Fuga de Capitais: “Efeito Golpe em Republiqueta”

Os números do anuário “Valor 1000” indicam que o crescimento nominal do faturamento em 2016 foi o segundo pior da série histórica do ranking — um desempenho somente melhor que o de 2009, ano marcado pela ressaca da crise financeira internacional. A expansão nominal ficou muito aquém da observada em 2015 (7,5%) e em 2014 (8,9%).

A receita líquida dessas grandes companhias manteve a trajetória de desaceleração no crescimento pelo sexto ano consecutivo. Ao todo, as mil empresas faturaram R$ 3,23 trilhões em 2016. No ano do golpe parlamentarista no presidencialismo brasileiro, o locaute empresarial levou à desaceleração no faturamento da maior parte dos setores analisados.

Em termos reais, a variação da receita líquida ficou negativa pelo segundo ano consecutivo com a volta da Velha Matriz Neoliberal. A queda de 4% computada em 2016 também só não foi pior que o resultado de 2009 (-5,2%). O desempenho ainda foi ajudado pelo processo contínuo de redução da inflação, que levou Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) a encerrar o ano em 6,29% – ante os 10,67% em 2015. A superdosagem de juros levou à atual Grande Depressão e Deflação: uma barbeiragem sem tamanho dos golpistas! E o PIG não solta um pio…

Cristiane Bonfanti, Lucas Marchesini e Eduardo Campos (Valor, 25/07/17) informam que os investidores estrangeiros voltaram a reduzir sua participação na dívida interna brasileira e fecharam o primeiro semestre de 2017 respondendo por 12,9% do estoque de R$ 3,233 trilhões. Esse é o menor percentual desde junho de 2012 (12,2%). Durante a primeira metade de 2015, por exemplo, essa fatia rondou os 20%.

Em valores nominais, a participação do não residente encerrou a primeira metade do ano em R$ 417,14 bilhões. No semestre, a redução de posição foi de R$ 10,7 bilhões. Em 2016, o não residente vendeu o equivalente a R$ 70 bilhões, em um consistente movimento de realização de lucros, com a elevação das taxas pagas.

Tomando como base os dados preliminares do Banco Central (BC) para investimentos em carteira em julho, o não residente seguiu vendendo títulos. De acordo com o BC, até o dia 19, os investimentos em carteira apontavam saída de US$ 1,772 bilhão. Quem quer ficar nesta republiqueta?!

Apesar da redução relativa na participação de estrangeiros na Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi), a queda no volume financeiro não foi mais significativa porque foram criadas oportunidades a partir da queda dos juros e a relativa estabilidade no câmbio para a realização de lucros por parte dos estrangeiros.

Há também movimentos de alongamento de prazo. Há uma venda do título de curtíssimo prazo. Porém, o volume de mais longo prazo aumentou. Quando eles veem oportunidade de adquirir título de mais longo prazo, mostrando desconfiança no presente mas confiança no futuro, quando voltar um governo social-desenvolvimentista, o que acontece é que vendem o de curto prazo e compram o de longo prazo. Mas isso não é equivalente em termos de volume financeiro.

Segundo os dados divulgados pelo Tesouro, houve em junho um aumento de 3,22%, em termos nominais, no volume de recursos que o governo toma emprestado para financiar as necessidades do país, na comparação com o mês anterior. A Dívida Pública Federal (DPF) chegou a R$ 3,357 trilhões no mês passado. Pelas metas estabelecidas no Plano Anual de Financiamento (PAF), a DPF deve oscilar entre R$ 3,45 trilhões e R$ 3,65 trilhões. A Dívida Pública Mobiliária Federal Interna registrou uma alta de 3,31%, para R$ 3,233 trilhões em junho. Já a Dívida Federal Externa somou R$ 123,99 bilhões (US$ 37,48 bilhões), o que representa alta de 0,91% na comparação com os números de maio.

No mês passado, as emissões da Dívida Pública Federal corresponderam a R$ 74,10 bilhões, enquanto os resgates somaram R$ 3,84 bilhões, o que resultou em emissão líquida de R$ 70,26 bilhões. Desse total líquido, R$ 72,19 bilhões referem-se à emissão líquida da DPMFi e R$ 1,92 bilhão ao resgate líquido da Dívida Pública Federal Externa.

Os números do Tesouro mostram ainda que o percentual vincendo da dívida interna em 12 meses ficou em 15,25%, contra 15,42% em maio. O prazo médio da dívida interna fechou junho em 4,30 anos, ante 4,43 anos em maio.

A participação de papéis pós-fixados na dívida interna subiu de 31,66% em maio para 32,03% em junho. A fatia de papéis prefixados passou de 36% da DPMFi em maio para 36,1% em junho. Os títulos indexados a índices de preços, por sua vez,
de 2terminaram junho em 31,41% da dívida interna, ante 31,86% em maio. Os ativos corrigidos pelo câmbio fecharam 0,46%, ante 0,48% em maio.

No que diz respeito aos detentores da dívida, as instituições de previdência fecharam junho com 25,52%, ante 26,21% em maio. Apesar da queda na participação relativa, elas permanecem como principal detentor da dívida.

As instituições financeiras encerraram o mês respondendo por 22,97% da DPMFi, contra 22,16% em maio.

Os fundos de investimento, por sua vez, ampliaram participação para 23,59% ante 23,17% em maio.

O governo responde por 4,85% ante 4,94% em maio.

As seguradoras foram de 4,57% em maio a 4,55% em junho.

 

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