“Dream Team”, Você pagou com traição A quem sempre Lhe deu a mão

Você pagou com traição
A quem sempre
Lhe deu a mão

Mas chora!

Chora!
Não vou ligar
Chegou a hora
Vais me pagar
Pode chorar
Pode chorar

A previsível crise política, agravada pela imprevisível greve dos caminhoneiros, se somou à “derrapagem” do Banco Central do Brasil (BCB) e do Tesouro Nacional no seu arsenal anticrise, na avaliação de estrategistas de investimentos, o que contribuiu para a deterioração dos ativos domésticos.

O primeiro erro foi o BCB não intervir mais fortemente no câmbio no dia seguinte à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), de manter a Selic em 6,5% ao ano, quando dois terços do mercado esperavam uma queda de 0,25 ponto percentual. O BCB não atuou na volatilidade na crença da apreciação do dólar ser global e não deu hedge para o mercado.

Só piorou a situação. Isso fez com que o dólar subisse de R$ 3,30 para mais de R$ 3,90 de forma ininterrupta. Mecanismos de “stop loss“, a zeragem de posições para limitar perdas, foram acionados por tesourarias e fundos de investimentos, o que só exacerbou o impacto nas cotações.

Outro equívoco foi o Tesouro Nacional prosseguir ofertando papéis de longo prazo em um momento em que não havia compradores habituais como estrangeiros ou fundos de pensão. Só depois do fracasso entrou no modo anticrise e recomprando ativos, dando saída para os investidores.

A mudança do regime de volatilidade no mundo coincidiu com um momento de aumento de risco dos grandes fundos no Brasil. Eles já vinham comprados em bolsa, apostando na queda dos juros e fazendo hedge com o dólar. Só que na hora de crise sistêmica, as proteções de diversificação de risco não funcionam, pois todos os ativos têm cotações em quedas. Estas não se compensam com eventuais ganhos.

Não era um bom momento para o BCB ver a sua credibilidade arranhada porque O Mercado entendeu errado a mensagem do líder do “dream team”, Ilan Goldfajn, presidente do BCB e ex-economista-chefe do Itaú. O ex-companheiro queria passar outra dica para os especuladores.

Também era um período em que o estrangeiro começava a desmontar a bolsa brasileira, por ser um mercado de mais liquidez entre emergentes. Os investidores estrangeiros (49% do total) dominam e manipulam essa raquítica bolsa de valores.

Na bolsa, vários setores e várias empresas passaram por um ‘sell off’ porque a governabilidade foi colocada em xeque. Por mais que a política de reajuste diário de preços de combustíveis seja um erro em um país com dimensões continentais e dependência rodoviária de fretes prefixados, gerando falta previsibilidade de custos, uma única categoria — os donos das transportadoras e os caminhoneiros autônomos — colocou o país de refém. Foi uma combinação muito ruim em um ambiente já hostil para emergentes, com fuga de capital dos estrangeiros.

Gestores ainda tentam enganar seus clientes ao dizer “não ser hora de se desfazer de posições de risco, mas sim de adicionar proteções”. Para quem tem perfil de longo prazo, e não se estressa durante as oscilações no meio do caminho, eles sugerem as NTN-B longas na faixa entre 5% e 5,5% ao ano.

Mas confira acima: o único porto seguro, em um país instável em termos políticos, cambiais e inflacionários, cuja reação habitual é a variação de juros, é o título pós-fixado Tesouro Selic (LFT). Só ele não sofre MtM (marcação-a-mercado).

Quem quisesse, por exemplo, comprar o Tesouro Prefixado com vencimento em 2025 com retorno de 11,70%, após o estresse das últimas semanas, não teria essa opção. Não era possível nem agendar a aplicação no Tesouro Direto, cujas operações foram muitas vezes interrompidas.

O maior transtorno foi para quem buscava o resgate, pois tinha ingressado no Tesouro Direto contando com a liquidez. Essa é uma atitude prudente do Tesouro Nacional quando “O Mercado fica imperfeito”: o último preço deixa de ser a realidade, porque não tem liquidez. O Tesouro interrompe as negociações.

O Tesouro Direto não é uma plataforma de trading e o preço não oscila a todo momento. É um mecanismo para viabilizar a compra de títulos públicos para o investidor não institucional. Se O Mercado não tem cotação, não tem muito como negociar.

Nos momentos mais voláteis, fica mais evidente o “gap” de educação financeira da população e dos investidores em geral. A grande maioria não conhece a fundo a funcionalidade dos títulos de renda fixa. Como são influenciados pelas variações dos juros, então o transtorno se dá em relação a ter que explicar como uma aplicação de renda fixa pode sofrer essas variações e o porquê das paralisações do TD.

De fato, a queda nominal pode assustar. Para se ter uma ideia, o Tesouro IPCA com vencimento em 2045 acumula nos últimos 30 dias desvalorização de 13,9%, enquanto o Tesouro Prefixado com resgate em 2025 cedia 10,7%, o que parece um contrasenso para operações classificadas como renda fixa.

A desvalorização é fruto da marcação a mercado: a atualização aos preços do secundário. É um prejuízo aparente, mas se o aplicador levar até o vencimento vai ter a taxa contratada entregue. Sim, mas todos os investidores têm idade — e capacidade financeira — para esperar 27 anos até 2045?!

O especialista cita que, com a escalada das taxas nas últimas semanas, já há aplicadores com perfil mais oportunista rearranjando seus portfólios. Há, por exemplo, quem esteja vendendo o Tesouro Selic para aproveitar o retorno mais generoso dos títulos prefixados. Não se trata, porém, de uma reversão de tendência, já que grande parte da reserva de liquidez ainda é direcionada para os papéis pós-fixados.

É bastante esperado o BCB voltar a subir a Selic, após as prévias semanais de inflação apresentarem pressão como consequência da greve dos caminhoneiros. Há uma reavaliação da percepção de risco Brasil. Não dá mais para segurar hipótese de taxa de juros no campo estimulativo, de acordo com o desejo da propaganda enganosa de um governo moribundo.

Maio foi um desastre para a maioria das aplicações financeiras. De investimentos de maior risco à renda fixa, o revés não poupou ninguém, exceto quem como os trabalhadores prudentes que só aplicam em títulos pós-fixados para se defender seus ganhos no mercado de trabalho da corrosão inflacionária. Posições em caixa rodando aos  6,5% aa da Selic, mas com 3,55% de juros reais anuais, se tornaram mais recorrentes, e com peso relevante na carteira.

Na dianteira, mais uma vez, ficou o dólar, com valorização de 6,7% no mês até o dia 29, com 12,8% acumulados no ano, e o ouro, com 5,8% no mês e 15,3% desde janeiro. O Ibovespa teve seus ganhos de 2018 praticamente anulados pela má performance de maio, com desvalorização de 11,7%.

No Tesouro Direto, os títulos indexados à inflação com vencimento em 2045 perdiam 11,6% no mês, enquanto os papéis prefixados com resgate em 2025 caíam 7,4% até o dia 29. Uma queda brutal para ativos que costumam ser o porto seguro do aplicador. Vale lembrar que esses são efeitos da atualização dos papéis a preços de mercado, mas quem leva esses títulos até o vencimento tem assegurada a taxa contratada na data da compra.

Metade do patrimônio dos investidores do private banking com perfil balanceado está em papéis pós- fixados. É melhor ter caixa a 6,5% do que perder dinheiro. Por causa do juro nominal tão baixo, às vezes “o dinheiro queima a mão das pessoas”. O Mercado — corno mais uma vez traído ao confiar em colunistas midiáticos –, coitado, havia montado uma posição grande a favor de uma queda da Selic. Agora, o que se vê é o desmonte generalizado.

Com o jogo político incerto, sem que um candidato de centro tenha decolado após o prejulgamento político e prisão arbitrária do ex-presidente Lula, como os analistas de O Mercado sonhavam, agora está em modo “Deus lhe livre ou me acuda”. “A gente estava em um nível ‘muito otimista’ e deslocou para ‘otimista’, com a visão de que seria um cenário mais difícil por causa das eleições, com mais preocupação em relação à volatilidade”, diz um idolatra de O Mercado. Na área de grandes fortunas, a única posição com um peso maior hoje é em bolsa americana, com indicação neutra para todos os outros ativos que compõem a parcela em risco Brasil.

Hoje, entre 20% e 25% do patrimônio dos investidores alocado em Brasil está em juros nominais mais curtos e juros reais com vencimentos intermediários. Há uma parcela de cerca de 35% em multimercados, que podem capturar mais rapidamente mudanças de cenário ao longo do tempo.

Na carteira local não há recomendação para dólar, com tal exposição restrita a ativos mantidos no exterior. Em um horizonte maior de tempo, a tendência é o real se apreciar. Talvez nos próximos cinco meses seja difícil porque esse é um movimento de apreciação do dólar mundialmente e no Brasil ainda tem eleições.”

“O Mercado foi por muito tempo resiliente, suportado pela depreciação do câmbio e por movimento global de commodities, que seguraram Petrobras e Vale. Mas nos últimos dias o câmbio se tornou mais errático, agravado pela deterioração rápida de Petrobras. Não há pressa para aumentar a alocação, porque os próximos meses serão muito voláteis.” Snif, snif…

2 thoughts on ““Dream Team”, Você pagou com traição A quem sempre Lhe deu a mão

  1. Professor FNC, vai comentar o “ranking” sobre as propostas economicas de um tal blog politicos.org.br a coxinhada está excitada com os resultados…. (ainda nao fui no detalhe, mas me parece repleto de wishfull thinking.

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