Dica para Cinéfilo: “Eu não sou Madame Bovary”

Eu curto muito todos os filmes realistas sobre a China contemporânea do diretor chinês Jia Zhangke. Ele é geralmente considerado como a figura de proa da “sexta geração” do cinema chinês, grupo que inclui também os realizadores Wang Xiaoshuai e Zhang Yuan.

Os primeiros filmes de Zhang Ke, uma triologia inspirada na sua província natal Shanxi, foram feitos fora dos apoios estatais chineses, e são, por isso, considerados filmes independentes. A partir de 2004, o prestígio de Zhang Ke aumentou, tendo lhe sido permitido filmar o seu quarto filme, em inglês The World, com apoio do Estado.

Os filmes de Jia Zhang Ke têm recebido louvor crítico e obtido reconhecimento internacional, o mais notável dos quais o prémio máximo no Festival de Veneza para o filme Still Life, de 2006. Tem sido descrito por alguns críticos e cineastas como possivelmente “o cineasta em atividade mais importante do mundo”. Em 2015, foi lançado Jia Zhang Ke: Um Homem de Fenyang, documentário sobre a vida e a obra cinematográfica do chinês através do olhar do cineasta brasileiro Walter Salles.

Eu não conhecia o trabalho de Feng Xiaogang, nascido em 1958 em Pequim (China) — foi uma descoberta para mim eu assistir ontem seu filme “Eu não sou Madame Bovary”. Ele é diretor de cinema, roteirista e ator chinês. Ele é bem conhecido na China como sendo um cineasta comercial altamente bem-sucedido, cujos filmes de comédia vão consistentemente bem nas bilheterias, embora o Feng tenha ido além desse gênero, passando a fazer recentemente também filmes de drama ou drama de época.

Filho de um professor da faculdade e enfermeiro de fábrica, ele juntou-se à Organização Militar de Pequim da Região de Pequim como designer de palco após o ensino médio. Ele começou seu trabalho de cinema como designer de arte no Beijing Television Art Center em 1985. Mais tarde, ele passou a escrever roteiros. Durante este período, ele trabalhou em estreita colaboração com o diretor Zheng Xiaolong e escritor Wang Shuo.

No final da década de 1990, o Feng estabeleceu-se em um gênero chamado “Hesui Pian , ou “New Year’s Celebration Films” no cinema chinês. Ele provavelmente alcançou sua fama como o diretor do filme The Dream Factory (1997). Tendo alcançado o sucesso diante da concorrência de Hollywood na China continental, a avaliação de crítico de cinema é que “o cinema de entretenimento de Feng Xiaogang representa um novo modelo de cinema nacional chinês que se posiciona em relação a Hollywood”.

Feng é conhecido por fazer comédias no dialeto de Pequim. Nos últimos anos, ele se afastou de apenas fazer filmes de comédia para dirigir drama e filmes baseados em teatro de época.

Sinopse:

De acordo com as leis chinesas, casais podem ter apenas uma propriedade no nome de ambos. Desejando comprar uma segunda propriedade, Li Xuelian faz um acordo com o marido para criarem um falso divórcio.

Uma vez separados, ela descobre que o marido está com outra mulher. Pior ainda, ele acusa a esposa de também se envolver com outros homens. Enfurecida com as acusações, Li Xuelian vai à polícia para explicar o caso, anular o falso divórcio e iniciar outro divórcio, desta vez por motivos legítimos.

A camponesa do interior chinês considera que foi enganada pelo marido em um ‘falso’ divórcio combinado pelos dois. Ela, então, decide batalhar para poder se defender em um tribunal superior, saindo de sua pequena cidade rumo à capital Pequim. Os anos passam, e ela continua a processar o Estado chinês por não reconhecer suas demandas. Ela aborda juízes, secretários e prefeito nas ruas, lança-se na frente de seus carros e até mesmo procura cúmplices para ajudá-la a matar todos eles.

Com esse roteiro, Feng Xiaogang revela a reação individual de uma mulher batalhadora contra o Estado totalitário, mas, ao mesmo tempo, a subordinação à intervenção estatal em assuntos privados e/ou familiares. Ninguém é inocente. O ser humano possui uma imensa capacidade de adequação não conformista ao ambiente. Reage em busca do auto interesse com comportamento racional — e também emocional.

Trata-se de um extraordinário filme com base na Filosofia chinesa, isto é, a sabedoria de viver e reagir às condições adversas.

Não vou falar sobre a estética original do filme para não tirar o encantamento da descoberta. Veja uma pequena amostra no trailer acima e nas fotos abaixo.

Título Original: Wo bu shi Pan Jin Lian aka I Am Not Madame Bovary
Título no Brasil: Eu Não Sou Madame Bovary
Direção: Xiaogang Feng
Gênero: Comédia/Drama
Ano de Lançamento: 2016
Duração: 128 min
País: China

Torrenthttp://filmescult.com.br/eu-nao-sou-madame-bovary-2016/

 

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