Razão do Ódio Neoliberal ao Crédito

Fonte: Elaboração dos gráficos por André Guilherme Pereira Perfeito (Flash Econômico – Gradual Investimentos)

Eu não entendia bem porque na Era Neoliberal houve queda contínua na relação crédito / PIB de 32% em 1995 para 26,1% em 2002. Sempre a gente tem dúvida se algo equivocado é fruto da ignorância ou da má fé. Geralmente, tem as duas causas.

Podia ser então incompetência dos gestores dos bancos públicos, no período, nomeados um por ser “amigo-do-rei”, isto é, do ministro da Fazenda, outro por ser conterrâneo do vice. Mas talvez se somasse a essa nomenclatura a missão de aproveitar a oportunidade para privatização dos bancos estaduais e restruturação dos bancos públicos federais. Só não foi adiante a privatização desses bancos pela reação do movimento sindical e das corporações contra o Relatório Booz-Allen Hamilton-FIPE-USP.

Até que a relação crédito / PIB cai de 54,5% em 2015 para 48,6% em 2017. Ficam claras, então, com a volta da Velha Matriz Neoliberal, a inação – a falta de ação, de trabalho, indecisão, inércia – e a inanição – um estado de debilidade extrema provocado por falta de capital. O Tesouro Nacional, depois de exigir durante anos a fio quase a metade de seus lucros como pagamento de dividendos para a elevação do superávit primário, leva agora os bancos federais, dos quais detém o controle acionário, a consumirem as próprias reservas para se manterem vivos. Perdem poder de alavancagem financeira. Esta é o segredo do negócio capitalista: usar capital de terceiros para dar escala a seus negócios particulares, pagando juros menores do que a rentabilidade obtida.

Ledo engano o meu achar o que (não) movia os neoliberais era apenas o interesse pecuniário na “privataria”. A má fé envolve também crença doutrinária – e religiosa. Continue reading “Razão do Ódio Neoliberal ao Crédito”