Das Relações Mútuas Entre Os Cidadãos

Agora passo a expor as ideias de Thomas More, autor do livro Utopia (1516), sobre as relações dos cidadãos entre si, seu comércio e a lei da distribuição das coisas necessárias à vida.

A cidade inteira se divide em quatro quarteirões iguais. No centro de cada quarteirão, encontra-se o mercado das coisas necessárias à vida. São depositados aí os diferentes produtos do trabalho de todas as famílias. Esses produtos, depositados primeiramente nos entrepostos, são em seguida classificados nas lojas de acordo com sua espécie.

Cada pai de família vai procurar no mercado aquilo de que tem necessidade para si e os seus. Tira o que precisa sem que seja exigido dele nem dinheiro nem troca.

Jamais se recusa alguma coisa aos pais de família. A abundância sendo extrema, em todas as coisas, não se teme que alguém tire além de sua necessidade.

De fato, aquele que tem a certeza de que nada faltará jamais, não procurará possuir mais do que é preciso. O que torna, em geral, os animais cúpidos e rapaces é o temor das privações no futuro. No animal humano em particular, existe uma outra causa de avarezao orgulho, que o excita a ultrapassar em opulência os seus iguais e a deslumbrá-los pelo aparato de um luxo supérfluo.

Mas as instituições utopianas tornam este vício impossível. Continue reading “Das Relações Mútuas Entre Os Cidadãos”