A arte de escrever bem: um guia para jornalistas e profissionais do texto

Dad Squarisi e Arlete Salvador, no livro “A arte de escrever bem: um guia para jornalistas e profissionais do texto” (7ª. ed., 2ª reimpressão. São Paulo: Contexto, 2012), dão dicas que me ajudarão em nova revisão do livro de 430 páginas que organizei a partir de 165 posts. Eu os revi uma ou duas vezes,  inclusive atualizando todos os dados quando era o caso. Por ora, sob exame de editora, eu o intitulei: “Métodos de Análise Econômica: Crônicas de Debate, Bate-e-Rebate, Combate”.

As coautoras se perguntam: “Existe texto jornalístico?”. A resposta é positiva porque ele se enquadra entre as redações profissionais. É feito para ser lido, entendido e, se possível, apreciado.

A habilidade de escrever é resultado da habilidade de pensar – pensar de forma ordenada, lógica e prática. Assim, gaste tempo pensando sobre o que você quer escrever e, só depois, com um roteiro à mão, sente-se à frente do computador. Ele se transformará naquilo que é –  valioso instrumento de trabalho. A fonte de onde brotarão ideias, frases inteligentes e conceitos consistentes está no cérebro“.

Trace um plano de escrita. As coautoras dão um roteiro. As regras não garantem “o despertar de gênios”, mas oferecem caminho seguro para chegar a texto informativo, sucinto e direto, características fundamentais no estilo jornalístico.

Faça um resumo da história como você faz quando um amigo lhe pergunta sobre algum acontecimento ao qual ele não compareceu. Não o perca de vista. Seu objetivo será fazer a narrativa em detalhes.

Responda às seis perguntas indicadas no mnemônico OCC-OCP (“Oh, cecê! Olhe com pudor.):

  1. quê?
  2. Quem?
  3. Quando?
  4. Onde?
  5. Como?
  6. Por quê?

As respostas não devem ultrapassar duas linhas. Escreva menos ainda se possível.

Enxugue o texto. Em jargão jornalístico, enxugarsignifica diminuir, cortar palavras e informações desnecessárias. Se você ignorou a orientação para restringir-se a duas linhas, pressione o deletesem piedade.

Leia e releia o texto. Aproveite para checar as informações. Nome, cargos e títulos das pessoas estão corretos? Pode parecer bobagem, mas nada irrita mais os leitores e desacredita a informação que ver nomes publicados com a grafia errada. A recomendação vale para outros pormenores como localização de uma cidade, distâncias, número de leis.

Na dúvida, procure confirmação em dicionários, mapas, livros de referência e listas telefônicas. Se necessário, volte a telefonar para as fontes da matéria. Diga que não está seguro sobre um item e que não gostaria de publicá-lo de forma errada. Fontes sérias agradecerão o cuidado. Os leitores também.

O modelo de perguntas e respostas na construção do texto atende à estrutura clássica de apresentação de uma notíciaa pirâmide invertida. A técnica estreou em 1861 no jornal The New York Times, como forma de dar objetividade ao relato de um acontecimento. Consiste em pôr as informações mais importantes no primeiro parágrafo, respondendo “o quê? quem? quando? onde? como? por quê?”.

Nessa ordem, os pormenores essenciais aparecem primeiro. Na prática, conta-se a história do fim para o começo, daí o nome de pirâmide invertida. Nas duas últimas décadas, houve tentativas de mudança nos textos tradicionais, forçadas pelo fenômeno dos noticiários audiovisuais e pela internet. Os veículos digitais, mais rápidos, divulgam as notícias em tempo real, comprometendo o papel dos veículos impressos.

O leitor solicita: “Por favor, não me contem o que já sei”. O novo modelo de jornalismo diário busca ser capaz de ir além da apresentação dos acontecimentos de ontem já apresentados na web e na TV. Mas também há pavor nas redações em apostar em matérias exclusivas e, com isso, comprometer a cobertura diária a que os leitores estão acostumados.

“A contestação ao modelo de pirâmide invertida não é recente. Nos anos 60, jornalistas como Tom Wolfe, Truman Capote, Gay Talese e Norman Mailler inovaram. Abandonaram a estrutura clássica de texto factual, acrescentando elementos literários. Criaram o Novo Jornalismo.”

O fenômeno durou pouco, mas ainda há quem reclame de saudades daquelas velhas e boas reportagens investigativas. Séculos e muita discussão teórica depois, a pirâmide invertida resiste na imprensa. Ainda é a técnica de redação mais usada nos meios de comunicação.

1 thought on “A arte de escrever bem: um guia para jornalistas e profissionais do texto

  1. Domingo, ao ser cumprimentada por alguém com quem nem tenho muita intimidade, com a frase “Feliz Páscoa”, me dei conta de que esse cumprimento às vezes se nos apresenta de modo meramente formal, digamos, para que não passe em branco esse dia considerado especialíssimo por nós, cristãos. Pois bem: logo em seguida me senti quase que na obrigação de levar para o Facebook algo sobre o ocorrido, ao qual dei o título de VIDA, VIDA. O curioso é que não escrevi nenhum roteiro, como também não tracei um plano para escrever o que eu senti após o cumprimento. Quando concluí meu raciocínio fiz uma revisão e postei. A impressão que tenho é de que ao ser cumprimentada o roteiro imediatamente “se escreveu” no meu cérebro e o meu plano de escrita se desenrolou naturalmente.

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