Falácia da Regressão à Média

Rolf Dobelli, no livro “A arte de pensar claramente”, diz que a falácia da espera da regressão à média (regression toward the mean) leva a crer que caso você experimente um frio recorde no lugar onde vive, muito provavelmente, a temperatura subirá nos dias posteriores — rumo à média do mês. O mesmo ocorre em períodos de extremo calor, seca ou chuva. O tempo oscila em torno de uma média. O mesmo vale para dores crônicas, handicaps no golfe, desempenhos na bolsa de valores, sorte no amor, bem-estar subjetivo, sucesso profissional, notas nas provas.

Resultados extremos alternam-se de maneira menos extremada. Dobelli incorre em erro de pensamento ao afirmar, taxativamente, que dificilmente a ação mais bem-sucedida dos últimos três anos será a mais bem-sucedida dos próximos três anos. O passado não é um guia certeiro para o futuro. E se os fundamentos da empresa mudaram de maneira estrutural e não são passam apenas por uma boa conjuntura econômica? E de que média ele está falando? Média móvel em que incorpora os bons resultados dos últimos três anos?

Em estatística, uma média móvel é um estimador calculado a partir de uma série de médias de diferentes amostras da população. As variações mais comuns são a média móvel simples, cumulativa, exponencial, e ponderada.

Dada uma série de valores e um subconjunto finito destes, o primeiro elemento de uma média móvel é a média deste subconjunto. O próximo elemento é a média de todos elementos do subconjunto menos o primeiro e mais o primeiro elemento do próximo subconjunto “à direita” na série temporal.

Médias móveis são comumente usadas com séries temporais para:

  1. suavizar flutuações curtas e
  2. destacar tendências de longo prazo.

O limiar entre curto e longo prazo depende da aplicação, bem como dos parâmetros da média móvel, tal qual o tamanho do subconjunto.

Médias móveis são frequentemente usadas pela análise técnica ou grafista em mercados de capitais, tal qual na análise da tendência dos preços de ativos financeiros em bolsas de valores.

Medo de regressão à média: eis a razão para o medo de muitos esportistas quando veem seu sucesso estampado nas manchetes dos jornais. Inconscientemente, eles intuem que, na próxima competição, não alcançarão o mesmo recorde — o que, por certo, nada tem a ver com a manchete, e sim com a oscilação natural de seu rendimento.

Rolf Dobelli diz, equivocadamente, que ignorar a regressão à média pode ter consequências devastadoras. Acreditar que tudo oscila em torno de uma dada média que pode provocar paralisia ou comportamento inercial. Como exemplo, ele explica que “professores chegam à conclusão de que punições são mais efetivas do que o elogio. O aluno com os melhores resultados nos exames é elogiado. Aquele com as piores notas é criticado. Na próxima prova, é de supor que, de maneira puramente estocástica, outros alunos ocuparão os extremos superior e inferior. E o professor concluirá: criticar ajuda e elogiar prejudica. Uma falácia”.

Moral da história: se você ouvir frases como “Eu estava doente, fui ao médico, agora estou bom; portanto, o médico me ajudou” ou “A empresa teve um ano ruim, empregamos alguns consultores, e agora o resultado se normalizou”, a regressão à média que explica os fenômenos – e não o médico ou os consultores.

Eu (Fernando Nogueira da Costa) comentaria: “nem tanto ao mar, nem tanto à terra”, falácia da regressão à média é ficar imóvel com a falsa esperança de que tudo que sobe ou desce um dia inverterá a direção, voltando a um equilíbrio

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