Nada a Temer contra Tudo à la Temer

ABRAÇO DE AFOGADOS: PSDB-PMDB-CENTRÃO

Integrantes do PSDB e dos partidos que se aliaram aos tucanos na corrida presidencial votaram quase sempre juntos e a favor de projetos apoiados pelo governo no Congresso após a chegada do golpista Michel Temer (MDB) ao poder, há dois anos.

Levantamento feito pela Folha (07/08/18) nos registros das principais votações do período mostra que as bancadas desses partidos, dos quais cinco se aglutinam no bloco conhecido como centrão, raramente divergiram da orientação de suas lideranças e do governo golpista.

Esse comportamento indica que os tucanos e seus aliados têm mantido grau elevado de disciplina partidária e coesão ideológica em sua atuação parlamentar, ao contrário do que sugerem críticas dirigidas à aliança construída pelo candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin.

Segundo o Banco de Dados Legislativos do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), em média 88% dos congressistas do PSDB votaram com o governo mais impopular da história, desde o golpe contra a Dilma Rousseff (PT) arquitetado por Temer.

Nas bancadas dos oito partidos alinhados com Alckmin (DEM, PP, PPS, PR, PRB, PSD, PTB e SD), o apoio ao presidente variou entre 83% e 89%. Todos esses partidos ocuparam cargos no governo. Com exceção do Solidariedade, cada um ganhou um ministério.

Críticos da aliança que sustenta o presidenciável tucano temem que ela o torne refém de grupos contrários ao equilíbrio das contas públicas e pressões corporativas, como a dos sindicatos de trabalhadores ligados ao Solidariedade.

Mas a atuação desses partidos no Congresso mostra que as diferenças entre eles foram pontuais nos últimos anos. A maioria dos integrantes do Solidariedade votou contra a reforma trabalhista no ano passado, mas se alinhou com as outras siglas em outros temas.

O PRB foi contra a criação de um cadastro positivo para devedores neste ano, mas os outros votaram a favor. Questões regionais provocaram defecções na votação do projeto que autorizou a privatização de distribuidoras da Eletrobras, mas a maioria apoiou o governo nesse caso também.

Os tucanos e seus aliados jogaram juntos mesmo quando contrariaram o presidente. No mês passado, o PSDB e todos os partidos que apoiam a candidatura de Alckmin contribuíram para derrubar o veto que Temer queria impor a novos reajustes salariais de servidores no próximo ano.

“Esses partidos vão apoiar o governo que for eleito e o programa que o novo governo quiser implementar, seja quem for o vencedor”, diz o cientista político Fernando Limongi, professor da Universidade de São Paulo. “Eles não terão como sobreviver se não fizerem parte do governo.”

Quando o acordo com o centrão foi selado, o Solidariedade decidiu manter o apoio a Alckmin mesmo depois de o tucano deixar claro que não está disposto a rediscutir o fim do imposto sindical, extinto pela reforma trabalhista.

Nas discussões da reforma da Previdência, que o governo Temer deixou de lado no início do ano, aliados do Palácio do Planalto identificaram grande resistência à proposta no PR, a terceira maior força do centrão.

Patrocinado por um senador do PR numa comissão do Congresso, um projeto de lei que compensa perdas sofridas pelos estados com benefícios fiscais concedidos a exportadores pode custar R$ 39 bilhões ao próximo governo.

Em julho, quando o Senado contrariou o governo ao aprovar a manutenção de benefícios tributários para indústrias de refrigerantes, os tucanos e seus aliados se separaram, porque alguns estados temem perder receitas com a medida.

“Apesar das diferenças em algumas votações, o comportamento desses partidos tem sido muito parecido”, diz Cesar Zucco, professor da Fundação Getúlio Vargas. “O PSDB se inclinou do centro para a direita nos últimos anos e ficou mais parecido com os partidos do centrão.”

Pesquisa CNT-Ibope no Estado de São Paulo divulgada em 08/08/18:

O cenário sem Lula traria Jair Bolsonaro (PSL), com 18,9% e Geraldo Alckmin (PSDB), com 15%, à frente no estado. Atrás, vêm  Marina Silva (Rede), com 8,4%; Fernando Haddad (PT), 8,3%; Ciro Gomes (PDT) 6%; e Álvaro Dias (Podemos), 1,8%.

O cenário com Lula traz o petista à frente (21,8%), Bolsonaro (18,4%) e Alckmin (14%).

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