Documentário Brasil, O Grande Salto Para Trás

Documentário Brasil, o grande salto para trás – Brésil, Le grand bond en arrière – Frédérique Zingaro e Mathilde Bonnassieux – 2017 – 55 min. (legendado).

Ladislau Dowbor enviou-me a dica do documentário europeu sobre o golpe no Brasil e o atraso social, econômico e político que está sendo gerado. Independentemente de firulas jurídicas e aparências de ritos legais, o fato é que assumiu o poder e toma medidas absurdas um governo com 3% apenas de aprovação.

No plano internacional a compreensão está finalmente se enraizando, de que um governo que toma medidas antipopulares e com esse nível de rejeição confirma a violação de procedimentos democráticos e caracteriza um golpe jurídico-parlamentar. Se não é golpe na origem, é golpe nos resultados. O silêncio das panelas é impressionante. Confira em: https://www.youtube.com/watch?v=XDZ5UtlsqdA

Bolha de Commodities Infla-Desinfla-Reinfla: Crescimento Insustentável da Economia Brasileira

Demanda Externa => arranque
Demanda Interna => sustentação

A Carta IEDI 811 resenha o Panorama da Economia Mundial (World Economic Outlook – WEO) de outubro de 2017, divulgado pelo FMI. Ele prevê um crescimento de 3,6% da economia mundial em 2017 frente ao percentual de 3,2% em 2016.

Diagnosticar que “as perspectivas para a economia brasileira também melhoraram desde abril, passando de um crescimento previsto de 0,2% para 0,7% em outubro de 2017, ou seja, uma taxa muito baixa e insuficiente para elevar o dinamismo da região como um todo” é querer “vender otimismo”. Os principais fatores subjacentes a essa revisão foram:

  1. o bom desempenho da safra agrícola e
  2. os pequenos efeitos dinamizadores sobre o consumo das famílias dos saques das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) autorizados em maio.

Contudo, a projeção para 2018 foi rebaixada de 1,7% em abril para 1,5% em função de:

  1. o desempenho medíocre do investimento e
  2. as incertezas políticas provocadas pelo golpe semi parlamentarista de corruptos.

O maior ritmo de expansão das economias avançadas e emergentes e em desenvolvimento exerceu pressão altista sobre os preços das commodities primárias, o que, por sua vez, favoreceu o desempenho exportador dos países exportadores desses bens. Contudo, embora as cotações estejam bem acima do patamar registrado em 2016, a trajetória ascendente foi revertida entre fevereiro e agosto de 2017 (datas de fechamento dos cenários de abril e outubro) nos mercados de commodities energéticas e agrícolas, enquanto os preços metais registraram alta moderada.

Dos US$ 107,7 bilhões embarcados pelo Brasil no primeiro semestre de 2017, mais de 30% – US$ 34,8 bilhões – foram em minério de ferro, petróleo e soja. Enquanto a exportação do grão subiu 20% de janeiro a junho deste ano em relação a iguais meses de 2016, a de minério de ferro quase dobrou, com alta de US$ 4,7 bilhões para US$ 8,9 bilhões. A venda de petróleo mais do que dobrou no mesmo período, de US$ 4 bilhões para US$ 9,2 bilhões.

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Necessidade de Reforma do Modelo Brasileiro de Cartões de Pagamento

A missão social dos bancos, enquanto concessões públicas para operar com recursos de terceiros, seria cumprir três funções básicas.

  • Primeira, viabilizar o sistema de pagamentos eletrônicos, inclusive do varejo.
  • Segunda, oferecer rendimento, segurança e liquidez aos investimentos de seus clientes.
  • Terceira, financiar atividades com crédito preferencialmente farto e barato. Com isso o sistema multiplicaria a moeda bancária.

Na Era Social-Desenvolvimentista, iniciou-se uma fase na história bancária brasileira caracterizada pelo acesso popular à cidadania financeira, isto é, a bancos e crédito. A “bancarização” avançou no Brasil, chegando a 72,4% em 2008, quando era menos da metade disso na Era Neoliberal. O processo teve continuidade até atingir 90,4% da população brasileira com mais de 15 anos em 2016. Estavam registrados, no Banco Central, 144 milhões de CPFs ativos (e únicos) dessas pessoas consideradas adultas.

No último dia de agosto de 2017, a estatística de relacionamentos com clientes do sistema financeiro nacional mostrava 150,2 milhões de CPFs ativos. Considerando também os 8,3 milhões com relacionamentos inativos praticamente abrangia toda a população adulta. CNPJs ativos eram 10,4 milhões e inativos, 4,5 milhões.

Os bancos constituintes do “big five – Banco do Brasil (35,9 milhões), Bradesco (23,1 milhões), Itaú (21,9 milhões), Caixa (19,2 milhões) e Santander (9,2 milhões) – somam 109,5 milhões de correntistas que escolhem, corretamente, “grandes bancos demais para falir”. São quase ¾ do total de clientes do sistema financeiro nacional. Mas considerando a quantidade de clientes registrados no SCR – Sistema de Informações de Crédito do Banco Central os números e percentuais por banco diferem, pois do total de 126,4 milhões, em março de 2017, Bradesco tinha 22%, Itaú 20%, Caixa 12%, BB 9% e Santander 8%. Têm um Market-share próximo daquele dos correntistas: 71%. Continue reading “Necessidade de Reforma do Modelo Brasileiro de Cartões de Pagamento”