Quem disse “não temer impopularidade” teme a democracia eleitoral

É divertido ver o desespero da centro-direita brasileira ao constatar nas pesquisas eleitorais que seus candidatos não decolam. Com sua parcialidade característica o Editorial da FSP (01/10/17) registra: “O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, um dos nomes que poderiam ocupar essa faixa, ainda disputa com o prefeito paulistano João Doria a candidatura do PSDB. Nos diversos cenários, ambos aparecem em posição equivalente, sem superar 10% das intenções. É plausível que candidaturas moderadas venham a conquistar terreno na disputa. Afinal, parte relevante do eleitorado evita os extremos do espectro ideológico, aproximando-se do centro. Se confirmada, a expectativa de aceleração da economia no próximo ano também concorre, em tese ao menos, para esvaziar radicalismos”. Snif, snif… Como fazer voar meus tucanos?

Veja como o “neutro” Editorial torce (e distorce) contra o líder de todas as pesquisas, ou seja, o candidato mais popular, Lula. Afirma que sua popularidade é “por ter governado em época de vacas gordas”! Ora, “o olho do dono engorda os bois”… 🙂

Os paulistanos esnobes não conseguem entender o que denominam de “populismo”, isto é, quem beneficia o povo tem logicamente maior preferência popular em relação a “quem não se importa com a impopularidade”. Veja o ódio popular ao governo temeroso que o PIG colocou no Poder. E ainda quer eleger gente aliada a ele!

I Seminário Paraense de Estudos sobre John Maynard Keynes

O Grupo de Pesquisa Novo Institucionalismo Econômico e Fronteiras (GNIEF), liderado pelo Prof. André Cutrim Carvalho, junto com o Centro Acadêmico de Economia (CAECON), ambos da UFPA, solicitou minha ajuda no processo de divulgação do “I Seminário Paraense de Estudos sobre John Maynard Keynes“.

O economista John Maynard Keynes continua sendo uma das principais referências intelectuais – se não a mais importante – na compreensão da economia capitalista contemporânea. O I Seminário Paraense de Estudos sobre John Maynard Keynes nasce, portanto, com o intuito de prestar uma justa homenagem ao maior economista do século XX, e vai além ao promover pela primeira vez na Amazônia brasileira um debate sobre a Crise Econômica no Brasil e no Estado Pará na perspectiva de Keynes.

Desigualdade Menor na Distribuição de Renda do Trabalho X Desigualdade Maior na Distribuição da Renda do Capital Financeiro

Lígia Guimarães (Valor, 21/09/17) informa que, nas últimas décadas, a enorme distância que historicamente existe entre a renda dos brasileiros mais ricos e dos mais pobres mudou bem menos do que os não especialistas imaginavam há até pouco tempo. Estudos recentes, que utilizam dados do Imposto de Renda para medir melhor o quanto ganham os mais ricos do que as tradicionais pesquisas domiciliares , indicam que a desigualdade de renda total (trabalho e capital) não caiu nos anos 2000 — ou, se houve queda, foi muito modesta.

Ocorreu, sim, avanço social expressivo no período. Entre 2007 e 2015, por exemplo, a renda cresceu para todas as faixas de renda da população. O que ocorreu, e parece explicar porque a desigualdade continua estável, é que enquanto a pobreza despencava e os mais pobres ampliavam o acesso a bens e serviços públicos, a renda dos mais ricos aumentava em ritmo ainda mais forte, na opinião de alguns dos principais especialistas em desigualdade e pobreza.

Em 2015, depois de 15 anos em que a economia cresceu a uma média de 2,85% ao ano, os 10% mais ricos (faixa com renda média de R$ 140 mil por ano ou R$ 11,6 mil mensais) continuavam a se apropriar de mais da metade da renda nacional.

Nos cálculos do World Wealth and Income Database (WID.world), por exemplo, a renda total da população cresceu 7,2% entre 2007 e 2015 [e o PIB caiu -7,2% no biênio 2015-16]:

  • 60,5% desse crescimento, no entanto, foi capturado pelos 10% mais ricos;
  • os 50% mais pobres se apropriaram de somente 19,1% desse crescimento;
  • os 40% restantes absorveram 20,4% do total.

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