Energia Eólica: 51% da Geração no Nordeste

Daniela Chiaretti (Valor, 19/10/17) informa que, durante um dia, até as 18h, a energia hidráulica responde por 62,5% da geração do Brasil, as térmicas, por 24%, e eólicas, 9,6%, segundo dados do ONS, o Operador Nacional do Sistema Elétrico. O acumulado à mesma hora, no Nordeste, revela uma surpresa: são as eólicas as responsáveis por mais da metade da geração (51%) na região, seguidas pelas térmicas (32%) enquanto a energia hídrica aparecia com modestos 14%.

Este perfil energético único no país, provocado pela forte seca que deprime os reservatórios pelo quinto ano consecutivo e pela forte entrada de projetos eólicos na região, chamou a atenção da direção da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que observa que o Nordeste tornou-se um laboratório de introdução de energias renováveis na matriz brasileira.

“O Nordeste tornou-se um espelho do futuro do Brasil”, disse Luiz Augusto Barroso, presidente da EPE, durante o workshop “O Futuro do Setor Elétrico – segurança e flexibilidade nos contextos de Brasil e Alemanha“, no Rio. Continue reading “Energia Eólica: 51% da Geração no Nordeste”

Dependência de Trajetória da Economia Brasileira: Queda da Taxa de Câmbio – Queda da Taxa de Inflação – Queda da Taxa de Juro

Paulo Gala publicou em seu ótimo blog (e em Valor, 19/10/17) o artigo intitulado “O juro ‘neutro’ e a trajetória da taxa de câmbio no Brasil”. Argumenta com base na história econômica brasileira dos últimos 30 anos que a dependência de trajetória – “a história importa” – aponta para a sequência contumaz choque cambial – choque inflacionário – choque de juros – e vice-versa: apreciação da moeda nacional ou queda da taxa de câmbio – queda da taxa de inflação – queda da taxa de juro.

Na realidade, quando se examina as três séries históricas de câmbio, juro e inflação, em bases anuais (ver gráfico acima), dá para perceber que, para um teste de hipótese mais profundo, é necessário as transformar em séries mensais e agrupar suas variações em três diferentes componentes:

  1. tendência da variável durante um longo período: um movimento persistente em alguma direção;
  2. oscilações de diferentes tipos (variações sazonais), de maior ou menor regularidade (movimentos cíclicos), sobrepostas à tendência;
  3. variações residuais ou irregulares em função de eventos isolados ou influências casuais; constituem-se de qualquer valor registrado na série diferente do que é esperado da tendência e das oscilações do período precedente.

À primeira vista, além da taxa de câmbio, há outros fatores componentes das variações da taxa de inflação. Esta ficou estável abaixo do teto da meta (6,5% aa) entre 2005 e 2014. Enquanto isto, a taxa de juros oscilou em um stop-and-go. Além de só permitir “voos-de-galinha” para a economia brasileira, arbitrada discricionariamente, a taxa de juros disparatada no Brasil demonstra ter um conflito de interesses por trás porque de maneira sistemática:

  1. beneficia a renda do capital financeiro e prejudica a renda do trabalho;
  2. aumenta o desemprego e diminui o custo unitário do trabalho;
  3. evita a “eutanásia dos rentistas“, de imediato, mas reprime apenas temporariamente o conflito distributivo que reaparece mais adiante sob forma de mais inflação.

Parece ser simples assim, mas os economistas neoliberais “douram a pílula” com a argumentação da “taxa de juro neutra”. Esta é a velha taxa de juro natural, constatada ex-post, segundo o processo cumulativo elaborado conceitualmente por Knut Wicksell na virada do século XIX para o XX. Reproduzo abaixo o artigo de Paulo Gala. Continue reading “Dependência de Trajetória da Economia Brasileira: Queda da Taxa de Câmbio – Queda da Taxa de Inflação – Queda da Taxa de Juro”