Sistemas de Estatísticas Vitais no Brasil para Políticas Públicas Contemporâneas

O Brasil registrou 1.095.535 casamentos civis em 2016, dos quais 1.090.181 entre pessoas de sexos diferentes e 5.354 entre pessoas do mesmo sexo. Houve queda de 3,7% no total de casamentos em relação a 2015. É o que mostra a pesquisa Estatísticas do Registro Civil 2016, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No Brasil, nas uniões civis entre cônjuges solteiros de sexos diferentes, os homens casam-se, em média, aos 30 anos, e as mulheres, aos 28 anos. Nas uniões entre pessoas do mesmo sexo, a idade média no casamento era de cerca de 34 anos, tanto para homens quanto para mulheres.

Em 2016, a pesquisa apurou que foram concedidos 344.526 divórcios em 1ª instância ou por escrituras extrajudiciais, um aumento de 4,7% em relação a 2015, quando foram registrados 328.960 divórcios.

A maior proporção das dissoluções ocorreu em famílias constituídas somente com filhos menores de idade (47,5%) e em famílias sem filhos (27,2%). A guarda dos filhos menores é ainda predominantemente da mãe e passou de 78,8% em 2015 para 74,4% em 2016. A guarda compartilhada aumentou de 12,9% em 2015 para 16,9% no ano passado.

No ano, 2.793.935 nascimentos foram registrados no Brasil, uma redução de 5,1% na comparação com 2015, quando foram contabilizados 2.945.344 nascimentos. Foi a primeira queda desse número desde 2010.

Para os economistas da felicidade, os índices de divórcio, desemprego, saúde física e mental, dão mais pistas sobre o bem-estar social do que o PIB. Uma separação conjugal tem efeito tão negativo sobre o bem-estar quanto a perda de 2/3 de seus rendimentos. A perda do afeto resulta em dor similar à perda do emprego e da autoestima.

Casamentos chegam ao fim por meio de divórcios formais, concedidos em primeira instância ou por escrituras extrajudiciais. Segundo o IBGE, duram em média 15 anos. Porém, cerca de ⅓ dos casais se separam antes de completarem 5 anos de casamento e,  desses, ⅕ não chegam nem a completar 2 anos.

Idade Média de Divórcios é de homens com 43 anos e mulheres com 40 anos, ou seja, eles não conseguem ultrapassar juntos a crise de meia-idade, depois de cerca de 15 anos casados e mais uns de namoro. Aliás nem sabem o que é Crise de Meia-Idade: uma forma de insegurança sofrida por alguns indivíduos quando estão passando pela “meia-idade”.

Eles percebem o período de sua juventude estar acabando e a idade avançada se aproximando. Essa crise pode ser desencadeada por vários fatores relacionados com essa época da vida, durante a crise da meia-idade, como:

  1. a morte dos parentes,
  2. casos extraconjugais,
  3. andropausa,
  4. menopausa,
  5. sensação de envelhecimento,
  6. insatisfação com a carreira profissional e
  7. saída dos filhos de casa.

Normalmente, quem passa por isso sente uma enorme vontade de mudar seus modos de vida:

  1. fazendo gastos exagerados com aquisições fúteis,
  2. abandonando o emprego ou
  3. terminando o casamento.

Os homens, em geral, desconhecem o que é a crise de meia-idade. Assim como pouco sabem a respeito do ciclo feminino. Eles não compreendem apenas a época da menstruação, quando há uma série de mudanças hormonais. Alteram diretamente as emoções, o humor, o vigor físico e a disposição das mulheres. Os homens necessitam desse conhecimento básico, seja na aprendizagem familiar, seja no ensino escolar, para terem empatia com as mulheres.

A análise de casos isolados revela o detonador das crises consistir, via de regra, em um acúmulo de estresse e cobranças ao longo de anos, geralmente inseridos em um projeto pessoal de casamento, sucesso profissional ou mesmice. São associados às expectativas e às atribuições efetivamente concentradas sobre uma única pessoa.

Por essa razão, geralmente a crise de meia-idade é, com mais frequência, observada em homens e mulheres aos quais são atribuídos o papel de “arrimo” ou principal “responsável” pela família. Embora nem todos os indivíduos sofram crises abruptas (burn-out), é bastante comum a recusa desses indivíduos em desempenhar o papel atribuído seja diagnosticado pelos familiares como doença, culminando em internações.

Acostumados com a pronta resposta do arrimo ou responsável e querendo fazê-lo retornar ao papel anterior, acabam ensejando maior afastamento, físico ou psíquico, dos relacionamentos até então nutridos por parte do indivíduo em situação crítica.

Contudo, a crise de meia-idade tende a produzir efeitos permanentes sobre a quantidade e intensidade de responsabilidades do indivíduo estar disposto a assumir. Geralmente, abre mão de um matrimônio, ou emprego, após avaliar sua real satisfação e seus reais benefícios auferidos, ao longo dos anos, em comparação com o esforço e energia empenhados.

No núcleo familiar próximo, a crise de meia-idade não parece alterar os vínculos filiais-maternos ou filiais-paternos. A crise e as mudanças dela decorrentes são desencadeadas apenas após o arrimo ou responsável consultar ou estar certo do apoio e aprovação dos filhos, ou parte deles.

Estudos indicam algumas culturas poderem ser mais sensíveis a este fenômeno. Há pouca evidência de as pessoas sofrerem crises de meia-idade nas culturas japonesa e indiana, levantando a questão se uma crise de meia-idade é somente uma concepção cultural das sociedades ocidentais.

Aproximadamente 10% das pessoas passam por esse problema, sendo mais comum entre os 40-60 anos de idade. Um estudo da década de 1990 aponta: normalmente quem passa por isso começa com cerca de 46 anos. Elas têm vida altamente atribulada, ou com fardos familiares muito amplos e onerosos. Crises de meia-idade duram de 3-10 anos em homens e 2-5 em mulheres.

Pessoas com crise de meia-idade, normalmente, apresentam os seguintes sentimentos:

  1. busca de um sonho ou objetivo de vida novo;
  2. necessidade de superar um sentimento de remorso vago, por metas não cumpridas, por meio de novas miradas;
  3. desejo de voltar a experimentar prazeres leves, geralmente preservados na memória, da época de juventude;
  4. vontade de ficar mais tempo sozinho, sem ser perturbada(o), ou apenas com pessoas que não lhes façam cobranças excessivas.

E os seguintes comportamentos:

  1. gozo solitário de hobbies e lazeres sociais (esportes, coleções, bichos de estimação, cursos de arte ou ofícios, álcool), geralmente criticados (talvez em excesso) pela família;
  2. aquisição de itens voltados para o próprio gozo, considerados caros ou fúteis pelos familiares ou ex-familiares que eram o centro depositário de recursos, como: motocicletas, barcos, roupas, carros esportivos, joias, piercings, tatuagens etc.;
  3. depressão/ansiedade, decorrente das críticas e isolamento produzidos com a mudança de atitude;
  4. responsabilizar-se pelos seus fracassos pessoais, revisando profundamente suas atitudes, e tentando racionalizar os anos vindouros;
  5. cuidado exagerado com a aparência e tentativa de parecer mais jovem, a fim de atrair novos parceiros e desenvolver novos relacionamentos;
  6. procurar relacionamentos com quaisquer pessoas disponíveis, geralmente em busca de referência, que se impressionam com a experiência que inevitavelmente carregam.
Famílias desestruturadas não têm impacto social?
  • divórcios de casais com filhos menores de idade: 1/2;
  • somente com filhos maiores de idade: 17%;
  • com filhos maiores e menores de idade: 8%;
  • sem filhos: 1/4.

     

  • Mulheres responsáveis exclusivas pela guarda de filhos: ⅘.

    Enquanto isso, o Poder Judiciário brasileiro discute o problema da guarda dos animais domésticos e de agendamento de horários de visitação

 

  • Tabelas Completas
  • Nascidos Vivos (em formato xls e ods)
  • Óbitos (em formato xls e ods)
  • Óbitos Fetais (em formato xls e ods)
  • Casamentos (em formato xls e ods)
  • Divórcios (em formato xls e ods)
  • Resultados Municipais (em formato xls e ods)
  • Índice de tabelas (em formato xls e ods)

 

#praCegoVer Capa da publicação

O IBGE lançou a publicação “Sistemas de Estatísticas Vitais no Brasil: avanços, perspectivas e desafios”, uma discussão sobre métodos de harmonização entre as Estatísticas do Registro Civil e os registros administrativos do Ministério da Saúde. A publicação pode ser adquirida na loja virtual do instituto. O download gratuito do arquivo em formato pdf pode ser feito na biblioteca digital do IBGE.

Organizado por Antônio Tadeu Ribeiro de Oliveira, o livro conta com três artigos, assinados por Luiz Fernando Lima Costa, José Eduardo de Oliveira Trindade e pelo próprio organizador, todos eles integrantes da Coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE.

A publicação foi elaborada para subsidiar as discussões sobre a cooperação entre IBGE e Ministério da Saúde, com o objetivo de harmonizar as duas bases de dados, como recomendam as Nações Unidas para a formação de um sistema nacional de estatísticas vitais robusto.

“O que estamos fazendo com essa publicação é buscar qualificar as informações de estatísticas vitais no pais buscando não só aumentar a cobertura, mas a qualidade”, explicou o organizador do livro, Antônio Tadeu Ribeiro de Oliveira. “Queremos integrar as duas bases de dados com esses objetivos”, complementa.

No primeiro artigo, o organizador da publicação apresenta um panorama das estatísticas vitais no Brasil. Nos dois artigos subsequentes, Antônio Tadeu Ribeiro de Oliveira se une a Luiz Fernando Lima Costa e José Eduardo de Oliveira Trindade em uma descrição dos estudos realizados no âmbito da parceria entre a Coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE e a Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde.

Enquanto o segundo artigo trata do alinhamento entre as bases de dados, sua metodologia e áreas cinzas em cada um dos sistemas, o último discute metodologias de estimativa de nascimentos e óbitos, focando nos métodos determinístico e log-linear, além do cálculo dos respectivos sub-registros e subnotificações.

Desde 1974, o IBGE é responsável pela coleta das informações sobre nascidos vivos, casamentos, óbitos e óbitos fetais informados pelos Cartórios de Registro Civil de Pessoas Naturais. O conjunto dessas informações, acrescidas, em 1984, das informações sobre os divórcios declarados pelas Varas de Família, Foros, Varas Cíveis e Tabelionatos de Notas, integram as Estatísticas do Registro Civil, divulgadas anualmente pelo instituto. Enquanto isso, o Ministério da Saúde mantém o Sistema de Nascidos Vivos (SINASC) e o Sistema de Mortalidade (SIM), criados em 1975 e 1990, respectivamente, e alimentados por registros administrativos do governo.

Entre os objetivos dessa harmonização estão:

  1. a qualificação dos dados coletados, a uniformização de conceitos e
  2. a melhora das informações prestadas por ambas as fontes, de forma a atender aos distintos propósitos de estudos sociodemográficos e de fomento às políticas públicas brasileiras, em particular as de caráter epidemiológico.

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