Leitura Analítica e Leitura Comparativa

Claudio Moura Castro, no livro “Você sabe estudar?”, diz que, depois da fase de leitura inicial, começa a leitura analítica. O que veio antes é uma exploração do livro, para não ler às cegas e não ter surpresas. É como se fosse o trailer de um filme.

Nesse momento, passamos para uma leitura metódica. Aqui, novamente, Mortimer Adler nos reserva uma surpresa. De início, propôs folhear o livro, lendo um pedaço aqui, outro acolá. Agora, ele propõe uma leitura perfeitamente linear.

É para ler da primeira à última página, entendendo ou não, mas sem parar, mesmo se faltar compreensão. É para entender o que der para entender nessa leitura corrida.

Nesse ponto, Castro discorda ligeiramente de Adler. “Diria que vamos ler linearmente todas aquelas partes do livro que nos interessam em particular. Não necessariamente todo o livro, pois lemos para aprender alguma coisa e, muitas vezes, os livros entram em assuntos que não estão no nosso campo de interesse, pelo menos naquele momento”.

Depois da maratona de ler o livro inteiro, chega a hora de voltar aos capítulos mais importantes e mais difíceis. Uma coisa é certa: após ter lido o livro de ponta a ponta, esses mesmos capítulos se tornarão bem mais fáceis. O que não foi entendido na primeira leitura corrida pode ficar quase óbvio nessa segunda.

A leitura comparativa é a fase mais nobre e mais difícil. Que lições o autor nos ensina? Como elas convivem com outras que flutuam no espaço intelectual desses assuntos?

A leitura comparativa consiste em confrontar o que está no livro com o mundo intelectual que lida com assuntos iguais ou parecidos. É a fase mais criativa e, certamente, a mais difícil.

Voltando ao exemplo já citado, queremos nos colocar na posição de alguém que faz uma resenha ou avaliação crítica de um livro. Mostre os pontos fortes, critique fraquezas, compare com outras obras e pondere sobre a contribuição que o autor teria feito.

Há cursos de leitura dinâmica que prometem a leitura de um livro em poucos minutos. Verdade? Vale a pena fazer tais cursos?

A resposta é que depende do assunto. Em alguns, quanto mais rápido se lê, melhor, pois ou é assunto simples de entender ou são descrições que não oferecem dificuldades.

Em outros livros, aumentar a velocidade significa passar a não entender nada. Duas páginas de Filosofia podem ser assunto para um dia inteiro de leitura. E pode não ser suficiente.

Mesmo dentro do mesmo livro, alguns trechos são difíceis e requerem ler, calmamente, várias vezes. Outros podem ser lidos “na diagonal”, pois seus temas são periféricos ou de menor importância para a tese central do autor – ou para o nosso interesse naquele momento.

Livros descrevendo pesquisas costumam ter longos capítulos de revisão de literatura e descrição das amostras e dos métodos usados. Em certas situações, os métodos são convencionais e temos confiança na competência do autor. É possível uma leitura mais rápida ou superficial. Em outros livros, as vulnerabilidades do argumento podem estar na metodologia usada. Esse capítulo merece, então, toda a atenção.

Ler é um exercício de raciocinar sobre as teses apresentadas. Se o ponto vulnerável está em uma nota de rodapé, paciência, trate de lê-la. Senão a leitura será incompleta e/ou defeituosa.

Portanto, não há uma velocidade de leitura que pode se aplicar a tudo que devemos ler. Saber ler rápido é importante para vencer páginas e mais páginas de menor relevância. Mas de nada serve em outros trechos ou em livros difíceis.

2 thoughts on “Leitura Analítica e Leitura Comparativa

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