Maria da Conceição Tavares: Resumo da Obra por Maria Sílvia Possas

Maria Sílvia Possas, ex-colega do IE-UNICAMP, atualmente professora do IE- UFRJ, publicou ensaio intitulado Maria da Conceição Tavares (Estudos Avançados 15 (43), 2001: 389-400). Esquematizo-o em seguida, de maneira útil para minha reflexão, escrita sob convite, sobre a Professora.

Tavares exerceu grande influência sobre o pensamento econômico brasileiro. Tratou de assuntos variados, mas há uma preocupação em toda a sua obra:

  1. o desenvolvimento de países “periféricos”,com especial ênfase no caso brasileiro, e
  2. a sorte de grandes contingentes da sua população, excluídos economicamente.

Seu ponto de partida foi o pensamento cepalino, com ênfase nas relações econômicas e de poder entre nações centrais e periféricas.

Porém, procurou repensar essa matriz, ampliando a importância de questões como:

  1. variáveis internas a cada país, em especial a presença do setor produtor de bens de capital;
  2. as necessidades de financiamento do desenvolvimento e
  3. como os modos historicamente específicos de atendê-las repercutem.

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Corrupção Real e Corrupção dos Tolos

Jessé Souza, no livro “A elite do atraso: da escravidão à Lava Jato” (Rio de Janeiro: Leya, 2017), acha quando Sérgio Buarque elegia o patrimonialismo das elites que habitam o Estado como o grande problema nacional, ele não estava dando vida a nenhum sentimento novo. A corrupção do Estado era uma das bandeiras centrais do tenentismo.

A falta de homogeneidade de pensamento da casta dos guerreiros-militares permanece até os dias atuais. Sua confusão em relação à hierarquia das questões principais, refletiam (e refletem) uma carência real. Percebem a corrupção do Estado como efeito da captura do mesmo pela própria elite econômica com a finalidade de o usar para defender e aprofundar seus privilégios? Há uma conscientização coletiva dos desmandos de uma elite apenas interessada na perpetuação de seus privilégios?

Com o Estado na mão dos inimigos, após a Revolução de 1930, a elite do dinheiro paulistana descobre a esfera pública como arma. Tanto antes, como agora, o domínio da opinião pública parece ser a arma adequada para o controle oligárquico contra inimigos também poderosos.

Trata-se de um liberalismo repaginado e construído para convencer e não apenas oprimir. O moralismo da nascente classe média urbana seria a melhor maneira de adaptar o mandonismo privado aos novos tempos. O domínio do campo na cidade tem de ser civilizado, adquirindo as cores da moral e da decência, os mantras da classe média citadina. O que estava em jogo, segundo Jessé, era a captura agora intelectual e simbólica da classe média letrada pela elite do dinheiro, formando a aliança de classe dominante predominante no Brasil daí em diante. Continue reading “Corrupção Real e Corrupção dos Tolos”