Impactos da Demanda Externa por Commodities e Produção de Petróleo

O melhor diagnóstico da atual conjuntura política foi apresentado por meu ex-colega do IE-UNICAMP, Luiz Felipe Alencastro: Parlamentarismo troncho já existe no país, diz historiador.

Também meu ex-colega (desde o Mestrado na UNICAMP em 1975), Júlio Gomes de Almeida, diretor do Iedi, informa que o balanço comercial total registrou, em junho de 2017, superávit de US$ 36,216 bilhões, resultado recorde da série histórica, com início em 1989. “Temos um boom de commodities que foi responsável pela alta total do balanço, ao mesmo tempo que a indústria de transformação está praticamente sem déficit. Essa combinação é rara”, disse. O emprego no resto do mundo está se recuperando. Veja acima o caso europeu. Daí melhora a demanda externa.

Mas, do lado das exportações, o destaque positivo foi setor de média-alta tecnologia, com avanço de 18,6% nas vendas externas. A alta foi puxada pelos embarques de veículos automotores, reboques e semirreboques, que avançou 36,2% no acumulado do ano, para US$ 7,5 bilhões.

Editorial (Valor, 01/07/17) dá uma atualização sintética sobre o mercado de trabalho desde o fim de 2014. Veio do IBGE o anúncio de que a taxa de desemprego ficou em 13% no segundo trimestre de 2017, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). Essa taxa é o dobro de dezembro de 2014, final da Era Social-Desenvolvimentista. A volta da Velha Matriz Neoliberal dobrou o desemprego!

Houve uma queda em comparação com os 13,7% da taxa de desocupação no primeiro trimestre, o que significa 690 mil desempregados a menos. O total de pessoas sem trabalho recuou do pico de 14 milhões para 13,5 milhões de trabalhadores, um patamar ainda elevado; e os ocupados somaram 90,236 milhões, 1,4% a mais do que no primeiro trimestre do ano.

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho já vinham apontando discreta melhora do mercado. Em junho, houve um saldo positivo de quase 10 mil vagas de empregos com carteira assinada criadas, acumulando no ano módicos 67,3 mil postos de trabalho formais a mais no país, concentrados no setor agropecuário.

O lado negativo dessas estatísticas é que a maioria dos que acabaram de entrar para o time dos empregados está sem carteira assinada, em atividades relacionadas ao comércio e serviços, onde predominam baixa remuneração e contratos informais [ou formais via “pejotização“, antecipando os impactos perversos da reforma trabalhista que cortou direitos e elevou o poder de barganha dos patrões].

De acordo com o IBGE, foram abertos no segundo trimestre 442 mil postos sem registro e 396 mil pessoas passaram a trabalhar por conta própria:

  • os trabalhadores informais somavam 10,6 milhões em junho de 2017, aumento de 4,3% no trimestre;
  • os trabalhadores por conta própria cresceram, 1,8% para 22,5 milhões de pessoas;
  • os trabalhadores formais ficaram relativamente estáveis em 33,3 milhões;
  • o número de empregadores: 4,2 milhões de pessoas;
  • os trabalhadores domésticos: 6,1 milhões de pessoas.

A força de trabalho (PEA: pessoas ocupadas e desocupadas) no trimestre de abril a junho de 2017 foi estimada em 103,7 milhões de pessoas. Esta população cresceu 0,6% (mais 599 mil pessoas) comparada ao trimestre janeiro / março de 2017 e cresceu 1,3% (mais 1,3 milhão de pessoas) em relação ao mesmo trimestre de 2016. Já a população fora da força de trabalho (64,4 milhões de pessoas) manteve-se estável em ambas as comparações. Então, a PIA (População em Idade Ativa) soma 168,1 milhões de pessoas.

O rendimento médio real habitualmente recebido em todos os trabalhos ficou em R$ 2.104 entre abril e junho, 3% maior que o apurado no mesmo período do ano passado, mas 1% abaixo do registrado no primeiro trimestre deste ano, indicando ocupação de menor remuneração e qualidade. A desaceleração da inflação tem beneficiado, porém, o poder de compra.

A massa de rendimento real habitualmente recebida por pessoas ocupadas em todos os trabalhos somou R$ 185,096 bilhões no segundo trimestre, 2,3% maior do que em igual período de 2016 e 0,5% acima do que nos três primeiros meses do ano.

É cedo ainda para se falar em recuperação do mercado de trabalho. Parou de piorar, segundo os mais otimistas. A teoria diz que o mercado de trabalho é o último a ser atingido por recessões e também o que mais demora a sair delas. As empresas geralmente evitam demitir pelos custos envolvidos e para manter os funcionários já treinados. Da mesma forma, agora demoram a contratar, pelas despesas e insegurança em relação à retomada da economia.

Há ainda os efeitos sazonais. Tradicionalmente há um aumento de contratações no segundo semestre em preparação para o esperado aumento de vendas de fim de ano. Da mesma forma que há demissões no início do ano, com a dispensa da mão de obra excedente. Há quem espere um eventual repique no desemprego no próximo ano, quando mais pessoas se animarem a buscar emprego. Muitas pessoas nem procuram colocação quando o mercado está travado demais.

Motivo para otimismo mesmo só haverá quando as contratações formais aumentarem e forem disseminadas em todos os setores. Há duas notícias que reforçam a cautela. Uma delas conta que o dinâmico polo do ABCD paulista, formado pelas cidades de Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano e Diadema, perdeu 80 mil vagas desde 2014 e não as recuperou desde então, mergulhando na recessão puxada pela indústria automobilística que domina a atividade da região. São Bernardo teve o oitavo pior desempenho do país. A situação só não ficou pior por conta do Programa de Proteção ao Emprego (PPE), criado em 2015, durante o Governo Dilma, que permite a redução de até 30% da jornada de trabalho e do salário por ano, desde que a empresa não faça demissões.

Também reflexo da piora do mercado de trabalho é a volta de 143 mil famílias ao programa Bolsa Família [criado no Governo Lula], que beneficiava 12,7 milhões de famílias em julho de 2017. A fila de espera para se candidatar ao programa também aumentou. Depois de ter sido zerada no início do ano, agora conta com 525 mil famílias.

Outro efeito favorável de investimentos realizados na Era Social-Desenvolvimentistas está sendo colhido. A produção de petróleo no Brasil em junho de 2017 totalizou 2,675 milhões de barris diários, 0,8% superior ao registrado em ante maio. Com relação a junho do ano passado, o crescimento da produção foi de 4,5%. Considerando apenas a camada pré- sal, a produção de petróleo em junho totalizou 1,353 milhões de barris diários, superando pela primeira vez a do pós-sal, que somou 1,322 milhões de barris diários.

No primeiro semestre de 2017, a produção média de petróleo no Brasil alcançou 2,63 milhões de barris diários, ligeiramente inferior (0,3%) ao verificada no segundo semestre de 2016. Com relação a igual período do ano passado, a produção média de petróleo no país cresceu 10,45%. Os dados fazem parte do boletim mensal de produção de petróleo e gás natural, divulgado ontem pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

De acordo com a agência, a produção de gás natural no país em junho de 2017 foi de 111 milhões de metros cúbicos diários, com alta de 6,1% ante maio e de 7,4% na comparação com igual período de 2016. Do total de gás produzido em junho deste ano, 4,5 milhões de metros cúbicos diários foram queimados nas plataformas. O volume é 21,6% maior em relação a maio e 27,7% superior ante junho de 2016.

O crescimento deveu-se ao início dos testes para operação da plataforma P-66, no campo de Lula, no pré-sal da Bacia de Santos. O campo de Lula foi o maior produtor de petróleo e gás do Brasil. Em média, o campo produziu 763 mil barris diários de petróleo e 33,6 milhões de metros cúbicos diários de gás natural em junho.

Com relação ao pré-sal, a produção de petróleo e gás, oriunda de 77 poços, alcançou 1,686 milhão de barris de óleo equivalente (boe) diários, com crescimento de 6,4% ante maio. Considerando os volumes de óleo e gás, a produção no pré- sal correspondeu a aproximadamente 49,6% da produção de petróleo e gás brasileiro em junho.

Da produção total de petróleo do país, 95,3% foi obtida em campos marítimos. Eles também foram responsáveis por 80,8% da produção de gás natural. Entre as concessionárias, do total de petróleo produzido em junho no país, 2,704 milhões de barris diários (77,5%) pertencem à Petrobras. A anglo-holandesa Shell está em segundo lugar com 315 mil barris diários (11,8% do total).

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