintática daquilo que o restante da oração se refere. Normalmente, para conseguir encontrar o sujeito na oração, aconselha-se fazer algumas perguntas básicas ao verbo da frase: “quem?”, “quê?” ou “o quê?”.

Na oração, um sujeito pode ser representado por pronomes pessoais, substantivos, pronomes demonstrativos, pronomes relativos, pronomes interrogativos, pronomes indefinidos, numerais, entre outras classes gramaticais. Do ponto de vista da ordem direta de uma oração, o sujeito aparece sempre antes do predicado. Mas, em alguns casos, também pode surgir depois ou intercalado (no meio) do predicado.

Fazer escritores usarem o “eu” não é nada fácil. Há vários tipos de textos em que o “eu” não é admitido, por exemplo, nos textos jornalísticos. O “eu” pode ser também, em trabalho acadêmico, uma autoindulgência quando se opina, apressada e pessoalmente, antes de avaliar um trabalho alheio de maneira mais profunda, confrontando-o com outras fontes e/ou comparando-o com outras obras que representam o estado da arte.

Mesmo onde o “eu” não é admitido ainda é possível criar um tom pessoal. Os bons escritores são visíveis por trás de suas palavras. Pense com o “eu” enquanto escreve, mesmo que o estilo seja impessoal. Reflita porque você não quer assumir posições.

O estilo está ligado ao psíquico. Escrever é algo que possui profundas raízes psicológicas. O “bloqueio da página em branco” encontra-se parcialmente em nosso subconsciente.

Se você for você mesmo, o assunto de que tratar exercerá o seu próprio poder de atração. Acredite na sua própria identidade e em suas opiniões. Escrever é uma atividade do ego, e você precisa aceitar o seu para seguir em frente.

“Para quem eu escrevo?” Você escreve para si mesmo. Não tente visualizar uma massa uniforme de público leitor. Isto não existe. Cada leitor é uma pessoa diferente. Não escreva sob encomenda de um editor imaginado nem se paute pelo que você acha que o País esteja a fim de ler. Os editores e os leitores não sabem o que querem ler até o momento em que leem. Além disso, estão sempre procurando coisas novas.

Você escreve, primeiramente, para agradar a si mesmo. Esta satisfação pessoal te leva a seguir adiante. Agradará, então, aos leitores, se eles forem dignos daquilo que você escreve. Os que não sacarem, sacassem… não são eles que você quer atingir.

Você deve escrever para si mesmo sem se deixar atormentar por esta dúvida: o leitor está ou não está ficando para trás?

O ofício diz respeito a controlar uma técnica determinada. A atitude se refere a como você utiliza essa técnica para expressar a sua personalidade.

No que diz respeito ao ofício, não há desculpas para quem perde leitores por escrever de modo desleixado. Quanto à questão mais ampla de saber se o leitor gosta de você ou daquilo que você está dizendo ou da maneira como está se expressando, ou concorda com aquilo, ou sente afinidade com seu senso de humor ou a sua visão do mundo, no stress… Você é você, ele é ele, e os dois acabam se dando bem – ou não.

Zele para não perder o leitor por desleixo, mas não tente se adequar à pressuposta opinião dele. Trabalhe duro para ter controle sobre as ferramentas utilizadas em sua escrita. Simplifique e enxugue. Faça isso como um gesto mecânico ou automático.

Pense que o outro processo é um gesto criativo: a expressão daquilo que você é ou pensa. Relaxe e goze o prazer de dizer exatamente o que você quer dizer, sendo verdadeiro consigo mesmo.

É preciso muito mais tempo para encontrarmos a nós mesmos como possuidores de um estilo singular. Mesmo depois disso nosso estilo irá modificar-se à medida em que envelhecermos, ou melhor, ampliamos nossa sabedoria.

Seja você mesmo ao escrever. Mas nunca diga por escrito algo que você não se sentiria confortável para dizer em uma conversa. Mesmo que seja em rede social ou “feicebuque”.

Opiniões firmes e o hábito de dizer o que pensa não se confundem com grosserias. O segredo da popularidade de muitos escritores – à parte o uso pirotécnico do linguajar – é escrever para si mesmo e não estar nem aí para o que o leitor possa achar. É preciso coragem para ser um escritor assim. Esta coragem é reconhecida nos influentes.

Essencialmente, a gente escreve para nós mesmos: um público formado por uma pessoa só.

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