Impressões sobre XXII Congresso Brasileiro de Economistas

Estive no XXII Congresso Brasileiro de Economia, realizado em Belo Horizonte de 6 a 9 de setembro. Assisti e participei do debate com os palestrantes em três mesas: Ensino de Economia e Futuro da Ciência Econômica, A Economia Brasileira na Perspectiva do Jornalismo Econômico, Economia Brasileira e Internacional: Cenários e Perspectivas. Fui palestrante e debatedor na mesa final sobre Política Macroeconômica e a Retomada do Crescimento. Além desses debates, assisti as apresentações em comemoração aos 200 anos da publicação da obra Princípios de Economia Política e Tributação de autoria de David Ricardo e 150 Anos da Publicação do Volume 1 de O Capital por Karl Marx.

Elogiado pelos participantes pela programação e qualidade dos debates promovidos, o CBE também se destacou pela presença expressiva de estudantes. Ao todo, quase 1.200 pessoas de 26 estados estiveram no Minas Centro, em Belo Horizonte, prestigiando a programação do evento.

Um estudo de autoria do professor Roberto Macedo (ex-FEA-USP), publicado na revista Economistas do COFECON em março de 2016, analisa os microdados do Censo de 2010. Considerando o maior nível de instrução, identifica 234.287 graduados, 18.341 mestres e 5.410 doutores na área de Economia. Entre os graduados, 59.346 são presumivelmente aposentados ou desempregados. A participação dos mestres e doutores é maior e crescente nas faixas etárias mais jovens.

Segundo os dados da DataViva sobre o Ensino Superior de Economia no Brasil, o curso de Economia é o 37º em número de matrículas no Brasil. A universidade que possui mais alunos é Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, com 1,64 mil estudantes. No total, o curso de Economia possui 49,4 mil alunos matriculados em todo o país. Nos últimos seis anos (2010 a 2015), foram 36,6 mil concluintes, ou seja, a média de 6,1 mil / ano. Se essa fosse a média nos últimos 35 anos (e todos os concluintes exercessem a profissão), estariam na vida profissional ativa cerca de 213,4 mil economistas. Em 2015, número de alunos matriculados atingiu 50,4 mil, o número de ingressantes, 12,6 mil, e o número de concluintes, 6,23 mil. Para comparação, nesse ano, o IE-UNICAMP tinha 547 matriculados e teve 91 concluintes com idade média de 22 anos.

Pelo segundo ano consecutivo o Instituto de Economia da Unicamp foi premiado pelo Conselho Federal de Economia (Cofecon) como destaque acadêmico do ano. Abaixo meu colega Paulo Fracalanza (diretor do IE-UNICAMP) e meu ex-colega (VP da Caixa) Paulo Bretas (presidente do CORECON-MG).

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Da Economia dos Utopianos

Toda a república utopiana é como uma única e mesma família, afirma Thomas Morus no livro “Utopia” (1516).

A ilha é sempre abastecida por dois anos, na incerteza de uma boa ou má colheita para o ano seguinte. Exportam-se para fora da ilha os gêneros supérfluos, tais como trigo, mel, lã, linho, madeiras, matérias para tinturas, peles, cera, sebo, animais.

A sétima parte dessas mercadorias é distribuída aos pobres do país para onde se exporta. O resto é vendido a um preço moderado. Este comércio permite à Utopia importar não somente objetos de necessidade, o ferro, por exemplo, como, também, uma massa considerável de ouro e prata.

Desde que os utopianos praticam este negócio que acumularam uma quantidade incrível de riquezas. É por isso que lhes é indiferente, hoje, vender a vista ou a prazo.

Habitualmente, recebem vales em pagamento, mas não se fiam em assinaturas individuais. Os vales devem estar revestidos das formas legais e garantidos à fé e selo da cidade que os aceita. No dia do vencimento, a cidade signatária exige o reembolso aos devedores particulares. O dinheiro é depositado no tesouro público e o seu valor é garantido até que os credores utopianos o reclamem.

Estes não reclamam quase nunca o pagamento da dívida inteira. Acreditariam cometer uma injustiça, tirando a um outro uma coisa que lhe é necessária e que para ele é inútil. Continue reading “Da Economia dos Utopianos”