Jovens Investidores X Velhos Acionistas

Tesouro Direto (Títulos de Dívida Pública): Bolsa de Valores (ações):

Nathália Larghi (Valor, 31/07/17) escreveu uma reportagem interessante sobre a faixa etária de investidores. Lembrei-me de dados da Bolsa de Valores que pesquisei recentemente. Estão nas tabelas acima para comparação.

De cara, uma observação: quando se soma os investidores ativos no Tesouro Direto (493 mil) com os da Bovespa (592 mil), atinge-se 1,085 milhão, ou seja, 10% dos 10,426 milhões em Fundos e Títulos e Valores Mobiliários. Em termos de valor, o total no mercado de renda variável era R$ 138,43 bilhões, enquanto no mercado de renda fixa (TVM + FIF) o saldo era de R$ 979,90 bilhões no varejo (tradicional + alta renda) e R$ 877,59 bilhões no Private Banking. E ainda tem PhDeus colonizado querendo que o Brasil deixe de ter uma economia de endividamento para se tornar uma economia de mercado de capitais!

Mais uma evidência do que é a concentração no mercado de ações no País. Idosos a partir dos 66 anos (eu! eu! eu!) eram 17% dos acionistas, porém possuíam 45% do valor de mercado. Que jovem investidor vai confrontar um “velho profissa de O Mercado”?!  

Como são 98.034 acionistas com mais de 66 anos possuindo R$ 61,84 bilhões em ações, a dedução que essa riqueza acionária per capita deles é R$ 630.801,56. São sete milhões de reais a menos do que a riqueza em FIFs e TVMs per capita dos 114.802 clientes Private Banking  (R$ 7.644.417,33), embora seja bem superior à riqueza financeira per capita do varejo de alta renda (R$ 177.345,42). É provável que muitos desses senhores sejam herdeiros e/ou acionistas PF expressivos no controle de capital de sociedades abertas — e não especuladores.

O grupo de jovens entre 16 e 25 anos já soma quase 162 mil investidores no Tesouro Direto e é o que mais cresce nesse tipo de aplicação. A alta no último ano foi de 142%. Eles representam hoje 10,9% do conjunto de 1,485 milhão de pessoas que constrói parte de seu portfólio pessoal investindo em títulos públicos pela internet, segundo os dados mais recentes, referentes a junho de 2017. Um ano atrás, a participação desses estreantes era de 8% para um total de 835 mil aplicadores. O aumento do acesso à informação e a difusão dos debates sobre investimentos e previdência são os fatores que explicam a tendência.

Na bolsa de valores, a presença dos mais jovens ainda é tímida, mas também foi a fatia que mais cresceu no último ano. Em junho de 2016, eram 11.547 investidores de 16 a 25 anos de um total de 559.518, ou 2,07%. No mês passado, o número chegou a 14.249 em um universo de 592.386 investidores (ou seja, 2,4%).

A explicação para o apelo maior dos títulos públicos perante o público jovem se deve, em parte, à percepção de segurança que esse ativo proporciona por representar, na prática, um “empréstimo” do investidor ao governo. Por se tratar de ativos de renda fixa, mesmo que haja percalços pelo caminho, com desvalorização decorrente da atualização dos preços a valor de mercado, o aplicador que deixar para resgatar no final sabe exatamente o quanto vai receber de retorno.

Outro motivo vem do baixo valor monetário que esse tipo de aplicação demanda, já que com R$ 30 é possível comprar um título público conservador. Por ser um dos investimentos de renda fixa com menor risco e alta liquidez, ele atrai quem tem pouca experiência e pouco dinheiro.

O Tesouro é a plataforma de acesso que serve aos pequenos investidores que têm muito pouco e não conseguem colocar em produtos diferenciados que exijam mais. Esse é, geralmente, o primeiro passo do jovem, em uma aplicação conservadora e segura. O jovem deve sim ser conservador em Finanças e progressista em Política!

Em geral, o estudante de Economia resolve optar pelo Tesouro por causa da segurança que ele proporciona. A ideia é aprender como se opera no mercado, mas sem se arriscar muito. Quer entender como funciona e como seu dinheiro pode render para aumentá-lo a um nível seguro de risco para quando ele sair da faculdade.

Assim como outros alunos de graduação em Economia e Administração, parte do interesse de aluno pelo mercado financeiro vem das aulas. Mas as mudanças tecnológicas que facilitam a pesquisa também têm papel fundamental nessa tendência entre os mais jovens, que aprendem por meio de conteúdo on-line e de conversas com outros investidores.

O acesso à informação é o que determina essa mudança de comportamento. É diferente de décadas atrás quando as pessoas não tinham muitos meios de saber sobre produtos de investimentos. Hoje, o que um aluno de Administração ouve sobre finanças é muito mais rico e ele ainda tem uma gama de informações à disposição dele, pelo celular.

A faculdade aumenta sua curiosidade pelo tema, mas a maior parte do seu conhecimento vem da internet e dos amigos. Na aula, ele começa a ver bastante coisa, o que me leva a estudar por fora, procurando materiais e vídeos. Alguns amigos da faculdade estavam na mesma, vão conversando e pesquisando.

Todos querem ter uma reserva financeira para quando sair da faculdade e ainda considera usar o dinheiro em um curso ou uma viagem. Mesmo que planos para aposentadoria ainda não apareçam de forma tão planejada, a ideia de investir para o futuro já se faz presente entre os jovens.

Ele pode não ter consciência do porquê está guardando, mas sabe que juntar dinheiro é fundamental. O jovem hoje está mais próximo de entender que ele é o protagonista da conta dele mesmo. Face ao corte de direitos na Previdência Social, os estudantes passam a ter uma inclinação maior a investir em vez de gastar em consumo supérfluo.

A tendência, no entanto, é que a maior circulação de informações aumente o debate sobre investimentos e atinja cada vez mais pessoas, não só os mais jovens. O resultado disso será um aumento na movimentação do mercado financeiro, já que a circulação de conteúdo ajudará os investidores a escolherem a aplicação mais adequada para cada perfil e contexto econômico.

Embora o Tesouro Direto seja apontado como um dos investimentos mais seguros e baratos e, consequentemente, ideais para quem começa a se aventurar no mercado financeiro, é preciso ter alguns cuidados antes de investir. Entender qual é o objetivo da aplicação é um deles. Ter um dinheiro para se bancar ou viajar ao fim da faculdade, por exemplo, é uma das principais metas de muitos jovens. No entanto, há quem já se preocupe em investir para o futuro. E, para cada uma dessas finalidades, existe um investimento que melhor se adequa.

Para os preocupados em complementar a aposentadoria ou guardar para alguma emergência que surgir quando mais velhos, os produtos recomendáveis são os de longo prazo indexados ao índice oficial de inflação (IPCA). Essas aplicações pagam uma taxa de juro prefixada – que o investidor já conhece no momento da compra – mais a variação do índice de inflação. Esses títulos são chamados de Tesouro IPCA (NTN- B Principal), com prazos de retirada para 2024, 2035 e 2045.

Para quem deseja complementar a renda a partir do momento da aplicação, pode optar pelo Tesouro IPCA com juros semestrais (NTN-B). Nessa modalidade, como o nome sugere, os juros são pagos a cada seis meses. Os prazos para a retirada são 2026, 2035 e 2050. Os jovens geralmente podem esperar mais tempo e investem pensando em um prazo um pouco mais longo. Com isso, o produto mais indicado são os títulos de IPCA, que ainda mantêm o poder de compra.

Quem tem planos para um prazo mais curto deve ter mais cuidado ao aplicar e, preferencialmente, ficar atento ao cenário econômico. O investidor tenta analisar qual vai ser o comportamento da taxa básica Selic no futuro.

Se o investidor achar que ela vai subir, o Tesouro Selic (LFT), que é indexado à taxa, é a aplicação ideal. O título vai flutuar junto com essa subida. O retorno vai aumentando também. A vantagem dessa escolha é que ela tem baixa volatilidade. Então, se o investidor precisar vender o título antes do vencimento, ele tende a evitar maiores perdas.

Caso aposte na queda dos juros, a aplicação deve ser no Tesouro Prefixado (LTN), em que a taxa é definida no momento da compra. Mesmo que a taxa caia, ele já trava o valor do seu retorno. No momento que compra o título já sabe o quanto vai receber, independentemente do que acontecer.

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