Advogado-do-Diabo em Defesa do Populismo

Depois de atuar como advogado-do-diabo em defesa de uma reflexão mais profunda sobre Financeirização (Advogado do Diabo em Favor da Financeirização) e Desindustrialização (Advogado do Diabo em Favor da Desindustrialização), desta feita dei uma entrevista para a gente pensar mais sobre o real significado de Populismo. No fundo, por que ele é maldito? Ou mal-amado? Não é uma questão de esnobismo?

Significado de esnobismo: s.m. Admiração inautêntica por tudo aquilo que está em voga nos ambientes que passam por refinados. / Tendência para desprezar os humildes e apreciar exageradamente a elite. / Ato de demonstrar falsa e exagerada superioridade; pernosticismo, afetação: esnobismo intelectual.

Exemplo desse esnobismo é a declaração do Armínio Fraga, ex-operador de George Soros, ex-presidente do Banco Central do FHC, ex-futuro ministro da Fazenda do Aecim, o candidato corrupto para quem trabalhou nas eleições de 2014, em entrevista (FSP, 08/08/17). Ele já ameaça a escolha democrática dos eleitores brasileiros: “Se a mudança imprimida na direção da política econômica [pelos golpistas] for mantida, consolida uma coisa muito boa” [grande depressão, desemprego para 14 milhões de pessoas, corte de direitos trabalhistas, etc.], diz. “Mas pode acontecer o contrário, uma guinada populista, e ir tudo para o brejo.”

Diz, em seu palanque no PIG, “temer [ato falho] que a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na campanha de 2018 elimine qualquer chance de um debate consistente sobre os rumos do país“.  Esse golpista neoliberal não se emenda: abomina a democracia, tem pavor do voto popular.

Viva o populismo! Morra o neoliberalismo!

Link para entrevista:
http://www.ihu.unisinos.br/569216-economia-populista-e-aquela-voltada-ao-bem-estar-social-entrevista-especial-com-fernando-nogueira-da-costa

A revista da Unisinos completa dedicada ao tema (online ou em pdf) pode ser baixada em: http://www.ihuonline.unisinos.br/edicao/508

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“Um antídoto para o vocabulário de duplo sentido em teoria econômica” por Jamie Morgan [*]

ARTIGO-RESENHA DE DIVULGAÇÃO EM PORTUGUÊS DE PORTUGAL:

Michael Hudson é professor de Teoria Económica na Universidade do Missouri, Kansas City, e do Levy Institute. Talvez seja mais conhecido pelo seu livro recente Matando o Hospedeiro (2015) —  e pelo seus artigos na [revista] Harper (2005, 2006) em que identificou aspectos chave da crise financeira que se iria manifestar em 2007-8. J for Junk Economics (Teoria económica lixo) é ostensivamente um dicionário, mas de um tipo muito inabitual.

Os verbetes típicos não tratam de termos comummente usados na teoria económica mainstream como é costume, mas procuram clarificá-los quanto às falácias e maus entendimentos que contêm e apresenta também verbetes que mostram os fundamentos dos quais decorrem as clarificações. Ou seja, a economia clássica, o pos keynesianismo, a moderna teoria monetária (MMT) e elementos de novas teorias da criação de dinheiro e da actividade do sistema financeiro, assim como certas ideias de Marx.

O âmbito da obra é eclético e pessoal e ainda assim sistemático, em certa medida coerentemente temática em relação à dinâmica estrutural e à lógica das economias contemporâneas actuais. O “dicionário” é de muitas maneiras um trabalho excelente. Contem muitas afirmações vigorosas que exprimem visões importantes de modo conciso. Faz isso de acordo com temas que acompanham directamente as preocupações mais gerais de Hudson e que são estabelecidas na introdução (ver parte 1 e parte 2) e desenvolvidas através dos verbetes (e também em cinco ensaios anexos publicados anteriormente). O prefácio apresenta um resumo do livro e de como foi preparado.

“Organizei o dicionário e os ensaios que o acompanham há mais de uma década, para um livro que seria chamado The Fictitious Economia (A economia fictícia). Não consegui editor. Minhas advertências sobre como a alavancagem da divida levaria a uma crise não o qualificavam como adequado numa altura em que proliferavam manuais de como-ficar-rico da espécie que os editores consideram ser “livros de economia”. A maior parte dos leitores estava a ganhar dinheiro fácil no mercado de acções e imobiliário… Ninguém queria ouvir dizer que os ganhos não podiam ser permanentes” (2017: p. 7)

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