Austeridade no Brasil: Corte de Direitos e Desconstrução da Cidadania

A Fundação Friedrich Ebert, que foi parceira do GT de Macroeconomia da SEP (Sociedade de Economia Política) no documento Austeridade e Retrocesso, propôs a criação do “Observatório da Austeridade“. Esse servirá para divulgar análises sobre os efeitos da austeridade e também funcionará como rede com entidades e movimentos da área social, como educação, saúde, direitos humanos,etc. que já fazem uso do discurso da austeridade e desse documento.

Nessa iniciativa, os economistas darão subsídios aos profissionais da área social com um discurso crítico à gestão do orçamento público, enquanto a área social nos ajuda a entender melhor os efeitos perversos da austeridade na população.

Nessa terça-feira (amanhã), haverá uma primeira reunião em São Paulo, com jornalistas, o pessoal da Campanha Nacional pela Educação e o pessoa de Direitos Humanos e segurança alimentar (Plataforma Dhesca).

Segue para download um “policy paper” preliminar sobre Austeridade no Brasil, que servirá de subsidio para esse debate:  FES – Austeridade e Impactos no Brasil

O custo social da overdose de juros de 14,25% aa durante quinze meses está em 14 milhões de desempregados . Para que serve a queda de inflação se a pessoa deixa de receber salário?!

Após a primeira deflação desde 2006, em junho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou para 0,24% em julho, puxado por dois itens administrados: a energia elétrica e os combustíveis. Apesar da alta, há um cenário de Grande Depressão: efeito do choque favorável de preços dos alimentos e da fraca demanda.

O sinal mais evidente de que a descompressão continua veio do indicador acumulado em 12 meses, que recuou para 2,71% em julhoa menor taxa desde fevereiro de 1999 (2,24%). Para que isto?!

A inflação subjacente dos serviços desacelerou de 4,7% em junho para 4,5% em julho, pelo indicador acumulado de 12 meses. O índice de difusão – que mede o percentual de itens em alta – foi de apenas 41,8%, segundo cálculos da MCM Consultores. É o mais baixo índice desde meados de 1999.

Há de se tomar cuidado quanto à análise de que já se atingiu o “fundo-do-poço” e daí qualquer pequena melhoria deverá ser comemorada.

Por exemplo, “o forte recuo da inflação tem feito o Índice de Miséria cair ininterruptamente ao longo do último ano. Desde agosto de 2016, o indicador vem sinalizando melhora na sensação de bem-estar da população”. O que é isso?!

O retorno a um nível próximo ao período pré-golpismo, quando voltou a Velha Matriz Neoliberal, no entanto, deve ficar apenas para o fim do ano que vem, quando um novo governo deverá ser eleito democraticamente.

O Índice de Miséria é calculado pelo banco Fibra e combina inflação e emprego para reproduzir, de maneira simplificada, a sensação de bem-estar das famílias. Ele foi criado pelo economista americano Arthur Okun no começo dos anos 70, com o nome de Índice de Desconforto, rebatizado posteriormente pelo ex-presidente Jimmy Carter.

O recuo do indicador nos últimos meses reverte um processo também brusco e ininterrupto de alta que durou mais de um ano. De dezembro de 2014 a janeiro de 2016, o Índice de Miséria subiu sem pausas, começando em 13,4% e chegando a 20,5%. Quanto mais próximo zero, melhor é considerada a situação do país.

O auge da série histórica, iniciada em 2012, foi atingido em agosto do ano passado, quando o índice chegou a 20,6%. Desde então, ele vem caindo até chegar a 15,8% em junho deste ano de 2017.

É mais uma curva em U (invertido ou não) que demonstra o fracasso da volta da Velha Matriz Neoliberal. Os economistas neoliberais midiáticos a defendem diariamente, mitificando-a, porém sem conseguir esconder a dura realidade apresentada pela vida real e confirmada pelas estatísticas.

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