Economista Oportunista: ultraliberalismo econômico + conservadorismo político e de costumes

Cristian Klein, Beth Koike e César Felício (20/02/18) informam sobre a herança reacionária do economista Paulo Guedes. Ele ainda lembra do comentário quando o pai soube, em 31 de março de 1964, que os militares haviam tomado o poder. “Agora vai ter ordem, não vai mais ter bagunça”, recorda.

Guedes, que se define como um liberal, defensor do que chama de uma “sociedade aberta”, tem muito mais afinidade com os pontos de vista de Bolsonaro do que poderiam supor aqueles que o veem como alguém que puxaria o ex-capitão do Exército da extrema direita em direção ao centro. 🙂

Em uma referência ao lema positivista (ideologia da casta dos sábios iluministas: o conhecimento científico devia ser reconhecido como o único conhecimento verdadeiro) da bandeira brasileira, de maneira equivocada, Guedes considera a parceria com Bolsonaro o encontro do “progresso” — representado pelas ideias liberais que defende — com a “ordem” e os valores conservadores, em nome de Deus e da família, empunhados pelo pré-candidato. “Ele tem determinação e princípios muito claros e firmes”, diz. E errados!

O economista afirma não ser um “censor moral”. “Ele tem valores [perversos]. Se você concorda ou discorda… Os valores dele não me ofendem. O sujeito falar ‘Deus, pátria e família‘ me ofende? Não”, diz.

Oportunista e obtendo uma projeção nunca tida antes, Guedes afirma não se assustar com o “patrulhamento” e vê semelhanças entre sua história e a de Bolsonaro. “Porque eu sofri isso lá atrás: ‘Esse cara é Ph.D. de Chicago, é de direita, cuidado com ele, hein…“, lembra. Guedes fez doutorado na Universidade de Chicago, o centro de ensino econômico de corte liberal com maior prestígio no mundo, e se orgulha disso. “Não teve gente com melhor treinamento do que eu. Pode ter tido igual“. [Que arrogância!] Reclama de ter sido discriminado tanto por economistas monetaristas ortodoxos quanto pelos chamados desenvolvimentistas.

Guedes vê diferença de tratamento dado a Bolsonaro e a ex-presidente Dilma Rousseff. Ela participou da luta armada contra a ditadura militar e foi torturada por militares. “O cara tinha 18, 19 anos e a Dilma estava soltando uma bomba e ele estava fazendo um concurso para a Aman. Por que um cara desse não pode ser presidente e o outro pode? É uma questão de valores”, afirma. Esse argumento estúpido, tipo Tico-e-Teco, não diferencia a história de jovens contra o Estado policial e militar e a de torturadores.

O economista argumenta que faz sentido quando Bolsonaro diz que não quer que “ensinem na escola que tem oito sexos”. “Não tem oito sexos, tem dois. Tem um milhão de preferências sexuais. Mas [quanto a] sexo não existe isso. Sexo é biológico. Nasceu, é menino ou menina. Psicologicamente, tem oito, 12, 17, 60. Então, tem problema de valores”, diz, argumentando que os valores estão em disputa na sociedade. Ele se diz liberal e desconhece as conquistas da cidadania em termos de costumes: a liberdade de dispor do próprio corpo, seja para sexo, seja para aborto.

Guedes afirma que os Estados Unidos, depois da Grande Depressão, criaram um imaginário, “num acordo entre a mídia, todo mundo”, baseado na família americana, “no sonho americano”, refletido no ideal do cidadão que trabalha, que vai ao cinema e vê filme com final feliz e onde o bandido sempre se dá mal. “No Brasil, é tudo ao contrário. Na novela, o bandido se dá bem, o traficante é bacana, a amante dele é que é legal, o empresário é sempre ladrão, e o padre é fdp. Isso é Gramsci, é cultura, você desestabiliza a cultura, vamos desmoralizar isso…”, diz.

O inculto é claramente um entreguista da cultura brasileira e a favor da submissão à cultura norte-americana!

Para o economista conservador, parte da sociedade brasileira estaria reagindo a isso. “O cara que tem valor diferente fala: ‘Me desculpe, mas quero um governo diferente’. Não é coincidência que tem dezenas de milhões de evangélicos que, de repente, vão votar nessa direção. E aí a esquerda não vai entender o que está acontecendo no país, como não entendeu em 1964. De repente teve um golpe de direita e ninguém reclamou. [?!] A mídia convencional não está percebendo o que está acontecendo. E eu estou tentando racionalizar uma história para não virar o caos. E a história é boa”, afirma.

Guedes defende que o mais importante seria o quadro geral: o de uma economia com excesso de intervenção estatal, criado por 30 anos de governos social-democratas do PT e do PSDB que teriam corrompido a democracia. [?!] “Vocês precisam entender isso. Se você quiser achar que é mais importante o sujeito xingar homossexual, ou o sujeito dizer que elogiou tortura, se isso for mais importante do que o curso… beleza.”

O idiota não tem consciência do mal feito à própria reputação e aos demais seguidores do boçalnazi com esse tipo de análise rasteira. Só deseja o desmanche do Estado brasileiro para bons negócios de seu banco de negócios. É totalmente indiferente à ameaça de perda de direitos civis, políticos, sociais e econômicos colocada pelo bolsonarismo fascistóide.

Sobre o episódio em que Bolsonaro disse que não estupraria a deputada Maria do Rosário (PT-RS) porque ela não merecia, Guedes reafirma as justificativas de Bolsonaro e diz que ele reagiu à provocação.

Questionado sobre a coleção de declarações pejorativas do deputado a respeito de mulheres e minorias, como gays, negros, índios e quilombolas, o economista reconhece que o histórico de Bolsonaro não demonstra alguém que está apenas se defendendo. “Ele é agressivo, não vou defender. Mas o que estou dizendo é outra coisa. Se eu for avaliar o que você faz à noite, o que não faz, o que você pensa, vou entrar numa esfera… Se estou numa democracia, entendo que um parlamentar tem direito à liberdade de opinião. Se eu falo assim: ‘Sou a favor da tortura’; o problema é dele. Ele deve perder voto. Não vai ganhar voto, né”, afirma.

Sobre casos de tortura, Paulo Guedes diz: “nem vejo essas coisas”. Lembra que tinha 13 anos quando os militares derrubaram o presidente João Goulart – porque a esquerda iria dar o golpe – mas afirma que em relação ao clima político da época “não estava aí”: “Não fui politizado. Era um menino de classe média baixa lutando para viver, subindo na base do estudo, ganhando bolsa de estudo“, conta, lembrando que ao passar entre os primeiros para a UFMG ganhou uma sala e um salário mínimo.

Ah, papo furado! Eu também fiz parte desse sistema de bolsa de estudos da FACE-UFMG e não me tornei um reacionário idiota como ele!

“Os intelectuais franceses, Jean-Paul Sartre etc, apoiavam o socialismo entusiasticamente, sem qualquer consideração por direitos humanos. Era válido o sacrifício pessoal, amigo, família, morte, tortura, o que for, pela causa. Nesse puxa-puxa, eu estou fora, nem discuto”, diz.

Este é o tipo de gente que gente inculta, embora com Ensino Superior e alta renda, pretende eleger com czar da economia caso retorne o regime militar ao Brasil!

Ele é também estúpido em Economia!

O economista Paulo Guedes – nome indicado por Jair Bolsonaro para ser seu Ministro da Fazenda caso venha ser eleito presidente da República – defende um amplo programa de concessões e privatização de estatais capaz de arrecadar R$ 700 bilhões. O objetivo é que a venda de ativos da União reduza em cerca de 20% a dívida pública federal, atualmente, em torno de R$ 3,5 trilhões. Veja a disparidade para estimativas mais realistas abaixo. Ele não dimensiona o dito levianamente!

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