Aptidão para ser Empreendedor ou Capitalista

Nunca pensei em empreender um negócio próprio ou viver da exploração do trabalho de outras pessoas. Quando visitei a Serra Gaúcha e tive contatos com empresários, o Superintendente de Negócios Regionais da Caixa me chamou atenção para algo jamais destacado por meus professores.

Lá, com os imigrantes de origem italiana e alemã, havia uma cultura de empreendedorismo. Seu filho tinha mudado para Porto Alegre com o objetivo de cursar Administração de Empresas na UFRGS, mas se desapontou por lhe ensinarem apenas a ser trabalhador, ou seja, um futuro empregado e não um patrão. Desistiu e voltou à terra natal para colocar foco na aprendizagem do empreendedorismo.

“Caiu minha ficha”: também no IE-UNICAMP, inclusive por não oferecer curso de Gestão em seu âmbito institucional, a gente só formava futuros assalariados. Pela prioridade tecnológica, apenas em 2011 passaram a ser oferecidos cursos de Gestão de Empresas, ministrados no novo campus de Limeira – e não no campus de Campinas. Lá, os alunos dedicam-se ao estudo e prática dos aspectos relacionados à criação, diagnóstico, planejamento e execução de atividades em empresas com e sem fins lucrativos e de diferentes setores da economia a partir de uma perspectiva ética e interdisciplinar.

O curso se apoia em uma unidade metodológica caracterizada por interdisciplinaridade. Compreende a interação com o mundo real não se dar de forma disciplinar por meio do entendimento e aplicação de conceitos derivados de áreas puras de conhecimento.

Para a formação de um profissional integral, o curso de Gestão de Empresas conta com disciplinas abrangentes do conhecimento das disciplinas de humanidades e o desenvolvimento de pensamento crítico acerca da realidade. O curso possui um Núcleo Básico Geral Comum no qual contempla diversas disciplinas da área de Ciências Humanas e Sociais. Esse é um diferencial: formar um gestor de empresas culto e com capacidade de elaboração de estratégias, enfim, um líder.

Os “empregadores” são 4,4 milhões pessoas ou 5% da população ocupada. São uma minoria. Cerca de 150 mil capitalistas (0,5% dos 28 milhões declarantes de imposto de renda) recebem 1,3% dos rendimentos totais (tributáveis, isentos e tributados exclusivamente). Com isso, obtém o maior rendimento per capita. Os quase 4,5 milhões de proprietários de empresas ou firmas individuais (ou empregador-titular) são 16% dos declarantes. Seus rendimentos totais equivalem a 22% do total. Dado o maior número, a média per capita é 57% da dos capitalistas stricto-sensu.

A opção por essa categoria ocupacional deve ser realizada com base no exame se você atende aos pré-requisitos necessários. Você tem a necessária dotação de técnica e capital? Algum capital próprio para lhe dar credibilidade, tomar emprestado capital de terceiros, e fazer alavancagem financeira de seu futuro negócio?

A Teoria das Inteligências Múltiplas, por exemplo, sugere como qualificação ter empatia quanto às inteligências de seus empregados e saber como usá-las de forma eles fazerem bem o seu trabalho. É necessário montar equipes nas quais as inteligências contrastantes se complementem. E evitar erros de contratar só pessoas parecidas consigo mesmo ou tentar fazer as pessoas serem como si próprio.

São características de empresários bem-sucedidos:

  1. Visão estratégica para escolha ou compreensão da oportunidade de lançar produtos inovadores ou assumir certa posição antecipadora.
  2. Convicção e ação de evitar a falácia do custo irrecuperável e suspender seu plano não confirmado logo na realidade.
  3. Convivência com o risco e a incerteza, para evitar o viés do risco zero, pois o futuro é incerto.
  4. Vício do trabalho de avaliação: analisar sempre a direção do mercado, para antecipar seu movimento e não para acompanhá-lo a posteriori.

Com o desenvolvimento do mercado de capitais, os credores securitizaram os empréstimos sob forma de títulos lastreados em dívida privada. Estes foram vendidos a investidores. Para tanto, impuseram nova gestão profissional às empresas antes “dirigidas de forma amadora” com corte de gastos dispersivos, embora oferecessem empregos para muita gente, a fim de posterior venda com ganhos de capital.

Infelizmente, a determinação do nível de emprego não depende apenas de decisões dos trabalhadores, seja de se capacitar profissionalmente, seja de o aceitar salários inferiores, para se tornar lucrativo oferecer mais emprego.  A economia monetária de produção – codinome da economia capitalista – não consegue empregar, continuamente, todos aqueles em busca de ocupação.

Em economia baseada na iniciativa privada, são as decisões de gastos em investimentos dos empregadores as determinantes-chave da quantidade de empregos oferecida à classe trabalhadora. Porém, os empreendedores estão sujeitos a expectativas diversas. Estas levam-nos a decidir com base em um ou outro cenário futuro incerto, de acordo com cada interesse particular, em ambiente econômico em mutação dinâmica, devido às interações entre agentes econômicos descentralizados, descoordenados e desinformados.

As decisões cruciais de maior peso influenciam as decisões dos demais ao resultarem em contextos variantes ao longo do tempo. Não existe planejamento de ação nem controle central. Em processo de auto-organização espontâneo, qualquer resultado macroeconômico é consequência de inúmeras ações individuais e interdependentes em termos de estratégias econômicas.

A defesa dos interesses particulares de cada indivíduo não costuma ser o melhor procedimento para atender aos interesses coletivos da sociedade. A interação de decisões livres dos indivíduos resulta, frequentemente, em consequências macrossociais irracionais e desconcertantes.

A demanda de bens e serviços depende do estoque líquido de riqueza próprio de cada agente econômico e do crédito porventura obtido. O fluxo de renda recebido se transforma, imediatamente, em estoque, seja com gastos, seja em aplicações de portfólio – saldos de ativos diversos, inclusive monetários.

Quanto mais sólido o cadastro patrimonial, maior a facilidade de obtenção de empréstimos. A fonte de gastos é constituída de recursos próprios (inclusive capitalizados) e de terceiros, não somente da renda recebida.

A renda agregada é resultada dos gastos. Cada agente consegue sua renda atendendo à procura dos demais. O gasto de um é a renda de outro, isto é, a renda de cada um depende de gastos de outros.

Nem toda a renda recebida é utilizada para gastos em consumo ou investimento. De acordo com as expectativas de um agente econômico (família ou firma), ele poderá querer aplicar parte de seu fluxo de renda recebido para acumular riqueza, por precaução, por especulação ou para receber mais renda, por exemplo, de juros ou de aluguel.

Assim, ele gasta abaixo do permitido por seu patrimônio líquido. Isto não geraria problema nenhum se a decisão de acumular capital líquido, tomada por uns, propiciasse recursos para outros decididos a imobilizar capital novo. Nesse caso, expandiriam sua capacidade de contratar força de trabalho e produzir mais. O desejo de reter “riqueza não produzida e não produtível” não seria, então, causa de desemprego.

No entanto, nenhum empreendedor estará propenso a adquirir capacidade produtiva nova se isto não lhe assegurar perspectivas de lucro. Se generaliza o desejo individual de uso da renda para aumentar a riqueza particular não representada por produtos novos, isso nada contribui para encorajar os empreendedores a esperar maiores lucros sobre o capital investido na produção. Este é o gerador de emprego.

Existe desemprego quando o impulso para os gastos dos contratantes de mão de obra não é suficiente para justificar a contratação de toda a população economicamente ativa em busca de emprego. Isto ocorre quando a demanda efetiva é deficiente. Nesse caso, se uma política de austeridade tiver cortado os gastos públicos substitutos de gastos privados, ela não é suficientemente grande para capacitar os empreendedores a obter lucro através da potencial utilização do trabalho dos desempregados. A oferta de empregos e a demanda por empregos são independentes e raramente se coincidem.

Em uma economia de livre-iniciativa, os empregos dos trabalhadores dependem de decisões de gastos em investimentos produtivos dos capitalistas. Raramente, esses gastos necessários são suficientes. Os empreendedores têm de ser incentivados.

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