Risco Lava-Jato: Corte de Crédito para Grandes Empresas

Vinicius Pinheiro (Valor, 24/08/17) afirma que, historicamente com risco muito baixo, o crédito às grandes empresas virou um grande risco para os bancos desde o agravamento da crise. O índice de inadimplência no segmento, que era de apenas 0,38% no fim de 2014, quase triplicou e encerrou o ano passado em 1,09%, de acordo com dados do Banco Central. Incluindo as dívidas que tiveram de passar por algum tipo de reestruturação, o índice sobe para 1,53%.

Como o risco de calote antes da crise era baixo, os empréstimos concedidos antes da crise também contavam com margens menores. O retorno obtido com a carteira de grandes empresas, que já era apertado, foi corroído com a alta da inadimplência.

O problema pode ser medido pelo número de pedidos de recuperação judicial, que atingiu quase 4 mil desde 2015, de acordo com dados da Serasa Experian. Desse total, 16% vieram de companhias de maior porte. Entre elas, gigantes como a operadora de telefonia Oi e a incorporadora imobiliária PDG Realty.

Além do balanço e das perspectivas para o setor das empresas que batem à porta dos bancos em busca de dinheiro, a análise dos financiamentos passou a incorporar o chamado “risco Lava-Jato”. Na prática, isso significou a redução ou até mesmo corte de limites para empresas ligadas aos setores de infraestrutura e óleo e gás. Só para fazer frente ao calote da Sete Brasil, fornecedora de sondas da Petrobras, os bancos precisaram reforçar as reservas contra calotes em pelo menos R$ 8,7 bilhões.

Depois de sofrerem calotes que custaram bilhões em provisões nos últimos anos e pisarem no freio na concessão de crédito em meio à crise, os bancos sinalizaram que, mesmo com a retomada da atividade, o crescimento da carteira de financiamento a grandes empresas deve perder força daqui para frente. As companhias continuarão tendo acesso ao crédito bancário, mas os recursos de longo prazo deverão vir principalmente de fontes alternativas, como o mercado de capitais. Continue reading “Risco Lava-Jato: Corte de Crédito para Grandes Empresas”

Círculo Vicioso: Corte de Gastos – Grande Depressão – Queda de Arrecadação

Ribamar Oliveira (Valor, 28/08/17) avalia que os dados sobre a arrecadação de tributos federais em julho reforçam um fenômeno para o qual os técnicos da Receita Federal ainda não têm uma explicação. O pagamento de impostos e contribuições pelas entidades financeiras desabou também em julho de 2017.

No caso do Imposto de Renda (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), os pagamentos caíram 66,7%, em termos reais, na comparação com julho de 2016. No caso da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), a queda real no mês passado foi de 38,8%, na mesma comparação.

Somente com esses quatro tributos (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins) as entidades financeiras pagaram R$ 3,864 bilhões a menos no mês passado na comparação com julho de 2016. Não consta que a lucratividade das instituições financeiras tenha caído tanto. Então, qual será a explicação? Continue reading “Círculo Vicioso: Corte de Gastos – Grande Depressão – Queda de Arrecadação”