Viés da Disponibilidade

Correlações casuais apresentadas como causalidades, pretendendo provar alguma coisa, na verdade, não provam nada. Rolf Dobelli, no livro “A arte de pensar claramente”, afirma que pessoas que proferem esse tipo de discurso – se duas coisas acontecem ao mesmo tempo ou se uma antecede imediatamente à outra – estão à mercê do viés de disponibilidade.

O viés de disponibilidade quer dizer o seguinte: fazemos uma ideia do mundo com base na facilidade com a qual exemplos nos ocorrem. O que, evidentemente, é uma tolice, pois na realidade algo não acontece com mais frequência só porque podemos imaginá-lo mais facilmente.

Graças ao viés de disponibilidade, passeamos pelo mundo com um mapa falso de riscos na cabeça. Assim, superestimamos sistematicamente o risco de morrer pela queda de um avião, por um acidente de carro ou assassinados. E subestimamos o risco de morrer por formas menos sensacionalistas, como diabetes ou câncer de estômago.

A tudo que é espetacular, e merece uma manchete de imprensa sensacionalista, atribuímos uma probabilidade muito alta. A tudo que é silencioso e invisível, uma probabilidade muito baixa. Os fatos que chamaram a atenção pública mais recentemente estão mais disponíveis ao cérebro do que seu contrário. Nosso cérebro pensa de maneira dramática, não quantitativa. E busca algo em comum com outros para entabular uma conversa.

Consultores executivos se utilizam do viés de disponibilidade com frequência.  possuem suas terapias preferidas, que empregam em todos os casos possíveis. Talvez haja tratamentos mais adequados, para empresas em dificuldades, mas eles não os têm em mente. Portanto, praticam o que conhecem.  Quando se deparam com uma situação inteiramente nova, não arrancam os cabelos nem suspiram tipo “realmente não sei o que lhe aconselhar.” Não, eles colocam em ação um dos processos de aconselhamento que lhes são familiares — quer ele seja adequado, quer não.

Se alguma coisa é repetida com frequência, fica fácil para nosso cérebro evocá-la novamente. E ela nem precisa ser verdadeira.

No Conselho de Administração de uma empresa esconde-se o viés de disponibilidade. Os conselheiros discutem sobre o que a direção lhes apresenta — em geral, números trimestrais —, em vez de discutirem sobre o que a direção não põe em pauta, mas que seria importante, como uma estratégia hábil da concorrência, a diminuição da motivação da equipe ou uma alteração inesperada do comportamento dos clientes.

Os especialistas utilizam, em primeira instância, dados ou receitas que podem ser facilmente obtidos. Com base neles, tomam decisões — com resultados muitas vezes devastadores.

Por exemplo, há dez anos se sabe que a chamada fórmula de Black-Scholes para o cálculo do preço justo de um derivativo não funciona. Entretanto, não se dispõe de outra. Assim, prefere-se empregar uma fórmula errônea a não empregar nenhuma.

O mesmo ocorre com a “volatilidade”. Adotá-la como critério de risco de um produto financeiro é errado. Porém, ela é fácil de ser calculada. Assim, acaba sendo empregada em quase todos os modelos financeiros. Desse modo, o viés de disponibilidade proporcionou aos bancos prejuízos de bilhões.

Como contramedida do viés de disponibilidade junte-se a pessoas que pensam de modo diferente de você, pessoas com experiências totalmente diferentes. Sozinho será muito difícil vencer o viés de disponibilidade.

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