Problemas do Conhecimento Humano: Pragmatismo e Criticismo

Johannes Hessen, no livro “Teoria Do Conhecimento”, afirma que o ceticismo é um ponto de vista essencialmente negativo. Significa a negação da possibilidade do conhecimento.

Com o pragmatismo (do gregoprâgma, ação) moderno, o ceticismo dá uma guinada para o positivo. Como o ceticismo, ele também abandona o conceito de verdade como concordância entre pensamento e ser. Entretanto, não se detém nessa negação, mas põe outro conceito de verdade no lugar do que foi abandonado. Verdadeiro, segundo essa concepção, significa o mesmo que útil, valioso, promotor da vida.

O pragmatismo chega a esse deslocamento valorativo do conceito de verdade porque parte de uma determinada concepção da essência humana. Para ele, o homem é, antes de mais nada, um ser prático, dotado de vontade, ativo, e não um ser pensante, teórico.

Seu intelecto está totalmente a serviço de seu querer e de seu agir. O intelecto não foi dado ao homem para investigar e conhecer, mas para que possa orientar-se na realidade.

É dessa determinação prática de fins que o conhecimento humano retira seu sentido e seu valor. A verdade do conhecimento consiste na concordância do pensamento com os objetivos práticos do homem, naquilo, portanto, que provar ser útil e benéfico para sua conduta prática. Por exemplo, o juízo “a vontade humana é livre” é verdadeiro porque e apenas na medida em que demonstra ser útil e benéfico para a vida humana, especialmente para a vida em sociedade.

É óbvio que não é correto identificar os conceitos “verdadeiro” e “útil”. Basta, com efeito, examinar um pouco mais de perto o conteúdo desses conceitos para perceber que têm um sentido completamente diferente. A experiência também mostra a todo tempo que a verdade pode ter efeitos danosos. A esse respeito, a política brasileira é especialmente instrutiva. De parte a parte, acredita-se que a verdade deve ser escondida, pois seus efeitos danosos são temidos.

O erro fundamental do pragmatismo consiste em não enxergar a esfera lógica. Ele desconhece o valor próprio, a autonomia do pensamento humano. Certamente, por se acharem inseridos na totalidade da vida espiritual humana, o pensamento e o conhecimento estão em conexão estreita com a vida.

O que há de bom e valioso no pragmatismo é justamente a referência constante que faz a essa conexão. Essa relação estreita entre conhecimento e vida, porém, não nos deve desencaminhar, instigando-nos a desconsiderar a autonomia do conhecimento e a fazer dele uma simples função vital. Isto só é possível na medida em que se falsifica o conceito de verdade, ou se nega a verdade. Nossa consciência lógica, porém, protesta contra ambos.

No fundo, subjetivismo, relativismo e pragmatismo são ceticismos. Como vimos, o dogmatismo se contrapõe a este último. Existe, porém, um terceiro ponto de vista que poderia superar aquela antítese em uma síntese. Esse ponto de vista intermediário entre o dogmatismo e ceticismo é chamado de criticismo (de krínein, examinar, pôr à prova).

O criticismo compartilha com o dogmatismo uma confiança axiomática na razão humana. Está convencido de que o conhecimento é possível e de que a verdade existe.

Porém, enquanto essa confiança induz o dogmatismo a aceitar de modo inconsciente toda afirmação da razão humana e a não reconhecer nenhum limite para a capacidade humana de conhecimento, o criticismo, aproximando-se do ceticismo, junta à confiança no conhecimento humano em geral uma desconfiança com relação a qualquer conhecimento determinado.

O criticismo põe à prova toda afirmação da razão humana e nada aceita inconscientemente. Por toda parte pergunta sobre os fundamentos, e reclama da razão humana uma prestação de contas. Seu comportamento não é nem cético nem dogmático, mas criticamente inquisidor, ou seja, um meio termo entre a temeridade dogmática e o desespero cético.

Quanto à questão sobre a possibilidade do conhecimento, o criticismo é o único ponto de vista correto. Esse juízo não significa, porém, a admissão da filosofia kantiana. Devemos distinguir o criticismo enquanto método do criticismo enquanto sistema. Em Kant, o criticismo significa ambas as coisas: não apenas um método que o filósofo utiliza e opõe ao dogmatismo e ao ceticismo, mas também o resultado objetivo a que chegou com a ajuda desse método.

A Teoria do Conhecimento, conclui Johannes Hessen, parte do pressuposto de que o conhecimento é possível. A partir desse ponto de vista, envereda por um exame crítico dos fundamentos do conhecimento humano, de seus pressupostos e condições mais gerais.

2 thoughts on “Problemas do Conhecimento Humano: Pragmatismo e Criticismo

  1. Por essa razão, muitas pessoas emudecem e quem expõe as suas opiniões, normalmente é caracterizado como politicamente incorreto. As pessoas sentem desconforto ao lado de quem expressa muito as suas opiniões buscando uma troca de ideias… definitivamente, não querem pensar muito sobre isso…

  2. Pragmatismo é uma corrente de ideia da filosofia
    Criticismo é uma forma de pagamento

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