Leitura Superficial ou Pré-Leitura

Claudio Moura Castro, no livro “Você sabe estudar?” examina com mais detalhes a primeira leitura de um livro, uma técnica simples que muitas vezes não é ensinada nas escolas.

  1. TÍTULO E PREFÁCIO

É o primeiro contato com o livro. O que sugere o título? Será possível adivinhar seu conteúdo só com essa informação? Que tipo de mensagem ou ideia poderá estar contida nas suas páginas?

A leitura ativa consiste em se fazer essas perguntas e ver se são respondidas pelo título ou pela leitura do prefácio, no qual o autor justifica suas razões para escrever o livro.

Novamente aí, aflora a diferença entre romances e obras científicas. Quando Eça de Queiroz deu a seu livro o título Primo Basílio, não buscava oferecer qualquer ideia sobre o que conteriam suas páginas. Em oposição, o livro de Charles Darwin, A Origem das Espécies através da seleção natural ou a preservação das raças favorecidas na luta pela vida, dá uma boa ideia sobre o tema da obra. O Capital, de Marx, só no título principal, já sugere que o livro descreve o sistema capitalista. O vago ou pitoresco de um e o sugestivo dos outros reforçam a diferença entre os gêneros.

  1. SUMÁRIO

Um bom sumário costuma mostrar o fio-condutor do livro. De onde o autor parte, que tipo de ideias apresenta? Com uma breve leitura dele, em livrarias ou sites de editoras, você vai analisar o que virá pela frente, quando for realmente ler o livro.

  1. BIBLIOGRAFIA

Se você tem familiaridade com o assunto, ao ver quem o autor cita, já terá uma ideia do tipo de orientação teórica seguida. Um livro com muitas referências a Marx, Engels e Lênin sugere um autor de esquerda. Se cita autores como Adam Smith, David Ricardo, Marshall e Milton Friedman, provavelmente, é mais autor liberal. Se idolatra Carl Menger, Eugen von Böehm-Bawerk, Ludwig Von Mises, Friedrich Hayek, sem dúvida, é autor ultraliberal. Se cita só autores neoclássicos contemporâneos – e colegas da FGV-RJ ou da PUC-Rio de Janeiro –, é típico autor neoliberal tupiniquim. Isso sem falar nos meus colegas pós-keynesianos, só citam Keynes, Davidson, Minsky, Kregel e meu amigo Carvalho…

O livro não fica desqualificado se o autor é de uma corrente ou outra. Mas, ao saber qual é a orientação do autor, ficamos mais prevenidos quanto ao tipo de forças e fragilidades que pode haver nos raciocínios e nas teses apresentadas.

Claudio Moura Castro afirma, acriticamente, que “naturalmente, se o autor cita obras que não merecem confiança, ficamos imaginando que o mesmo pode acontecer com o seu livro. Pode até não valer a pena lê-lo. Isso acontece com muito mais frequência do que se imagina”. Com isso ele incorre no viés da auto validação ilusória: só ler os autores com quem tem afinidade, não questionando as próprias ideias e não se preparando para o debate intelectual/ideológico.

Na verdade, ler sempre mais do mesmo é uma forma de estupidez. A melhor atitude intelectual é auto subversão das próprias ideias. Testar sempre suas hipóteses é seguir o método científico – o não pluralismo é cegueira ideológica.

  1. CAPA E ORELHAS

A capa, em geral, diz pouco [embora atraia ou repila muito]. Mas na orelha, o livro tenta conquistar seus potenciais leitores. Nela há uma séria tentativa para atraí-los, sugerindo o que podem ganhar conhecendo o que está no texto ou a importância das ideias que defende. Portanto, para ter uma boa noção do que o livro contém, as orelhas são imperdíveis. Costumam ser um bom sumário, tão persuasivo quanto consegue o autor.

  1. CAPÍTULOS MAIS IMPORTANTES

Antes de ler todo o livro, uma boa ideia é ler rapidamente o capítulo introdutório. Nele, o autor alinha as ideias que vai desenvolver no texto. Costuma ser um guia para o que vem à frente. Mas, em geral, não antecipa as conclusões.

O capítulo final é o do desenlace. O que quer que o autor queira dizer estará redito com mais força nas conclusões. Nela, os bons autores abandonam os detalhes, o tecnicismo e as nuances metodológicas e tentam mostrar o que de importante encontraram. Mostram também que implicações têm seus achados para o avanço da disciplina. Em textos mais técnicos, sugerem novas linhas de pesquisa abertas pelo estudo.

Para fixar ideias, todo esse processo de pré-leitura não deve levar mais do que uma hora. Em geral, leva bem menos, dependendo da dificuldade do livro e do seu tamanho. Como resultado dessa fase, o leitor já deve ter uma boa ideia sobre o assunto do livro e as principais ideias que vai encontrar. O que está no texto, mais ou menos, se encaixará nas grandes ideias que já se formaram na sua cabeça.

Fernando Nogueira da Costa: nesta semana, baixei todos os epubs de todas as editoras brasileiras que me interessam. Somam 3.189 livros em 5,5 GB. Estão todos classificados nas 60 categorias abaixo.

Hoje, fiz um roteiro, classificando os que desejo mais ler em uma certa ordem. É uma metodologia para rever três livros de posts que eu montei: Abstração – Evolução – Regulação.

CLASSIFICAÇÕES DE GÊNEROS LITERÁRIOS:

Epub – Antropologia

Epub – Arte & Cultura

Epub – Arte de Escrever

Epub – Bar & Cozinha

Epub – Biografias

Epub – Biologia

Epub – Ciência

Epub – Ciência e Filosofia da Mente

Epub – Contos e Crônicas

Epub – Dicionários

Epub – Economia

Epub – Educação

Epub – Ficção Científica

Epub – Filosofia

Epub – Finanças

Epub – Futebol e Outros Esportes

Epub – Geografia e Geopolítica

Epub – Gestão

Epub – História da Humanidade

Epub – História do Brasil – Colônia (1500-1808)

Epub – História do Brasil – Império (108-1889)

Epub – História do Brasil – República (1889 – …)

Epub – História do Oriente Médio

Epub – História dos Estados Unidos

Epub – História Geral – Antiguidade (4000 a.C.-476)

Epub – História Geral – Contemporaneidade (após 1789)

Epub – História Geral – Idade Média (476-1453)

Epub – História Geral – Modernidade (1453-1789)

Epub – Informática

Epub – Jornalismo e Reportagens

Epub – Literatura

Epub – Literatura Asiática

Epub – Literatura Brasileira – Arcadismo (XVIII) Romantismo – Naturalismo (XIX)

Epub – Literatura Brasileira – Neo-Realismo (1930-1945)

Epub – Literatura Brasileira – Pós-Modernismo (1945-1960)

Epub – Literatura Brasileira – Pré-Modernismo (1902-1922) Modernismo (1922-1930)

Epub – Literatura Brasileira – Tendências Contemporâneas (pós-1960)

Epub – Literatura da Direita

Epub – Literatura Infanto-Juvenil

Epub – Literatura Marxista

Epub – Literatura Russa

Epub – Matemática

Epub – Medicina

Epub – Mitologia

Epub – Música

Epub – Poemas

Epub – Política

Epub – Política e Debate sobre Brasil

Epub – Psicologia

Epub – Religião

Epub – Romances Africanos

Epub – Romances Clássicos

Epub – Romances Estrangeiros

Epub – Romances Fantasia

Epub – Romances Históricos

Epub – Romances Latino-americanos

Epub – Romances Policiais ou Suspense

Epub – Sexologia e Erotismo

Epub – Sociologia

Epub – Viagens e Povos

 

1 thought on “Leitura Superficial ou Pré-Leitura

  1. Prezado Fernando

    a aquisição de conhecimento é aperfeiçoada por intermédio da leitura, ler é uma atividade que mantém nossos neurônios sempre atentos e quanto mais neurônios forem orquestrados, mais conhecimento adquirimos.

    O sistema educacional no Brasil deveria adotar os métodos: áudio visual esquematizado e conjugados com as modernas técnicas de representatividade dos elementos geradores de conhecimento. Ex: murais com desenhos e figuras representativas da progressividade dos temas a serem apreendidos.

    Desde a pré-escola, as paredes e ambientes escolares precisariam de uma decoração sugestiva para o período de vivência escolar em sala de aula. Ex: categorias de signos linguísticos com textos simples indicando a formação de palavras, frases, locuções, questões, contexto, etc.

    Em todas as escolas desde o primeiro ano escolar deveria haver o desenho de um “.” ponto, depois o surgimento do universo, galáxias, estrelas, sistemas planetários, etc. Na continuação deveria haver desenhos da evolução desde os primórdios até os dias atuais.

    Deveria ser debatido de forma insistente as categorias como: noção de ponto {.}, espaço { }, tempo [{.}}{.}{.}]. Os espaços de Hilbert deveriam ser ensinados desde a quinta série e não somente no último ano do segundo grau.

    Ensinar o sentido da vida que pode ser resumido em uma única palavra ou verbo: “Viver”.

    Ensinar a noção de SER (qualificativo filosófico) = o que pode ter existência!

    Ensinar a noção de Nada (não tem existência)!

    As crianças deveriam receber orientações sobre o que existe? Ex: Universo Físico – amparado pela física, cosmologia, ciência, prova matemática!

    Coisas que não existem e não podem ser provadas! Ex: deus, espíritos, astrologia, magia, fantasmas, mundo sobrenatural, céu, inferno, pecado, etc.

    Coisas que causam o emburrecimento das crianças, estudantes e até dos adultos:

    Nas paredes das pré-escolas vejo o tempo todo: a Mônica correndo atrás do Cascão e Cebolinha, anjinhos desenhados por todos os lugares, figuras da religião. Dentro dos ambientes: crucifixos em cima das portas e janelas, figuras bíblicas, o desenho do céu, pombas brancas, etc.

    Por que será que não desenham uma aranha pula pula com os 8 olhos maravilhosos que elas têm ou uma arara colorida, macacos, temas da nossa exuberante fauna e flora?

    Jamais deveriam pedir para uma criança rezar em sala de aula – pedindo algo ao inexistente – isso é torpe, uma submissão total, um retrocesso terrível, algo que causará um grave estrago emocional nas crianças. Imagine colocar um homem seminu pregado numa cruz e ainda pedir para as crianças se ajoelharem e rezarem para ele.

    Uma criança ou jovem que recebe orientação e formação com essa precariedade só poderá ter o seguinte futuro: desemprego, pobreza, doenças, pedir esmola e rezar por estar vivo! Uma verdadeira tragédia educacional, ensinam hipocrisia, servidão, humilhação!

    Segue observações no blog: https://rcristo.com.br/2017/12/27/pense-com-clareza-logica-e-simbologia-matematica-ebooks-inclusos/

    Excelente lista de livros. Parabéns!

    Para refletir: Primeiros Povos – Documentário!

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