Propósito do Livro Trópicos Utópicos

Eduardo Giannetti, no livro “Trópicos utópicos: Uma perspectiva brasileira da crise civilizatória” (São Paulo: Companhia das Letras; 2016), revela aparentemente a crise de identidade nacional. Será ela, na verdade, uma transferência psicológica da crise de identidade ideológica do autor ao iniciar sua crise da terceira-idade: 61 anos?

Compartilho esse sentimento, solidariamente, com ele. Afinal, nossa “geração 68” comemorou em maio de 2018 seus cinquenta anos desde a crise da adolescência do baby-boomers.

“Quem somos nós? Qual o lugar do Brasil no mundo e o que nos distingue como nação? É próprio da melhor tradição de intérpretes do Brasil abordar a questão da nossa identidade de um ponto de vista histórico e retrospectivo — buscando em nossas raízes e na formação da nação brasileira, com suas bênçãos e males de origem, o segredo da nossa singularidade e destino comum.

Este livro revisita o tema da identidade, porém com uma diferença de enfoque. O objetivo é:

  1. analisar os elos que nos ligam ao mundo e
  2. distinguir os traços que nos definem como nação, mas a partir de um olhar utópico e prospectivo.

“Cada cultura incorpora um sonho de felicidade. Que constelação de valores seria capaz de nos unir em torno de um projeto original de realização no mundo globalizado? Existirá uma utopia mobilizadora da alma e das energias dos brasileiros? A que vem o Brasil, afinal, como nação?

Trópicos utópicos: no desconcerto plural de uma civilização [sempre] em crise descortinar a pauta e o vislumbre de uma utopia brasileira no concerto das nações. Este livro abraça e atiça o desafio de desentranhar luz das trevas — o que nunca fomos e, no entanto, arde em nós.”

Utopia é a ideia de civilização ideal, fantástica, imaginária. É um sistema ou plano que parece irrealizável, é uma fantasia, um devaneio, uma ilusão, um sonho. A etimologia grega “ou+topos” significa “lugar não existente”. Portanto, é uma contradição, em termos, falar de “utopia brasileira”. Pô, afinal o Brasil existe.

Eu, Fernando Nogueira da Costa, prefiro tratar a utopia como uma crítica da realidade existente, real, prática.

No sentido geral, o termo utopia é usado para denominar construções imaginárias de sociedades perfeitas, de acordo com os princípios filosóficos de seus idealizadores. No sentido mais limitado, significa toda doutrina social aspirante a uma transformação da ordem social existente, de acordo com os interesses de determinados grupos ou classes sociais. O autor vislumbrauma transformação da ordem social existente” de acordo com a doutrina neoliberal?! A da casta dos mercadores e seus aliados: sábios apologéticos?!

Em Filosofia, através da mesma raiz etimológica surge o termo distopia (ou antiutopia) como o oposto de utopia. A distopia é um pensamento filosófico caracterizador de uma sociedade imaginária controlada pelo Estado ou por outros meios extremos de opressão, criando condições de vida insuportáveis aos indivíduos. Normalmente tem como base a realidade da sociedade atual idealizada em condições extremas no futuro.

Alerta: uma sociedade imaginária controlada por pressuposto O Livre-Mercado é tão opressiva quanto a controlada por O Estado totalitário sem democracia. Se esse sistema complexo funcionar sem nenhuma regulação ou anteparo social, a exploração dos mais fortes sobre os mais fracos não terá limites!

“O plano geral do argumento de Giannetti segue fielmente o roteiro delineado na primeira seção do livro (§1 “A tríplice ilusão”). Uma análise dos males e dilemas do mundo moderno constitui o prelúdio adequado para a discussão da possibilidade de algo melhor no futuro.”

São 124 seções ou microensaios os componentes do livro. Estão divididas em quatro partes. As três primeiras abordam respectivamente “os três ídolos da modernidade” — a ciência, a tecnologia e o crescimento econômico — e os impasses oriundos dos seus cultos. A quarta parte introduz a questão nacional e elabora de forma explícita a perspectiva brasileira. Esta orienta a discussão da crise civilizatória.

A conclusão (§123 “Sonhar o Brasil”) oferece um esboço de utopia do anacronismo-promessa chamado Brasil. “Como o leitor atento e sem pressa — essa grande utopia de quem escreve — não deixará de notar, Trópicos Utópicos é um livro dotado de mais estrutura do que a divisão do texto em seções numeradas possa talvez à primeira vista sugerir.”

Eduardo Giannetti, no prefácio de “Trópicos utópicos: Uma perspectiva brasileira da crise civilizatória”, diz: “A longa gestação deste livro se confunde com tudo que vi, li e ouvi desde que me dou por gente. (…) Sinto-me feliz, contudo, em expressar o meu agradecimento a dois livros e uma cidade. (…) ‘A Inconstância da Alma Selvagem’, de Eduardo Viveiros de Castro, e ‘A Utopia Brasileira e os Movimentos Negros’, de Antonio Risério. À hospitalidade e generosa acolhida na pousada Solar da Ponte e na cidade histórica de Tiradentes, no interior de Minas Gerais, devo não só o ambiente ideal de trabalho como também o aprendizado de um Brasil profundo.”

Não li os citados livros. Vou atrás. Minha mulher e eu nos hospedamos nessa pousada Solar da Ponte,no início do nosso namoro, há 34 anos, quando eu a levei para conhecer Minas Gerais e minha família. Aliás, sou conterrâneo de Giannetti. Nascemos em Belo Horizonte. Eu, cinco anos e meio antes. Talvez tenhamos algo em comum…

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