Parasitas: Paralisia e Destruição de Valor por parte dos Golpistas

Parasitas são os golpistas que se comportam como um chupim. Vivem de (e em) outro organismo, dele obtendo alimento e não raro causando-lhe dano. Quem aceitou o cargo público por nomeação de golpista é cúmplice e será lembrado sempre como um indivíduo que vive à custa alheia por pura exploração ou oportunismo.

Paralisia é a privação total ou diminuição considerável da sensibilidade ou dos movimentos voluntários, manifestada em órgãos ou sistemas do organismo. Em sentido figurado refere-se à impossibilidade de agir, de operar; marasmo, entorpecimento; paralisia das atividades econômicas. Este é o processo que a máquina pública está — e estará — sofrendo, e impondo ao bem-estar social, até que os golpistas sejam expelidos de cargos usurpados de maneira oportunista após o golpe na democracia eleitoral brasileira em 2016.

Claudia Safatle (Valor, 21/07/17) informa que, ao avaliar o seu primeiro ano na presidência da Petrobras, Pedro Parente disse que o que mais o tem surpreendido nesse período é a paralisia da gerência da empresa. “A média gerência está amedrontada, paralisada“, segundo ele, com os desdobramentos das investigações da Operação Lava-Jato e não quer se comprometer com o menor risco de envolvimento na operação da estatal.

O processo decisório na companhia está travado “porque eles respondem com o CPF“, contou o presidente da estatal durante jantar com um pequeno grupo de jornalistas e empresários, promovido pelo site de notícias Poder 360.

Parente relatou que há poucos dias conheceu um gerente executivo da área financeira da empresa que estava “na posição errada na hora errada”, ao substituir por um dia o gerente executivo que seria o responsável pela assinatura do contrato de compra da refinaria de Pasadena. Justamente nesse dia o contrato foi consumado. O funcionário, que não teve qualquer participação na aquisição da refinaria que tornou-se símbolo de escândalo, assinou a papelada e no curso das investigações teve seus bens bloqueados. Só muito recentemente o Tribunal de Contas da União (TCU) autorizou o desbloqueio.

Ele disse que em um evento público o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira, comentou que estava com inveja da Petrobras, cuja dívida corresponde a cinco vezes a geração de caixa da estatal, enquanto que na holding do setor elétrico essa relação é de oito vezes. Ferreira falou também que todo o papel que assina precisa estar acompanhado de um parecer do jurídico. Nesse momento Parente o interrompeu “Você está brincando! Agora quem está com inveja sou eu, porque preciso de parecer do jurídico, da contabilidade, da área de conformidade, da tributária. São no mínimo cinco ou seis pareceres para cada decisão!“.

O temor dos funcionários da petroleira fica evidente na elaboração dos pareceres. Segundo Parente, eles listam uma série de riscos, mas não dizem que apesar dos riscos e das atividades mitigadoras a decisão deve prosseguir ou ser interrompida. Na semana passada houve uma reunião com toda a média gerência da empresa para tratar desses problemas. “A melhor maneira de não correr riscos é não fazer nada”, comentou.

Citou, ainda, um exemplo concreto do nível de dificuldade que a direção enfrenta: a Petrobras estava com alguns cascos de plataformas em poder de uma das empresas envolvidas na Operação Lava-Jato e que estava sob administração de uma contratada. Era preciso fazer um acordo com a empresa para retirar esses cascos antes que ela entrasse em recuperação judicial, para evitar um atraso na produção cujo custo para a estatal é imenso.

Essa era uma discussão sobre renúncia de direito, o que, por si só, já é um problema para qualquer funcionário público. A estatal tinha um direito contra o estaleiro que estava falido. A máquina da Petrobras teve enorme dificuldade de lidar com esse caso, comentou.

Para superar o trauma que ficou nas pessoas que trabalham na estatal — dano que causa prejuízos intangíveis — é preciso um trabalho de gestão da cultura da empresa e muita transparência. “As pessoas tem que entender que Petrobras está lá para operar e não para não operar“, sublinhou.

A recuperação da petroleira não tem sido um caminho fácil. Além dos problemas econômico-financeiros, do programa de desinvestimentos, a área de recursos humanos enfrenta, segundo o presidente da companhia, pelo menos dois desafios: administrar o impacto negativo do fim do projeto irrealista dos governos do PT e do fim da hegemonia do sindicato que beneficiou os funcionários da empresa com aumentos salariais superiores à inflação por vários anos.

[Fernando Nogueira da Costa: O governo golpista tem o objetivo de destruir o sindicalismo com a reforma trabalhista para tirar todo o poder de resistência da máquina estatal desenvolvimentista, isto é, os servidores públicos que defendem as empresas estatais, pois sabem que elas tiveram e terão ainda um papel chave para o futuro desenvolvimento do País. Irresponsavelmente, Parente afirma que “a estatal quase quebrou, hoje ao menos eles veem que há um plano consistente de recuperação”.]

Parente disse que não saberia mensurar o tempo necessário para sanear a companhia e curar os danos “emocionais” sobre o corpo de funcionários, deixados pelo propinoduto desvendado no curso da Lava-Jato.

Ele espera, no entanto, que seja possível até o fim de 2018, antes da troca de governo [para um democraticamente eleito], criar um conjunto de regras para que quem vier lhe suceder se veja obrigado a prosseguir na linha da boa governança. Esse arcabouço deve abarcar:

  1. a política de preços dos combustíveisdeterminados pelo mercado internacional do óleo [e aumento da tributação por parte do governo golpista] –,
  2. a não interferência política na direção da empresa [quero crer… ] e
  3. a tomada de decisões em total acordo com as responsabilidades econômico-financeiras da petroleira [e carência de visão desenvolvimentista estratégica.]

Antes de ser sancionada a nova Lei das Estatais, no fim de julho de 2016, ainda houve duas tentativas de emplacar nomeações políticas na Petrobras. Elas foram resolvidas por um simples telefonema em que Parente disse que isso não era o combinado, contou ele sem revelar os interlocutores que, segundo comentou, entenderam sem maiores discussões. Caso encerrado.

A Petrobras se prepara para as licitações das oito áreas do pre-sal em outubro de 2017. Ele confirmou que a empresa pretende exercer o direito de preferência sobre três dessas áreas (Sapinhoá, Peroba e Alto de Cabo Frio Central).

O regime de partilha não se mostrou um problema para a exploração do pré-sal, considerou, mas a exigência de que a Petrobras fosse operadora única em todos os poços levou a um atraso de pelo menos dez anos. Hoje, alegou, o país poderia estar com uma série de campos de petróleo em produção, caso a regra não tivesse existido.

A definição estratégica é que ela seja uma empresa integrada de óleo e gás e este, em uma economia de baixo carbono, terá que assumir maior participação no portfólio da Petrobras. A produção de gás será crescente e o preço do gás será compatível com a cotação externa.

O plano para a indústria naval que levou o governo do PT a incentivar a construção de mais de meia dúzia de novos estaleiros foi produto da “megalomania“. A Petrobras não terá novas encomendas para essas instalações e os que não forem viáveis terão que procurar um outro destino, para desespero de quem acreditou.

[Fernando Nogueira da Costa: como são simplórios os diagnósticos dos golpistas! Reduzem tudo à “culpa do PT”, não analisando a cadeia de valor estratégica internalizada na indústria de petróleo que se criava no País, gerando milhares de empregos. Para sanar as quatro derrotas eleitorais prévias, visam só destruir a imagem do adversário partidário. Os golpistas não se importam com os efeitos sociais da destruição dessa indústria, como demonstra a atual situação calamitosa do Rio de Janeiro.]

2 thoughts on “Parasitas: Paralisia e Destruição de Valor por parte dos Golpistas

  1. Em relação à industria naval, é simples dizer que é megalomania do PT.

    Parece que o Pedro Parente não foi colocado na Petrobras para viabilizar um outro “modelo” de exploração do pré-sal.

    Parece também não saber que o país que não tem indústria naval está fora do jogo, irrelevante para um projeto como o que ele representa de subordinação à potência dominante, os EUA, mas inadimissível para quem tem um projeto de soberania, mesmo como potência intermediária, como o do PT.

    Desconstruir o país é parte do jogo dele e dos golpistas alinhados, como ele.

    Hoje, no noticiário consta a prisão pela “republiqueta” do Paraná e pelo seu braço executivo – a Operação Lava a Jato, agora nessa etapa rebatizada de Cobra -, da prisão de Aldemir Bendine, ex-BB e ex-Petrobras.

    O que a matéria faz questão de dizer é o Bendini foi escolhido pelo governo Dilma Rousseff, mas faz questão de minimizar e esconder que ele fazia parte do esquema do PMDB, do Eduardo Cunha, do Michel Temer, enfim, dos golpistas que aí estão e que foram imposto a Dilma como “moeda de troca” após sua eleição.

    É lamentável o papel da mídia hoje no Brasil. Nunca estive tão triste e desesperançada, mas na luta!

  2. Megalomania? O preço do barril do petróleo do Brasil estava a 100 dólares e durante muitos anos. É fácil falar isto quando o preço baixou è metade em 6 meses, no fim de 2014, em um acordo geopolítico entre USA e Arábia Saudita para enfraquecer os inimigos políticos do primeiro. Fora outras sacanagens neo liberais e entreguistas embutidas nesta declaração ridícula.

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