Mises X Hayek

Nicholas Wapshott, no livro “Keynes x Hayek: a origem e a herança do maior duelo econômico da história” (tradução Ana Maria Mandim. 1ª. ed. Rio de Janeiro: Record, 2016), afirma que foi Mises quem semeou dúvidas na mente de Hayek sobre as virtudes do socialismo. Os livros Economic Calculation in the Socialist Commonwealth, de 1920, e seu marco, em 1922, Socialism, an Economical and Sociological Analysis desarranjaram as crenças socialdemocratas de Hayek e ajudaram a convencê-lo de que o socialismo era um falso deus. Como Hayek colocou, “o socialismo prometia preencher nossas esperanças de um mundo mais racional, mais justo. E depois veio [o Socialism, de Mises]. Nossas esperanças se despedaçaram. O Socialism nos contou que buscávamos melhorias na direção errada.”

[Fernando Nogueira da Costa: As pessoas especialmente suscetíveis são caracterizadas por ter um caráter difícil e desconcertante, além de serem facilmente irritáveis. Eles se irritam com facilidade e agem de forma impulsiva.

As pessoas especialmente suscetíveis também são pessoas inseguras que continuamente buscam apoio dos outros, mas que não aceitam o conselho de ninguém e que muitas vezes, por sua vez, interpretam mal o que os outros dizem. É por isso que elas se sentem atacadas, porque elas têm uma visão um tanto distorcida das coisas. Isso torna as pessoas suscetíveis muito difíceis de tratar.

Mas por trás de uma pessoa particularmente suscetível geralmente há alguém emocionalmente fraco e com baixa autoestima, o que o faz perder o controle. Essa perda de controle a faz sempre alerta, suspeitando que outros estão contra ela.

As pessoas especialmente suscetíveis se valorizam na opinião dos outros e precisam se sentir valorizadas pelas pessoas em seu ambiente. A sua fragilidade emocional os faz reagir a qualquer coisa que não se encaixe no seu esquema, o que os torna pessoas muito imprevisíveis. Sua baixa autoestima é responsável por sempre precisar se defender de qualquer crítica, então qualquer comentário a respeito de alguma ideia prévia adotada pela pessoa especialmente suscetível parece ser uma ofensa pessoal.]

A principal objeção de Mises a uma sociedade comunista ou socialista era que ela ignorava o mecanismo de preço que ele acreditava ser essencial para qualquer economia operar com eficiência. Ele arguiu em Economic Calculation que, como em uma sociedade socialista o governo possuía as principais indústrias — “os meios de produção” — e, portanto, fixava os preços dos bens, o propósito decisivo dos preços, distribuir recursos escassos, se tornava redundante. Afirmava que “cada passo que nos afasta da propriedade privada dos meios de produção e do uso da moeda também nos afasta da economia racional”.

Os argumentos de Mises foram para o centro do debate que se seguiria entre Keynes e Hayek e pressagiaram uma das afirmações finais de Hayek que, por ignorar preços de mercado, o socialismo priva os indivíduos de sua contribuição única para a sociedade — expressar, mediante sua vontade de pagar um preço, sua opinião sobre o valor de um objeto ou serviço. O planejamento central, argumentaria Hayek, priva os indivíduos de uma liberdade fundamental: via demanda, atribuir o valor a algo como caro ou barato.

Enquanto Mises tentava encontrar um posto de pesquisa financiado pelo governo [afinal, liberal que se preza defende o Estado mínimo, mas não abre mão de uma “boquinha” para que o Estado lhe sustente ao máximo…], Hayek começou a escrever um relato do que havia aprendido nos Estados Unidos, relatando que o crédito barato lá estava levando a um boom nas indústrias de bens de capital que, ele acreditava, iria mostrar-se insustentável.

Ele inferiu sobre a natureza do ciclo de negócios, o que chamou de “flutuações industriais”, que se tornaria essencial para sua contribuição à teoria econômica e o campo de batalha no qual lutaria com Keynes. Para tornar-se um conferencista universitário pago, Hayek tinha que publicar um trabalho original. Com esse objetivo, começou a reunir fatos e argumentos, que, esperava, seriam uma contribuição importante para a teoria da moeda. Isso, também, o levaria a conflitar com Keynes.

Hayek expôs a ideia a Mises, que ficou cético ao ponto do desdém. Mises não acreditava que a Economia pudesse ser tratada como uma Ciência Natural e achava que as tentativas de registrar os elementos de um ciclo de negócios seriam enganosas e sem sentido.

[Fernando Nogueira da Costa: até hoje o racionalismo dos fieis seguidores da Escola Austríaca tratam com desdém o empirismo das pesquisas científicas. Adeptos do método racional-dedutivo, acham que não necessitam pesquisar dados para confirmar ou falsear suas hipóteses, pressupostas de antemão como lógicas, ao contrário do que fazem os cientistas no método histórico-indutivo. Veja se há alguma estatística para basear os argumentos dos crentes do Livre-Mercado: inútil procurar!]

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