Complexidade das Exportações do Brasil e Concorrência da China

A Carta IEDI n. 826 apresenta um  estudo que retoma trabalhos anteriores do IEDI sobre o tema da concorrência entre Brasil e China no comércio internacional, realizando uma análise da complexidade econômica do total de produtos exportados por esses países, bem como daqueles bens direcionados para os três principais mercados de destino das exportações brasileiras de manufaturados (Mercosul, Aladi e Nafta). Estudos anteriores podem ser consultados a partir das Cartas IEDI n. 590 de 20/09/2013 “O Dinamismo Exportador do Brasil e a Ameaça das Exportações Chinesas no Após Crise”, n. 716 de 26/01/2016 “Complexidade das Exportações Brasileiras: De Mal A Pior” e n. 769 de 20/01/2017 “Exportação de manufaturados: Concorrência China x Brasil”.

Nesta Carta, os últimos dados disponíveis, referentes ao ano de 2016, são comparados com os resultados de 2012, tomando como base as informações do Atlas da Complexidade Econômica (http://atlas.cid.harvard.edu/), que reúne uma série de indicadores de complexidade dos bens exportados por diferentes países. Para obter os dados de complexidade por produto exportado para os países que integram Mercosul, Aladi e Nafta, as informações foram cruzadas com as informações de comércio por produto do Trademap, construído pelo Centro de Comércio Internacional (ITC) da UNCTAD/WTO.

De acordo com os economistas que elaboraram o Atlas da Complexidade Econômica, Ricardo Hausmman e César Hidalgo (respectivamente da Universidade de Harvard e do Instituto Tecnológico de Massachusetts – MIT), a complexidade das exportações é determinante para o crescimento econômico de longo prazo dos países. Isto porque, alguns conjuntos de produtos no núcleo do tecido produtivo são mais essenciais para dinamizar outras atividades produtivas, por conta de seus efeitos de encadeamento e transbordamento, ou seja, por estabelecerem mais conexões com o restante das atividades econômicas. Neste grupo estão, principalmente, produtos eletrônicos, máquinas, materiais para construção, químicos e produtos relacionados à saúde).

Os dados mostram que o Brasil melhorou sua posição no ranking de complexidade econômica entre 2012 e 2016, passando do 50o. para o 42o. lugar. Contudo, nesse período, o Índice de Complexidade Econômica (ICE), além de ter diminuído, se tornou negativo. Ou seja, outros países devem ter apresentado uma redução maior no ICE, resultando na melhora da posição relativa do Brasil.

Esse resultado está em linha com a evolução do Brasil no ranking global de exportações de manufaturados, em que a posição do país, embora marginal, avançou do 31º para o 30º lugar entre 2015 e 2016 (de 0,59% para 0,61% do total), em muito devido ao recuo das exportações mundiais de manufaturados já que a alta das vendas externas desses bens pelo Brasil foi de apenas 1,8% no período.

Já a análise das exportações brasileiras e chinesas para os países do Mercosul, Aladi e Nafta, qualificando o tipo de produto exportado a partir do Índice de Complexidade do Produto (ICP), contribui para a compreensão dos determinantes da interrupção no biênio 2012-2015 da tendência de aumento da especialização das exportações brasileiras em produtos pouco dinâmicos observada entre 2008 e 2012.

O Brasil procurou se adaptar ao avanço da concorrência chinesa em seus principais mercados externos não apenas por meio da exportação de produtos de baixa complexidade, mas também exportando produtos de maior complexidade, como os da indústria de máquinas, em especial a automotiva, beneficiados pelos acordos comerciais com alguns países dessas regiões. Entretanto, a China destacou-se em produtos ainda mais sofisticados (sobretudo eletrônicos), resultado também associado a acordos comerciais entre países latino-americanos e países externos à região.

Frente à concorrência chinesa, os avanços do Brasil permanecem limitados, devendo o país:

  1. aumentar suas exportações de manufaturados de maior complexidade e
  2. ampliar suas competências produtivas em direção a bens similares dos que já produz.

Além disso, vale ressaltar a importância de participar de acordos comerciais que envolvam produtos de maior complexidade econômica, notadamente com os países com os quais já apresentamos laços comerciais estreitos em manufaturados, como Mercosul, Aladi e Nafta.

Introdução

O presente estudo retoma o tema da concorrência entre Brasil e China na exportação de manufaturados, já abordado nas Cartas IEDI n. 590 e 769. Na primeira Carta avaliou-se o impacto da concorrência das exportações chinesas sobre as exportações brasileiras, após a crise financeira global, nos principais mercados regionais de destino das vendas externas do Brasil – Mercosul (Argentina, Uruguai, Paraguai), Aladi (Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, ou seja, os principais países dessa região excluindo os membros do Mercosul e o México) e Nafta (EUA, Canadá e México). Na segunda Carta, as informações foram atualizadas para 2015. Nos dois casos, foram calculados indicadores de dinamismo e de grau de ameaça para as exportações dos dois países (em termos agregados e setoriais) a partir dos dados da COMTRADE – organismo da ONU para o comércio internacional.

Os resultados mostraram que, considerando os dois critérios (dinamismo e grau de ameaça), a trajetória de aumento da concorrência das exportações chinesas entre 2008 e 2012 e a tendência de aumento da especialização das exportações brasileiras em produtos pouco dinâmicos nessas três regiões (Mercosul, Aladi e Nafta) foram interrompidas no triênio subsequente (2012 a 2015). Contribuíram para esse resultado fatores externos e internos, dentre os quais a apreciação do renminbi, a depreciação do real e a recessão doméstica. Também se concluiu que estudos adicionais seriam necessários para identificar de forma mais precisa os determinantes da interrupção dessa tendência e, assim, auxiliar na elaboração de recomendações de política.

Este trabalho, por sua vez, contribui para a identificação desses determinantes a partir da análise da complexidade econômica do total de produtos exportados pelo Brasil e pela China (primeira seção), bem como daqueles direcionados para as três principais regiões de destino das vendas externas brasileiras, acima mencionadas (segunda seção).

Os resultados de 2012 foram comparados com os de 2016 (última informação disponível) com base nas informações do Atlas da Complexidade Econômica (http://atlas.cid.harvard.edu/), que reúne uma série de indicadores de complexidade dos bens exportados por diferentes países. Para obter os dados de complexidade por produto exportado para os países que integram essas regiões, as informações desse Atlas foram cruzadas com as informações de comércio por produto do Trademap, construído pelo Centro de Comércio Internacional (ITC) da UNCTAD/WTO.

O Atlas da Complexidade é resultado do trabalho dos economistas Ricardo Hausmman e César Hidalgo (respectivamente da Universidade de Harvard e do Instituto Tecnológico de Massachusetts-MIT dos Estados Unidos), que argumentam que a complexidade das exportações é determinante para o crescimento econômico de longo prazo dos países. Isto porque, alguns conjuntos de produtos no núcleo do tecido produtivo são mais essenciais para dinamizar outras atividades produtivas, por conta de seus efeitos de encadeamento e transbordamento, sejam de oferta (porque reduzem custos produtivos e geram progresso técnico) sejam de demanda (porque criam e expandem mercados).

Em outras palavras, alguns setores produtivos estabelecem mais conexões com o restante das atividades econômicas. Neste grupo estão, principalmente, produtos eletrônicos, máquinas, materiais para construção, químicos e produtos relacionados à saúde. Já petróleo cru, algodão, arroz e soja tendem a ter menor conectividade e complexidade. Petróleo refinado, em contrapartida, é um dos produtos mais complexos, o que sinaliza que exportar recursos naturais não significa necessariamente uma baixa capacidade tecnológica. Sua transformação produtiva pode, na verdade, gerar bens de alto valor agregado (ver Carta n. 716, que analisou o Atlas da Complexidade de 2014).

A mudança de foco do dinamismo e grau de ameaça (disponível em termos gerais e setoriais) para o perfil de complexidade das exportações (disponível para cada produto individual) pode fornecer subsídios para a elaboração de uma estratégia de política industrial, tecnológica e de comércio exterior que favoreça a penetração de nossas exportações de manufaturados nas três principais regiões de destino e que estimule a integração da indústria brasileira nas cadeias regionais e globais de valor, mediante a diversificação da base industrial e investimentos no mercado regional. Esse movimento revela-se fundamental uma vez que as exportações brasileiras de bens manufaturados para os países latino-americanos das regiões analisadas foram negativamente afetadas pelos múltiplos acordos comerciais que têm sido assinados com países externos à região, que acabam beneficiando produtos provenientes de países com vantagens competitivas, como a China.

O comércio exterior brasileiro e chinês por complexidade econômica

O comércio exterior brasileiro foi superavitário em 2012 e 2016, apresentando uma pequena melhora no saldo em 2016. Embora tanto as vendas como as compras externas tenham recuado nesse último ano, o recuo das importações foi mais intenso. Também houve uma mudança na composição do saldo: o déficit com o Nafta diminuiu e o superávit com o Mercosul aumentou.

O crescimento econômico e a demanda externa da China tiveram um papel importante no desempenho do comércio exterior brasileiro no período analisado. Por um lado, as exportações brasileiras foram impulsionadas pelas vendas externas de commodities, o que proporcionou um superávit comercial com a China nos dois anos considerados. Esse saldo aumentou significativamente em 2016 em decorrência, principalmente, da redução das importações com a China. Contudo, como discutido nas cartas IEDI n. 590 e 769, com a estratégia chinesa de aumentar sua presença nos países emergentes, como resposta à redução do dinamismo do comércio internacional após a crise financeira e econômica global de 2008-2009, suas exportações têm tido um efeito negativo sobre as exportações brasileiras para mercados tradicionais de destino de bens manufaturados, como Mercosul e Aladi.

Considerando a composição das exportações brasileiras, nota-se uma alta participação de produtos minerais, alimentos e produtos vegetais, que em 2012 representavam cerca de 50% da pauta do país (cada setor é representado por uma cor na figura abaixo). Em 2016, esses três grupos mantiveram sua importância, mas a participação de produtos de transporte e de origem animal avançou. Já na pauta de exportação da China, nos dois anos analisados, predominavam os produtos manufaturados mais elaborados, com destaque para máquinas (respondendo por quase 50% da pauta), produtos da indústria têxtil e metais.

O Índice de Complexidade Econômica (ICE) do Atlas da Complexidade permite a análise das pautas exportadoras em termos da complexidade econômica dos países, que está relacionada à sofisticação de sua estrutura produtiva. Essa sofisticação, por sua vez, é medida a partir da combinação de informações sobre a diversidade da economia de um país no que diz respeito à quantidade e à ubiquidade dos produtos exportados, isto é, o número de países que exportam esses mesmos produtos. De acordo com o indicador, economias sofisticadas seriam diversificadas e exportariam produtos com baixa ubiquidade, pois apenas poucos países produziriam esses produtos sofisticados. O contrário ocorreria para economias pouco sofisticadas.

De acordo com o ICE, os dois países melhoraram de posição. O Brasil passou da 50ª posição em 2012 para a 42ª em 2016. Na análise da evolução ao longo do tempo, a partir de 1999, quando ocupava a 28a posição no ranking, o Brasil apresentou uma redução (piora) contínua, com uma melhora após 2014. Essa inversão de trajetória pode estar relacionada com o melhor desempenho relativo em termos de dinamismo e grau de ameaça entre 2012-2015 em comparação com 2008-2012, associado à recessão e à depreciação cambial (ver Cartas n. 590 e 769). Contudo, o valor do ICE era maior em 2012 (0,162) do que em 2016 (-0,084). Isto quer dizer que a mudança para uma posição superior no ranking de complexidade não decorreu de uma melhora na complexidade econômica do país, mas sim do fato de que outros países devem ter apresentado uma queda mais expressiva no ICEI do que o Brasil, resultando em sua melhora relativa de posição.

A China, por sua vez, passou da 22ª posição para a 17ª no mesmo período. Apesar de ligeiras oscilações, houve avanço contínuo a partir de 1999, quando o país ocupava a 45a posição, ou seja, quase 20 posições inferior à do Brasil. Já o ICE manteve-se no mesmo patamar (1,01) nos dois anos considerados, índice bastante superior ao do Brasil em 2012 e 2016. A despeito dessa estabilidade, a China avançou 5 posições no ranking de complexidade, também como reflexo do desempenho do ICE dos outros países.

Os dados do Atlas da Complexidade também permitem a elaboração do espaço do produto, que pode ser utilizado para analisar a estrutura produtiva e contribui, ao lado do ICP, para a análise da complexidade econômica de um país e das suas exportações. Esse espaço mostra os produtos com vantagem comparativa revelada (VCR) – representados pelos pontos coloridos (como nos demais gráficos, cada cor refere-se a um setor de atividade) – ou seja, cuja participação nas exportações globais foi maior do que se esperaria dado o volume das exportações do país em questão e o tamanho do mercado global desses produtos. Em 2016, a China tinha 535 produtos, mais do que o dobro do Brasil (198 produtos). Um maior número de produtos com VCR indica a maior competitividade dos país, mas não necessariamente uma maior complexidade econômica, bem como o potencial de aumentar essa complexidade.

Para avaliar essas duas últimas características, o espaço de produto também inclui uma rede formada por pontos cinzas conectados (que formam uma nuvem na área de maior concentração de pontos). A ideia subjacente a essa rede é que novas capacidades serão adquiridas mais facilmente se forem combinadas com outras capacidades já existentes. Por essa razão, os países, provavelmente, passam a produzir novos produtos que utilizam capacidades disponíveis, ou seja, se tornam mais diversificados se começarem a produzir novos produtos similares aos que já produzem, sendo a similaridade calculada com base no conhecimento necessário para a produção de um produto. Por exemplo, se o conhecimento para produzir camisetas for similar ao necessário para produzir camisas e diferente do necessário para produzir motores, então a probabilidade de um país que exporta camisetas também exportar camisas é maior do que a probabilidade de passar a produzir e exportar motores. Assim, a probabilidade de que um par de produtos seja exportado pelo país sugere que esses produtos sejam similares. Essa ideia é utilizada para medir a proximidade entre pares de produtos. O conjunto de todas as proximidades forma uma rede de espaço de produto para cada país que conecta pares de produtos que são altamente prováveis de serem exportados.

Assim, a estrutura do espaço do produto é importante pois ela indica a possibilidade de um país passar a produzir novos produtos, o que significa uma diversificação de sua pauta e de sua estrutura produtiva. Um espaço do produto altamente conectado sugere que é mais fácil para essa economia aumentar sua complexidade econômica, ampliando a quantidade de produtos produzidos e exportados. Ao contrário, quando as conexões são dispersas, é mais difícil avançar na complexidade econômica do país. Assim, a probabilidade de a China aumentar sua complexidade econômica é mais alta do que a do Brasil, já que a China apresenta mais pontos na rede com produtos próximos e o Brasil apresenta uma rede mais dispersa com menos pontos, como indicado no gráfico abaixo.

Complexidade das Exportações Brasileiras e Chinesas para Mercados Selecionados

Esta seção analisa as exportações brasileiras e chinesas para os países do Mercosul, Aladi e Nafta, qualificando o tipo de produto exportado a partir do Índice de Complexidade do Produto (ICP). Esse índice mede a diversidade e a sofisticação do know-how produtivo necessário para produzir um bem, fornecido pelo Atlas da Complexidade.

O ICP é calculado com base em quantos outros países podem produzir o produto e a complexidade econômica desses países. Assim, o índice captura a quantidade e a sofisticação do know-how necessário para produzir o bem. Os produtos mais complexos, que apenas poucos países de alta complexidade podem produzir, incluem maquinários sofisticados, eletrônicos e químicos. Já os produtos menos sofisticados, que a maior parte dos países produz, inclusive aqueles países com menor complexidade econômica, incluem matérias-primas e produtos agrícolas simples.

Como mencionado anteriormente, os dados foram obtidos a partir do cruzamento das informações de tipo de produto e ICP do Atlas da Complexidade com as informações de comércio por produto para diferentes países do Trademap.

Mercosul. As exportações brasileiras para o Mercosul recuaram 19,4% entre 2012 e 2016, devido, sobretudo, à redução das exportações para a Argentina. A Argentina representava 79% das exportações brasileiras para o Mercosul em 2012, percentual que declinou para 73% em 2016. Em contrapartida, o Uruguai aumentou suas importações provenientes do Brasil no período considerado, passando de 10% para 15% das vendas externas brasileiras para o Mercosul. As exportações da China para o Mercosul (excluindo o Brasil) também recuaram, mas de forma menos acentuada (-12,7%). Seu principal destino também é a Argentina, cuja participação no total aumentou de 67,7% em 2012 para 71% em 2016, já que a queda no valor das vendas externas para esse país foi menor do que as registradas nos casos do Paraguai (-12,5%) e Uruguai (-26,5%, o maior percentual negativo, em contraste com o significativo avanço das exportações brasileiras).

Mais de 50% das exportações brasileiras para a Argentina se concentram no setor de máquinas, com um peso importante para “carros”, “peças e acessórios para veículos” e “caminhões e vans”. Entre 2012 e 2016, aumentou a participação de “carros” e de “caminhões e vans”, em detrimento de “peças e acessórios para veículos”. Quando se analisa o ICP, nota-se que “peças e acessórios para veículos” apresentam um índice mais alto, refletindo uma maior complexidade do produto em relação aos demais. Entretanto, a participação das exportações brasileiras desse produto para a Argentina caiu entre 2012 e 2016. Já os produtos que aumentaram de participação nas exportações, como “carros” e “caminhões e vans”, têm ICP relativamente baixo.

A pauta exportadora chinesa para a Argentina é bastante diferente da brasileira, além de apresentar uma maior variedade de produtos. Os destaques em termos de participação no total são os produtos eletrônicos, sobretudo “transmissores de TV e rádio” e “TVs a cores”. Também há uma participação importante do setor de máquinas, com participação elevada de “motocicletas”. O principal produto exportado pela China para a Argentina foi “transmissores de TV e rádio”, cujo ICP aumentou significativamente entre 2012 e 2016. Entretanto sua participação no total das exportações chinesas para a Argentina recuou devido ao aumento de participação de outros produtos na pauta, como “TVs a cores” e “transporte ferroviário de mercadorias”, que apresentam um ICP mais baixo. “Componentes diversos inorgânicos”, cujo ICP é elevado, também aumentou sua participação. Assim, a China tem uma pauta exportadora mais diversificada para a Argentina e com um maior número de produtos com ICP mais elevado, principalmente no setor de eletrônicos, enquanto no caso do Brasil o setor de máquinas tem maior peso.

No caso do Uruguai, como já destacado, exportações brasileiras aumentaram, enquanto as chinesas recuaram. A análise da pauta exportadora brasileira mostra um aumento bastante significativo das vendas de petróleo bruto, que passaram a representar 49% da pauta em 2016. Outro produto que aumentou sua participação foi “carros”, que passou a representar 4,6% em 2016, em detrimento de “caminhões e vans”, cuja participação recuou. Apesar do aumento das exportações para o Uruguai no período em tela, a pauta brasileira é composta por produtos com baixo ICP. Mesmo os produtos manufaturados, como “carros” e “caminhões e vans”, o ICP é relativamente baixo.

Já as exportações chinesas para o Uruguai são mais diversificadas do que as brasileiras, com peso significativo de produtos eletrônicos, como “brinquedos e jogos”, “CPUs” e “TVs a cores”, com ICP relativamente elevado. Contudo, produtos com baixo ICP também estiveram presentes: “calçados” nos dois anos e “herbicidas” em 2016.

As exportações brasileiras para o Paraguai, que recuaram entre 2012 e 2016, são diversificadas, compostas por produtos como “fertilizantes e tabaco”, bem como “máquinas de colheita” e “caminhões e vans”, com um ICP relativamente baixo. “Fertilizantes diversos”, que são os produtos mais importantes da pauta, tem um índice negativo nos dois anos considerados. O produto com maior elaboração que aparece na lista dos principais produtos é “caminhões e vans”, que além de reduzirem a participação na pauta, também têm um ICP relativamente baixo.

Já no caso das exportações chinesas para o Paraguai, apesar da pequena participação no total, a pauta chinesa é composta por produtos mais elaborados, com um peso alto de produtos eletrônicos (como “ar condicionados”, “computadores”, “TVs a cores”) e de motocicletas (do setor de maquinas). Os produtos exportados com maior ICP em 2012 foram “ar condicionado” e “componentes heterocíclicos”, contudo nos dois casos a participação no total das exportações chinesas para esse país recuou em 2016. Nesse ano, os principais produtos apresentam um ICP relativamente baixo. É interessante notar que no caso do “ar condicionado”, há uma redução significativa no valor do índice entre os dois anos.

Em suma, no Mercosul, além da maior queda das exportações brasileiras na comparação com as chinesas entre 2012 e 2016, no caso do Brasil predominaram produtos do setor de máquinas, com ICPs relativamente menores do que dos produtos exportados pela China, sobretudo do setor de eletrônica.

Aladi. As exportações brasileiras para a Aladi (Chile, Colômbia, Peru, Bolívia, Venezuela e Equador) diminuíram 32,7% entre 2012 a 2016 em decorrência, sobretudo, da forte queda (-74,8%) das exportações para a Venezuela, que perde sua posição de principal destino em 2012, assumida pelo Chile em 2016. Ao contrário do Mercosul, para essa região as exportações chinesas são muito superiores às brasileiras, embora tenham recuado 18,8% no mesmo período, sendo o Chile o mercado mais importante.

Na pauta de exportação brasileira para o Chile, predominam “petróleo bruto” e produtos do setor de máquinas, com destaque para “caminhões e vans”, “carros” e “carroçarias”. Também aparecem produtos menos elaborados com importância relativa na pauta, como carne bovina. O ICP dos produtos brasileiros exportados para o Chile é relativamente baixo, sugerindo que a pauta brasileira para esse país é pouco sofisticada. Os produtos de maior elaboração são “tratores” e “carroçarias”, mas seu ICP não é elevado.

Já as exportações chinesas para o Chile são mais diversificadas, com uma expressiva participação do setor de vestuário, seguido pelos setores de eletrônicos e de máquinas. Os produtos de destaque na pauta são “calçados”, “transmissores de TV e rádio” e “carros”. Analisando a complexidade dos produtos, o ICP dos produtos mais importantes exportados da China para o Chile também indica a presença de vários produtos pouco sofisticados, com exceção de “transmissores de TV e rádio”, que apresentaram um alto índice em 2016.

No caso das exportações brasileiras para a Colômbia, que diminuíram entre 2012 e 2016, novamente o setor de máquinas é o mais importante da pauta, com uma participação relativamente alta de “carros”. Assim como no caso das exportações brasileiras para os outros países analisados, os produtos principais apresentam um baixo ICP. Entretanto, aparecem na lista dos produtos mais importantes “peças e acessórios para veículos” que tem um ICP mais elevado. Esse produto, apesar de não aparecer na lista dos cinco primeiros em 2016, apresenta uma participação relativa importante na pauta brasileira para a Colômbia.

As exportações chinesas para a Colômbia aumentaram entre 2012 e 2016 e seguiram o mesmo padrão observado nos demais países analisados, com uma alta presença do setor de eletrônicos, seguido pelo de máquinas e de vestuário. O produto mais importante da pauta em 2016, “transmissor de TV e rádio”, foi o que apresentou o maior ICP. Os demais produtos exportados apresentam um ICP relativamente baixo.

Nas exportações brasileiras para o Peru, o setor de máquinas também apresenta uma participação significativa, sobretudo em função do produto “máquinas de construção”. “Caminhões e vans” e “tratores” também têm um peso importante na pauta. Os principais produtos exportados pelo Brasil para o Peru apresentam um ICP relativamente baixo. Entretanto, é importante salientar que alguns desses produtos tiveram um aumento no índice de complexidade, como “máquinas de construção” e “caminhões e vans”.

Já as exportações chinesas para o Peru têm um peso importante do setor de máquinas, seguido pelo de eletrônica. Um produto que competia com as exportações brasileiras em 2012 era “caminhões e vans”, que representava 3,1% das exportações da China para o Peru, mas passa a ter pouca importância na pauta em 2016 (enquanto no caso do Brasil, ele segue sendo um dos principais). Os principais produtos exportados pela China para o Peru também apresentam um ICP relativamente baixo, com exceção de “transmissores de TV e rádio”, que teve aumento de participação no período considerado.

Nas exportações brasileiras para a Bolívia, o setor de máquinas também tem uma participação significativa, seguido pelo setor de equipamentos e materiais de construção. Nesse último caso, “barras de ferro” aparecem como um dos produtos mais importantes. Assim como no comércio brasileiro com os demais países analisados, as principais exportações brasileiras para a Bolívia têm um ICP relativamente baixo. O produto com maior complexidade na lista dos cinco principais é “máquinas de construção”, que pertence ao setor de máquinas.

Já as exportações chinesas para a Bolívia têm uma participação bastante elevada de produtos do setor de máquinas, bastante superior à participação do setor de eletrônico, perfil diferente do registrado no comércio com os demais países analisados. Os produtos mais importantes são “caminhões e vans”, “veículos de passageiros” e “carros”. No que diz respeito à a complexidade, os produtos exportados pela China têm um ICP relativamente baixo, sendo o produto mais complexo “máquinas de construção”, com um índice de 0,63.

As exportações brasileiras para a Venezuela, que caíram significativamente de 2012 a 2016, têm uma pauta diferente das exportações para os demais países da Aladi, com uma alta presença do setor de carne e ovos. Em 2016, “navios de guerra” despontam com uma participação bastante elevada na pauta para esse país. Os principais produtos exportados pelo Brasil para a Venezuela têm baixos ICP, muitos deles com um índice negativo. O produto mais complexo foi “peças e acessórios para veículos”, presente na lista somente em 2012.

As exportações chinesas para a Venezuela têm uma participação mais alta de produtos manufaturados, com destaque para o setor de máquinas, em especial “máquinas de construção” e “máquinas diversas”. Na pauta de 2012, o setor de eletrônicos tinha uma importância maior, com destaque para “transmissores de TV e rádio”. Os principais produtos exportados pela China para a Venezuela apresentam um ICP relativamente baixo, notando-se uma ligeira melhora de 2012 a 2016.

As exportações brasileiras para o Equador também têm uma participação alta do setor de máquinas. Entretanto, os setores de produtos de metal e petroquímico também são importantes. Nesses dois últimos casos, há um peso importante de “bobinas de ferro” e “polietileno”, respectivamente. Outro produto que aparece como importante na pauta, que não havia aparecido no caso dos outros países analisados, são “medicamentos”. Apesar dessa maior diversidade entre os setores, os principais produtos da pauta de exportação brasileira para o Equador também são pouco complexos, de acordo com o ICP. O produto mais complexo da pauta de 2016 era o “polietileno”. Já “Chassis com motor” e “transmissores de TV e rádio”, que apresentam um ICP relativamente mais alto, aparecem na lista de 2012, mas não mais em 2016.

Em suma, na Aladi, tanto as exportações brasileiras como chinesas recuaram no período analisado, mas seu perfil em termos de complexidade econômica foi bem diferente, assim como no Mercosul. No caso do Brasil, predominaram produtos primários, de menor grau de elaboração, com ICPs relativamente baixos, como “petróleo bruto” e “carne bovina”, mas em alguns países também aparecem na lista de principais produtos aqueles do setor de máquinas com IPCs um pouco mais elevados, numa faixa intermediária entre 0,50 e 0,90, como “carros” e “chassis com motor”. Já as exportações chinesas para a região são bem mais diversificadas, com maior presença de produtos dos setores de eletrônicos, seguido pelo de máquinas e de vestuário, incluindo um número maior (relativamente ao Brasil) de produtos com alto ICP (como “transmissores de TV e rádio” e “peças e acessórios para veículos”), mas também produtos com complexidade relativamente baixa (como “calçados” e “motocicletas”).

Nafta. As exportações brasileiras para o Nafta recuaram 13,1% entre 2012 e 2016, devido, especialmente, à redução das exportações para os Estados Unidos (-13,2%), que respondiam por 79% do total destinado para essa região. Contudo, em termos percentuais, a queda das exportações para o México foi bem mais intensa (-23,2%). Em contrapartida, as exportações chinesas aumentaram 9,1%, como resultado do avanço de 9,4% das vendas para os Estados Unidos (86% do total) e de 17,6% para o Canadá. Já as exportações para o México recuaram 9,1%.

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